Maurício Costa Romão
Ph.D. em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos
mauricio-romao@uol.com.br
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Desde os “cursos por correspondência” que a educação a distância tem sido vista com desconfiança e preconceito. Essa percepção continuou nas fases tecnologicamente mais avançadas dos cursos remotos realizados depois pelo rádio e televisão.

A educação a distância cresceu exponencialmente no mundo todo por meio da internet, mas ainda subsistem prevenções contra esta modalidade, difundindo-se o mito de que ela é inferior à sua contraparte presencial em termos de qualidade.

Com a evolução da tecnologia de informação e as plataformas digitais, todos os cursos deixaram de ser eminentemente presenciais (offline learning), e passaram a incorporar diversos meios tecnológicos online, a ponto de se dizer que a atual aprendizagem moderna é toda híbrida, semipresencial (blended learning). Os cursos empregam menos ou mais tecnologias online, mas sempre empregam.

Ademais, no mundo plano de hoje, a denominação “educação a distância” está datada, e vem sendo substituída pela expressão mais condizente de “educação intermediada por tecnologia”. No âmbito do ensino superior, já há certo entendimento de que não faz mais sentido distinguir educação por modalidade, presencial e a distância. Educação é uma só, ofertada com diferentes graus de tecnologia.

Quanto à questão da qualidade, a evidência empírica sugere que há forte correlação biunívoca entre a qualidade das instituições de ensino superior (IES) e a qualidade de seus cursos. Em outras palavras, a qualidade de um curso está em correspondência com a qualidade da IES a que o curso pertence e vice-versa.

No Brasil operam 2.500 instituições de ensino superior, que ofertam 35.000 cursos (números arredondados de 2017). Esta grandiosidade quantitativa permite sugerir que a distribuição do grau de qualidade desses cursos se dê consoante uma curva normal (gaussiana): no lado inferior esquerdo uma relativa quantidade de cursos ruins, no lado oposto uma razoável quantidade de cursos bons e, no centro, o grosso dos cursos, de qualidade regular.

Como as IES que oferecem cursos presenciais são, na grande maioria, as mesmas que ofertam os cursos a distância, então as IES ruins, regulares e boas oferecem cursos ruins, regulares e bons, independente de que são presenciais ou a distância, de sorte que a qualidade dessas “antigas” modalidades são equivalentes.

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