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Paulo CardimPaulo Cardim
Reitor da Belas Artes e Presidente da Conaes
Blog da Reitoria, publicado em 27 de maio de 2019
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A vida universitária acolhe pessoas de diferentes origens e habilidades desenvolvidas em estudos de níveis diversos. Educadores, educandos, gestores e profissionais da área técnica e administrativa de apoio têm objetivos individuais ou corporativos singulares. Há, contudo, um objetivo institucional – ensino e aprendizagem – que exige disciplina, respeito pela diversidade, pluralismo de ideias e aplicação dos recursos públicos ou da livre iniciativa de forma eficiente e eficaz. Nem sempre, porém, esse objetivo é alcançado integralmente. As instituições de educação superior (IES) cuidam de pessoas e formam cidadãos e profissionais, seu produto final. Não são peças. São seres humanos. Nesse “pequeno” detalhe reside a complexidade da educação, em qualquer nível ou grau.

Com o protagonismo da Internet, as inovações tecnológicas vertiginosas em informação e comunicação e o surgimento de novas tecnologias diruptivas, como o 5K, a vida universitária, obrigatoriamente, terá que inovar na forma de ensinar, com reflexos inauditos no processo de aprendizagem. É o que previam, em 2012, Clayton M. Christensen e Henry J. Eyring, em A universidade inovadora: mudando o DNA do ensino superior de fora para dentro (Porto Alegre: Bookman, 2014, p. XXIII): “No futuro o ensino poderá vir a sofrer uma desestabilização ou dirupção à medida que vierem a existir significativas melhorias nas tecnologias online e uma alteração no foco competitivo, que deve passar das credenciais do professor ou do prestígio da instituição para aquilo que os estudantes conseguem de fato aprender”. (grifos no original)

O futuro já chegou. O trem da história está passando em uma velocidade século 21.

Os paradigmas que engessaram a educação ao longo de séculos, tendo o professor ou o “catedrático” como o centro, o senhor da vida acadêmica dos estudantes, passam por mudanças ainda tímidas. Na grande maioria, prevalece a simples cópia de IES que estão inovando com habilidade e competência, sem qualquer atendimento ao DNA de cada instituição. A localização, o público alvo, a especialização em uma área de conhecimento ou a pulverização, a organização acadêmica – universidade, centro universitário ou faculdade e congêneres – e administrativa – da livre iniciativa (com ou sem fins econômicos, confessional ou laica) ou pública – nem sempre são levados em consideração. O Projeto Pedagógico Institucional (PPI) parece ser uma simples peça burocrática, exigida nos processos de avaliação e regulação, conduzidos pelo Ministério da Educação (MEC).

O socorro às metodologias ativas está sendo, nesta década, um salvo conduto para o futuro, com erros e acertos. A mudança, para o educando, de metodologia de aprendizagem tradicional na educação básica pública para a educação superior, desenvolvida pela livre iniciativa, geralmente, não é absorvida tão facilmente. O processo é bem mais complexo. Não adianta capacitar o professor se o estudante ingressante também não passar pelo mesmo processo, a fim de assimilar com mais desenvoltura o processo a ser implementado. José Moran registra, em Metodologias ativas para uma educação inovadora: uma abordagem teórico-prática (BACICH, Lilian & MORAN José [Orgs]. Porto Alegre: Penso, 2018, p. 2), que “a vida é um processo de aprendizagem ativa, de enfrentamento de desafios cada vez mais complexos”. Segundo Moran tem um porém: “As pesquisas atuais da neurociência comprovam que o processo de aprendizagem é único e diferente para cada ser humano, e que cada pessoa aprende o que é mais relevante e o que faz sentido para si, o que gera conexões cognitivas e emocionais”.

Esses os desafios para as IES, entre outros: DNA único, metodologias ativas, adaptação do projeto institucional ao tamanho do mercado, tecnologias inovadoras e aprendizagem individualizada na educação para o século 21, a Nova Era. O uso responsável, correto e adequado da educação a distância (EAD), isoladamente ou em parceria com a presencial, pode, também, ser incluído entre esses desafios.

As IES da livre iniciativa têm mais liberdade e agilidade para não perderem o trem da história da educação superior para o século 21. A capacitação permanente de seu corpo docente e dos gestores acadêmicos, sob firme liderança, pode conduzir a IES a permanecer e crescer qualitativamente no mercado, formando as gerações digitais para a vida em sociedade, qualificadas para uma aprendizagem permanente.

Encerro com uma afirmativa categórica de Clayton M. Christensen e Henry J. Eyring (A universidade inovadora: mudando o DNA do ensino superior de fora para dentro (Porto Alegre: Bookman, 2014, p. 385): “As universidades que sobreviverão aos desafios que se colocarem para elas no curto prazo serão aquelas capazes de reconhecer e de honrar seus pontos fortes, ao mesmo tempo em que se mostram capazes de realizar inovações com otimismo”. DNA único e inovações com otimismo, isto é, alma própria.

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