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Gabriel Mario Rodrigues
Presidente da ABMES
e Secretário Executivo do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular
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Mais de 1.000 anos de ensino e aprendizagem universitários de maneira formal não mudam rapidamente, ou pelo menos sem uma revolução. Mas já se começam a ver algumas tendências tecnológicas como sendo a chave do envolvimento pessoal de estudantes e é aí que reside o segredo da mudança. (Gilly Salmon – Swinburne University of Technology)

A revista Veja (Edição 2.341 de 2 de outubro de 2013) abordou o instigante tema “A educação do futuro agora: os cursos na Internet que vão mudar sua vida”. A matéria de capa informa que os Massive Open Online Courses (Mooc), oferecidos gratuitamente pelas mais prestigiosas universidades mundiais, estão atraindo milhões de pessoas que desejam aprimorar seus conhecimentos.

A reportagem explica que o processo desenvolvido na Internet, ligando diversas mídias e interagindo com indivíduos na rede, revolucionará daqui para frente todo o processo de ensino-aprendizagem. Os estudantes poderão receber certificados que serão cobrados e adquirir créditos que podem ser aceitos por outras instituições.

As autoras da reportagem, Monica Weinberg e Nathalia Butti, perdem, a nosso ver, a oportunidade de enfatizar a implicação mais importante de toda a questão: o modelo de ensino superior presencial como conhecemos até agora está com os dias contados.

No livro A Universidade Inovadora, da editora Bookman, os autores Clayton M. Christensen e Henry J. Eyring expressam com outras palavras a mesma realidade: “As instituições de ensino não terão sustentação apoiando-se unicamente no sistema presencial tradicional e precisarão adotar ações para dominar a tecnologia da educação à distância porque ela dominará a nova forma de ensinar”. As pessoas conectadas e orientadas em buscar determinado conhecimento sem se atrelar a espaços físicos ou a horários pré-determinados têm melhores condições de transmitir suas vivência do que um único professor.

Realmente uma grande revolução está irrompendo aos nossos pés e pouca gente está percebendo que os vaticínios do prestigiado escritor de administração e negócios, Peter Drucker – feitos no final do século, ao tratar do que iria suceder com os prédios das universidades americanas no futuro –, estão se concretizando. Ele nem poderia imaginar que o conhecimento transmitido pela força das redes planetárias, onde o aprendizado é adquirido pelo interrelacionamento de pessoas dos mais diversos lugares do mundo, não dependeria de espaços e de horários. O nosso concorrente não é mais a faculdade da esquina, mas sim uma instituição de qualquer recanto global.

E, para demonstrar que não estamos exagerando, transcrevemos o anúncio de uma instituição do Caribe, a St. George’s University,[1] convocando candidatos para uma sessão de informações em hotel da cidade. Com extrema visão mercadológica para um país com falta de médicos, a Universidade criou um programa de recrutamento de alunos: Become a doctor or veterinarian at home or abroad (em tradução livre: Torne-se Médico ou Veterinário no seu país ou no exterior…).  Sem conhecer o programa, mas usando um pouco de imaginação, é possível prever que o aprendizado também pode ser realizado com a flexibilização de aulas à distância e práticas em convênios com hospitais de países diversos.

Para um estudante vocacionado e dedicado, nenhum diploma será impossível de ser conquistado. A aquisição de conhecimentos depende do aprendiz e não do mestre, diz a sabedoria universal. Se isso vale para um curso de medicina, imagine o que pode acontecer com outros, em que não existem amarras culturais ou mentais restritivas, a não ser a dos conselhos profissionais e dos organismos públicos.

Para os mais velhos, sabemos que nada substituirá as palavras de um espetacular professor, a boa aula ou um seleto encontro de pessoas que trocam ideias e experiências. Mas o mundo mudou, as crianças nascem com um tablet nas mãos e a tecnologia a cada momento mostra um instrumental melhor de comunicação para se aprender mais rápida e eficazmente.

O ensino a distância no Brasil deve ter mais de dois milhões de estudantes matriculados. Os Moocs significam um aperfeiçoamento do ensino online, pois conjugam as diversas mídias de texto, de som e de imagem, propiciando um aprendizado colaborativo pela interação de pessoas, troca de ideias, discussão de teses, compartilhamento de experiências e o desfrute da inteligência coletiva.

Os cursos de cunho cultural estão deixando de ser presenciais nas grandes capitais, pelas dificuldades de transporte. O grande desafio será vencer o ultraconservadorismo tanto da academia quanto o da sua irmã siamesa, a burocracia do Estado, pois os bons cursos virão pelo próprio desenvolvimento do sistema.

A sociedade atual experimenta transformações profundas decorrentes do avanço da tecnologia da informação e da comunicação, permitindo a interconexão de pessoas, culturas, instituições, cidades e países. Há um mundo sem fronteiras, que supera, inclusive, até as dificuldades da comunicação interpessoal, que diuturnamente troca informações pela internet por seus programas de relacionamento (blogs, fóruns, twitters, redes sociais etc.).

Todas as áreas da ciência, da economia, do esporte, da cultura, da administração dos negócios e dos grandes eventos mundiais estão interligadas num fabuloso banco de informações, que se aprimora a cada instante. Aparatos de todos os formatos e tamanhos estão à disposição de quem quer aprender.

 

A reação dos conselhos profissionais e dos organismos do Estado sobre as novas mudanças é tema para outra ocasião.

 


[1] Folha de S.Paulo (05.10.2013).

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