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Alberto Costa
Senior Assessment Manager de Cambridge Assessment English, departamento da Universidade de Cambridge especializado em certificação internacional de língua inglesa e preparo de professores
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A internacionalização de qualquer instituição é um processo que demanda tempo de desenvolvimento e é construído a várias mãos. Esse não é um movimento que acontece apenas de cima para baixo por meio de decisões tomadas única e exclusivamente pela diretoria. Para que o programa seja eficiente e bem-sucedido, é recomendável pensarmos na sua implementação e evolução como uma pirâmide que se completa apenas quando todas as esferas do ecossistema se unem para trabalhar a favor do objetivo comum. É como se direção, professores e alunos representassem um mecanismo dessa grande engrenagem que gira conforme o seu papel de colaboração.

Isso não significa que não há liderança ou dedicação de uma área. Para dar o primeiro passo toda instituição que decide passar pela internacionalização precisa criar uma estrutura que dê o suporte necessário para as ações que se sucedem e que envolva e integre o restante da equipe no movimento. Em geral, a tarefa se concentra em um departamento responsável e é ele quem vai cuidar de toda a parte formal, burocrática e de implementação do projeto.

Seu trabalho vai desde estabelecer parcerias com outras instituições ao redor do mundo, até divulgar e se inteirar de programas e de pesquisas que possam ser realizados em parceria, assim como coletar ideias e sugestões trazidas pelos professores e alunos para buscar maneiras de colocá-las em prática quando estiver alinhadas aos objetivos coletivos.

O intercâmbio também tende a ficar alocado como missão desse time, seja para mapear oportunidades que deem mobilidade aos docentes brasileiros, quanto para criar iniciativas que atraiam professores estrangeiros para as suas salas de aula. É a ele que cabe também a função de acolher e ambientar os alunos que vêm de todo o mundo para adaptá-los ao nosso sistema de educação. Possíveis parcerias, equiparação de cursos e disciplinas que possam equivaler no exterior e o processo de seleção que escolhe quais brasileiros vão estudar fora também ficam a cargo do departamento. E sua atuação se estende até a estruturação de todo o programa de idiomas, cumprindo o papel de plataforma para a concretização de todas as atividades.

Já no patamar intermediário dessa pirâmide temos os professores, que por sua vez são essenciais na transmissão do conhecimento em sala de aula aos alunos e também no apoio aos estudantes em meio às inúmeras mudanças que a internacionalização propõe. É primordial, portanto, que não apenas eles estejam alinhados com os valores e objetivos do programa internacional de educação, como também estejam preparados metodologicamente para o processo.

Existe, é claro, uma legislação a ser cumprida do ponto de vista da formação do quadro de profissionais em relação ao nível de formação dos docentes para atuar com a Educação Superior, como a pós-graduação, o mestrado e o doutorado, por exemplo. Mas, não há nenhuma regulamentação quando recortamos essa capacitação para o ensino internacionalizado, apesar de os padrões linguísticos serem tão importantes quanto todo esse processo de especialização em suas áreas de ensino.

E para que haja o engajamento e o envolvimento necessário por parte do profissional, um caminho possível é o investimento em programas de educação continuada que buscam a especialização e o aprimoramento dentro dos parâmetros que a instituição deseja atingir. É um exemplo disso o desenvolvimento de segurança e metodologias para ministrar suas aulas usando o inglês como meio de instrução (EMI).

Por último, na base, temos os alunos e aqui a palavra chave é propósito. É por meio do trabalho de conscientização da universidade que eles vão abrir horizontes e vislumbrar oportunidades cada vez melhores em função desse novo formato de ensino. A união de forças entre professores e diretoria em prol de um ambiente de autonomia, de protagonismo e de estímulos ao desenvolvimento contínuo faz com que eles sintam na prática a tradução da política detalhada no papel.

Mas, é importante se atentar ao fato de que as coisas não param por aí. A internacionalização deve ser um ecossistema completo e vivo, e por isso é necessário conectar e unir todos esses pilares (contando também com departamentos acadêmicos e equipe administrativa) de maneira constante utilizando-se de agentes móveis dentro da estratégia que desempenhem uma atividade comparável a uma “embaixada da internacionalização”. Com atuação integrada em todos os níveis da pirâmide, eles buscam máxima cooperação e o estreitamento dos canais de comunicação fomentando novas ideias e boas práticas, tornando o processo cada vez mais visível e natural ao dia a dia de todos os envolvidos.

Uma resposta para “Direção, professores e alunos: quais suas funções no contexto da internacionalização e como envolvê-los no processo?”

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