Valmor Bolan
Doutor em Sociologia e Presidente da Conap/MEC (Comissão Nacional de Acompanhamento e Controle Social do Programa Universidade para Todos-PROUNI)
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Se a globalização é inevitável, e a sociedade tecnológica se impõe cada vez mais, não quer dizer que o ser humano deve ficar refém da tecnologia, atomizando-se no mundo globalizado. O grande desafio hoje é justamente isso; evitar a desumanização, pois a tecnologia deve estar a serviço da pessoa como meio e não fim, para que o sentido da vida não se perca no automatismo, na indiferença, no individualismo crasso, que se tornam expressões de várias formas de violência. Pois tudo aquilo que viola a dignidade da pessoa humana, torna-se indigno, e portanto, rechaçado por quem coloca a vida humana como prioridade. Daí que a globalização deve promover integração, solidariedade, acolhida, afetividade, como sugere o papa Francisco em muitos de seus pronunciamentos e atitudes.

A educação existe para formar a pessoa. Sim, formar, quer dizer dar-lhe o formato adequado enquanto pessoa, desenvolvê-la em suas potencialidades e talentos, fazê-la ser o que é, e não torna-la vulnerável às aparências e à cultura do provisório e do descartável. A pessoa deve ser um ser humano completo, e isso só é possível se tiver um processo educacional que a torne pessoa, e não uma máquina ou um objeto da sociedade de consumo. A pessoa só é ser humano quando é sujeito social, e não objeto;daí a importância do discernimento, para que a educação não se volte contra a pessoa, mas que que a promova e a qualifique. Este é, talvez, o maior desafio do século 21: fazer a tecnologia estar a serviço da promoção da pessoa humana, e não o contrário. Já Charles Chaplin, no seu clássico “Tempos Modernos”, dizia; “Homens é que sois e não máquinas!”

Nesse sentido, a modernidade faz da tecnologia um aspecto positivo, a propiciar muitas melhorias e possibilidades (a Internet é uma demonstração disso!), mas desde que não torne o ser humano refém e vulnerável, desde que não haja manipulação e condicionamento, desde que não comprometa a liberdade humana. Por isso, defendemos a educação humanista, voltada para a valorização do ser humano, que deve ser o sujeito do processo, a quem a educação está ao serviço de seu desenvolvimento como pessoa.

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