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Celso Niskier
Diretor presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)
Reitor do Centro Universitário UniCarioca
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A imagem da professora brandindo a palmatória não sai da cabeça: “Menino que não aprende merece apanhar!”. Quem já passou por essa experiência assustadora? Não faz muito tempo, acreditava-se que a melhor forma de garantir a motivação dos estudantes era através de ameaças de violência física, ou de humilhação. Colocar o chapéu de “burro” e ficar no canto, de costas, seria a forma de evitar a preguiça nos estudos.

Hoje sabemos que cada aluno é único em seu potencial de aprender, e o professor sábio deve ter paciência e saber adaptar sua estratégia de ensino às necessidades individuais de cada um. Mais do que isso, deve-se construir um ambiente em sala de aula que incentive a tolerância, a cooperação e a diversidade intelectual e social. Simples assim? Aí é que mora o perigo…

Não há nada simples nesse novo papel do professor. Antes de mais nada, ele precisa estar preparado para lidar com as diferenças, e aplicar diferentes estratégias de ensino, conforme as características individuais de cada estudante. Em uma sala com muitos alunos, isso pode se tornar quase impossível. Garantir a atenção de uma turma diversa e dispersa demanda uma nova atitude do professor: motivar pelo afeto.

Um professor que cria empatia com sua turma tem muito mais chances de ganhar a atenção de todos, e de motiva-los para a busca de conhecimentos. Para isso, ele precisa apresentar seu lado humano, contar histórias, mostrar sentimentos e até compaixão com os menos habilidosos. O professor é o exemplo em sala de aula, e esse exemplo de comportamento é tão ou até mais importante do que o conhecimento que ele transmite.

Estamos formando esses professores? Infelizmente a resposta é não. Nossas universidades não preparam o professor para lidar com turmas diversas e inquietas, ainda mais agora, em tempos de internet. A criação de empatia não é uma disciplina formal das nossas licenciaturas. Mas ela pode sim ser ensinada e desenvolvida. Esse processo começa com a mudança dos currículos dos cursos de formação de professores, para incluir outras habilidades socio-emocionais, além das cognitivas tradicionais. Mais aulas práticas, mais vivências reais em escolas-modelo, mais trocas de experiências entre os futuros mestres, é o que se deseja na construção de um professor completo, para os novos tempos.

Um professor que ensina com afeto estará sempre presente na memória afetiva de seus alunos. Mais do que o porrete, ele deve brandir um sorriso, e com isso abrir o coração de seus estudantes para o maravilhoso mundo do conhecimento. Vamos trabalhar na construção desse novo profissional da Educação?

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