Antonio OliveiraAntônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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Minha esposa, professora de educação musical, não tinha mais o que inventar para distrair nossa netinha de quatro anos. Aí, então, inventou mais um teatrinho: O Sol e a Lua. Elisa escolheu ser o Sol. Enquanto cada uma improvisava coreografia e texto, ensaio valendo como interpretação, fiquei pensando nesse fenômeno de todo dia, de toda noite. Todo dia, o Rei Sol nasce. E não apenas no domingo, ou no Dia do Sol, Sontag, Sunday… O Sol desaparece. Ou, pelo menos, sua claridade. Quando então cede espaço à rainha da noite. No entanto, até isso: “Lua, ó Lua, querem te passar pra trás”. E mais essa: “Querem te roubar a paz…”

Fez-se tarde e manhã. Primeiro dia da criação. Exista a luz. “Fiat lux.” E a luz existiu. A luz era boa. E foi separada das trevas. A luz foi chamada “dia”; as trevas, “noite”. O dia, para os egípcios, começava pelo ocaso. Segundo os persas, com o nascer do Sol. Para os atenienses, a partir da sexta hora do dia; segundo os romanos, à meia noite. Hora do galicínio, galicanto, a hora matutina em que os galos cantam. Antes que o galo cante três vezes, tu me negarás, disse Jesus a Pedro. E assim se deu. Existe algo melhor do que a luz? Então, seja luz! Vós sois a luz do mundo. “Licht, mehr Licht”, Luz, mais luz, são essas as últimas palavras atribuídas a Goethe. O mito da caverna de Platão só admitia claridade fora da caverna.

Zênite significa auge, apogeu, culminância, píncaros do Sol em direção aos recôncavos do horizonte. Sol a pino. Nadir é o ponto diametralmente oposto do zênite. É plenilúnio se a Lua está com a bola cheia, com a bola toda, lua cheia. No município de Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte, existe o Vale do Sol e, nele, a Rua Zênite. Bem pensado…

Nossa vida é uma sucessão de dias e noites, de noites e dias. Aparentemente, uma rotina. De nós depende alcançar um projeto de vida conforme as circunstâncias. Como agora, vivendo confinados. – Quem podia imaginar?

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