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Eduardo de Assis Brasil Rocha
Advogado e professor universitário
Diretor Geral da Faculdade de Direito de Santa Maria (FADISMA)
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Como já apontei aqui, sou leitor e associado ativo da ABMES. Enquanto autor, no blog, já falei sobre a educação a distância, ou melhor, de uma educação sem distância, modelo que não só passei a acreditar, como a confiar, apostar, a despeito da mediação tecnológica. Porque é possível sim, e podemos ter, muito afeto e contato além das fronteiras da presença física, naquilo que ainda é chamado de modalidade, quando deveria ser de oportunidade.

E, sendo esse leitor e membro ativo como comentei, me vi frente ao cenário vivenciado, na obrigação de, enquanto também gestor educacional, encorajado por outras experiências e, sobretudo, compartilhando de outros anseios e constatações aqui postadas, de igualmente manifestar-me.

Num primeiro esboço, as palavras regentes, como professor que sou, eram todas focadas no ensino e na aprendizagem ditos tradicionais. Mas hoje, recolhido em minha casa, olhei ao meu redor e me vi fisicamente só, situação completamente inédita para quem atuou anos a fio integralmente no ensino presencial, frente a carteiras (porque era assim que nominávamos) cheias. A falada educação a distância foi imersa na minha história profissional e empreendedora somente depois de toda minha história dentro da sala de aula física, onde eu procurava a confirmação do entendimento num olhar, num sorriso, numa pergunta, num debate e até no sinalizar da cabeça.

Mesmo enquanto gestor comprometido e conectado a todas tendências, assim como muitos, não conhecia todos termos e aplicabilidades, por exemplo, de metodologias ativas nesse formato. E, foi com uma equipe ativa de colaboradores, orientada a buscar o que fosse de melhor e mais conectado para quem sempre mais me importou, os alunos, eu ao longo dos últimos anos também fui aluno. Fui atrás de cursos, me engajei em capacitações que não eram da minha área de formação, mas compatíveis ao mundo que nós denominamos como o da revolução digital, mas que aprendi exigirem também competências socioemocionais múltiplas.

Ao me ver, agora, sem minha classe física, rememorei os abraços e os sorrisos dos meus alunos. Me entristeci por lembrar que por vários motivos, em muitas vezes, corri em função das demandas e não parei no intervalo para tomar um “chimarrão” com os professores do meu time. Não tenho dúvidas de que, apesar da imensa maioria dos artigos aqui tratarem das questões técnicas, dos impactos e todo mais, como seres humanos que somos, tudo que queremos é tomar juntos este “mate amargo”, o abraço caloroso, o aperto de mão, tudo aquilo que por muito podíamos fazer e não tínhamos tempo.

As verdades e as certezas é que são poucas – se é que existem – desde que a Covid-19 entrou em cena. Percebi que esse vírus trouxe à tona questionamentos que vão além dos desafios na área da saúde pública, geopolítica, economia e da na nossa educação, entre incontáveis outros aspectos. É sabido que muito embora precisemos considerar que esse movimento na educação vai desmistificar, merecidamente, a EAD, esbarramos no desafio do acesso à internet e da inexperiência. Uma pesquisa divulgada em 2019, de acordo com minhas leituras, aponta que 58% dos domicílios no Brasil não têm acesso a computadores e 33% não dispõem de internet. Entre as classes mais baixas, insta constar, o acesso é ainda mais restrito. A pesquisa foi feita pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), entre agosto e dezembro de 2018.

E, a partir desses dados, eu quero falar de gratidão com as pessoas que estão atrás de toda esta tecnologia. No interior do Rio Grande do Sul, os efeitos e impactos da pandemia não trazem cenários diferentes. Mas, na nossa IES o acesso e a experiência são constatações. Estamos rodando muitíssimo bem. O professor Gabriel Mário foi impecável ao dizer aqui, no blog, que estamos frente a “um mundo diferente onde vamos precisar conviver com as máquinas e não contra elas”. Sabiamente, ele lecionou: “Elas adotando a inteligência artificial e os humanos usando sua criatividade, sua empatia, sua curiosidade, sua capacidade de improvisar e de sonhar”.

E eu queria, justamente, falar de sonho e realidade. Daqui, do Coração do Rio Grande, abrimos uma janela para o mundo em meio a tanta dor. Agradecemos por termos, ao longo dos últimos tempos, considerado todo o cenário da aprendizagem, por termos priorizado a capacitação docente e por termos conscientizado nossos alunos acerca da importância da fluência tecnológica, e por termos feito dela o meio para ações em busca de Direitos Humanos Fundamentais.

O amor por “Educar Sempre”, nossa missão por aqui, vem garantindo abraços virtuais tão ou mais fortes e significativos que os já vivenciados. Estamos aprendendo todos os dias que o alicerce de um prédio não é nossa maior razão de ser, mas sim nossa preocupação e o movimento constante em favor da educação e, principalmente, das pessoas.

Meu texto é para simplesmente dizer que é nas pessoas que estão imbuídas daquela curiosidade, que tão bem mencionou o professor Gabriel, eu vejo o desbravar de fronteiras, eu vejo docentes ainda mais competentes e empáticos. Eu vejo a possibilidade de não só um futuro, mas, verdadeiramente, um mundo melhor. E, para cada aluno que partilhe desse sentimento, eu – e espero vocês – tenhamos uma prioridade que eles sejam ativistas e agentes da transformação da educação. A eles, nossos alunos, venho confiando a missão de acesso, democratização e oportunidade. A nós sempre compartilhar o conhecimento.

Vi hoje o mesmo brilho maravilhoso nos olhos dos nossos alunos – é bem verdade que por entre uma tela de dispositivo móvel. Mas percebi que aquelas carteiras cheias, não presencialmente, podem e devem multiplicar-se. Será um mundo novo.

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