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Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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Na essência, o que está em jogo é a escolha entre dois Brasis. Um, é o Brasil da ilha de fantasias de Brasília, do Estado obeso e perdulário, que drena a produção e o trabalho dos brasileiros para sustentar o seu apetite insaciável. O outro Brasil, massacrado pelo peso da carruagem que tem de puxar, é o Brasil real, dos mortais, que paga impostos de primeiro mundo e recebe serviços de terceiro mundo. (Hora de Mudar – O Estado de S.Paulo, 11/09/16)

Se pudéssemos estabelecer uma analogia entre o certame da Rússia e o que vem por aí no Brasil, em razão das próximas eleições, seria fácil analisar os erros e tropeços que nos afligiram e por final nos venceram e traçar um paralelo com a nosso contexto político.

A intenção vai muito além do arco-íris das vontades, desejos e anseios em ver o país novamente em ascensão. Ainda que na Copa, embora unidos, tenhamos saído derrotados, outra vez. Muito simplesmente, é mais ou menos como avaliar a comissão técnica e os jogadores, sem subtrair a imensa torcida nacional porque a figura geométrica se resume a um triângulo, um tripé. Não existe o jogo sem uma dessas pontas.

Na política, outro tripé: o eleitor, o candidato e o exercício da função.

Mas então, onde erramos? Na Copa já sabemos e na eleição vamos saber no dia seguinte ao término da apuração. Duas derrotas seguidas nos tiram do campeonato da sensatez e do consciente porque nos arrancam a autoestima, não nos deixarão quimera de esperança. É como subtrair a alma do corpo.

Na política recente já sabemos, por exemplo, quanto às duas refinarias que o governo doou para a Bolívia, os 1,2 bilhões de dólares emprestados a Hugo Chaves, os bilhões de dólares enviados para Cuba, Haiti e outros (esquecendo-se que aqui também tem crianças morrendo de anemia, além de analfabetas), os 10,6 bilhões de reais emprestados a Eike Batista, ora em condição pré-falimentar, o Mensalão planejado com quartel-general ao lado da sala da presidência da república e os 6 mil médicos cubanos, independentemente da falência do SUS.

Sem esquecer a promessa da reabilitação da indústria naval brasileira, os 4,8 bilhões gastos na transposição do Rio São Francisco (hoje tudo abandonado), além dos 39 ministérios, a falência da Petrobras e tantos outros exemplos.

Por certo não dá pra explicar os 20% de inadimplência do “Minha casa, minha vida”, que vai ter que ser pago pelos brasileiros que trabalham. O que aconteceu com o óleo de mamona que ia ser a independência energética do país? Sem falar no pré-sal. Até na merenda escolar meteram a mão.

A taxa de desempregados, hoje na casa dos 14 milhões, é fora de conversa, nada mais se fala sobre isso. E saber que esse patamar ainda poderá perdurar pelos próximos dez anos transformando uma autêntica força de trabalho em desocupados atinge uma tristeza sem igual. Tudo acumulado com falta de segurança, sem escola, sem saúde, sem rumo de políticas econômicas bem definidas para mudar o jogo.

Nada vai mudar com os “atletas” que temos hoje. Não temos bons atacantes, muito menos boa defesa. Mas temos tomado gols todos os dias, pois nossos jogadores estão burlando, saqueando, surrupiando os torcedores, que em breve irão às urnas. Deus queira que possamos virar o jogo elegendo a dignidade e não a falcatrua e a mentira.

Todo país tem, além do técnico oficial de sua seleção, tantos milhões que compõem a sua torcida: a população. São técnicos oficiosos, palpiteiros de plantão, atuando antes, durante e após os jogos, em momento único, irmanados com um só desejo – o de vencer. E por aqui não foi diferente com 200 milhões de brasileiros torcendo muito para ao final colocar não só a mão na taça, mas também um sorriso no rosto. Até porque os infortúnios e a desesperança batem forte, com a mão aberta, espalmada para corrigir com a dor.

Outubro está chegando e deverão ser eleitos milhares de deputados estaduais e federais, senadores, governadores e presidente, para mais quatro anos de jogos desembestados, sem estratégias, chutando a esmo. Pior que jogo de várzea. Vamos perder novamente nas eleições?

Enquanto isso, a CNI – Confederação Nacional da Indústria – reuniu em Brasília perto de 2 mil empresários para que ouvissem dos pré-candidatos à presidência muita banalidade e demagogia. Como sempre, “quase nada do que se ouviu alimenta esperanças de que haverá melhora substancial a partir de 1º de janeiro de 2019”, aponta artigo do Estadão (Banalidades e demagogia).

Foram, segundo o Estadão, obviedades, promessas vagas elaboradas sob medida para ganhar aplausos da plateia e, sobretudo, medidas perigosamente demagógicas. “Na essência, um besteirol que, se levado à prática, tornará muito mais difícil para o País retomar o desejado ajuste da economia e alcançar o progresso com apaziguamento social”.

Ainda conforme o Estadão, na mesma ocasião, a CNI divulgou 42 documentos aos candidatos à Presidência numa tentativa de criar uma agenda para trazer o Brasil ao século 21 e destravar sua economia. Na pauta, dentre outros temas, tributação, educação fundamental, formação técnica, sistema de transportes, política ambiental, saneamento básico, diplomacia comercial, energia, saúde suplementar e indústria 4.0, porquanto o debate eleitoral, até agora muito fraco e até assustador, talvez melhore, se os pretendentes ao Palácio do Planalto derem alguma atenção àqueles documentos.

Relatórios oferecidos com frequência por entidades empresariais, Banco Mundial e Fórum Econômico Mundial dão conta da urgente necessidade de propiciar segurança jurídica, evitar a deficiência da infraestrutura, diminuir a complexidade dos tributos e, atrelada a isso, a questão do peso dos impostos sobre a produção e, não menos importante, uma rigorosa medida contra o baixo preparo da mão de obra como inegável desvantagem na concorrência global. Este último detalhe perpassando entre as formações universitárias e tecnológicas.

As campanhas ficam focadas, como todos já estão vendo, nos candidatos a presidência e poucos prestam atenção nos candidatos ao legislativo estaduais e ao Congresso, que são aqueles que de fato podem criar as políticas públicas para mudar o país. Pelo voto consciente podemos impedir o retorno dos políticos que há dezenas de anos, nas casas legislativas, só ficaram preocupados com seus interesses e não com os da nação.

Então, em breve o eleitor é quem vai definir o time do Congresso e das Assembleias Legislativas além dos ocupantes das cadeiras executivas. A grande torcida tem de estar vigilante e escolher quem de fato está interessado no desenvolvimento do Brasil, cobrando dos jogadores eleitos ousadia, criatividade e, sobretudo, jogo limpo com a economia, saúde, segurança e, principalmente, com a educação.

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