Antonio OliveiraAntônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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Era uma vez um rincão ao qual, uma vez “achado”, foram dados os primeiros nomes de Vera Cruz e depois Santa Cruz. Os descobridores ficaram doidos com a região recém-descoberta, que lhes pareceu um Eldorado. Segundo a lenda, um homem todo-poderoso, em espanhol, El Dorado, tinha por hábito espojar-se no ouro em pó, para ficar com a pele dourada. Coincidência, mais tarde, descobriu-se ouro, muito ouro, nas suas minas gerais. E aí o El Dorado foi literalmente despojado em suas entranhas, procedimento sempre seguido pelos caciques de cá e pelos colonizadores al di là.

A plebe eldoradense e os inconfidentes eram, e continuam sendo tratados “manu miltari”, coercitivamente, por militares e não militares: grilhões, forca, exílios, tributos escorchantes, escravidão, trabalho escravo, desemprego, subemprego, discriminações, inflação, juros altos. Para uma elite: mordomias, foro privilegiado, imunidade parlamentar, fome insaciável de poder, continuísmos, tudo formalmente sob a égide de que “todos são iguais perante a lei”. Belas chorumelas, lengalenga uma atrás da outra, uma depois da outra.

Desde o início, à medida que o seu litoral ia sendo desbravado, os lugares recebiam os nomes dos santos do dia: São Miguel, São Jerônimo, São Francisco, São Tomé, São Sebastião, São Vicente, Todos os Santos… Memórias gloriosas daqueles reis que foram dilatando a fé e o império, mas também a desigualdade desigual, opressão, silêncio dos inocentes, menosprezo. Cultura nacional focada no QE, Quociente de Esperteza, no jeitinho, na propina, na conjugação do verbo roubar por todos os tempos e modos e do levar vantagem em tudo.

E assim, era uma vez um florão, uma terra garrida, ao som do mar e à luz do céu profundo, campos floridos, bosques viçosos. Uma natureza exuberante, um povo moldado na submissão. Nessa “pátria mãe tão distraída…” Entretanto, há quem ainda tenha esperança. Desesperadamente. Pois não, desesperar jamais!…

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