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Gabriel Mario Rodrigues2

Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
***  

“O Brasil teve evolução impressionante na década de 2000, uma das mudanças mais rápidas no sistema educacional quando se trata de qualidade de aprendizagem (…), mas com o tempo este progresso estagnou, desde 2006/2009, nós vimos pequenas mudanças na qualidade de ensino” (Andreas Schleicher, diretor de Educação da OCDE e responsável pelo Pisa)

Ao analisarmos a fala de Andreas Schleicher, epígrafe deste artigo, vemos que o perigo pode estar exatamente no que temos visto como afoitismo de adoções de novas propostas pedagógicas, incerteza de rumos dos poderes governamentais, implantação de novas tecnologias não sedimentadas, inovações que de novo não têm nada, e por aí vamos.

Ninguém pode tirar as certezas encontradas em vigorosas pesquisas, sobretudo as de cunho educacional, quando se trata de fazer uma boa leitura do resultado apresentado pelo diretor de educação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e coordenador do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês). Ele explica as grandes questões sociais, econômicas, políticas e tecnológicas que se colocam para as escolas e destaca outros desafios globais. É concordar ou concordar. Nisso existe um grande abismo entre os fatos e as soluções. Como no nosso caso, com um sem número de problemas e questões, que incomodam muito e nos põem indefesos e impotentes. Refiro-me ao financiamento da escola, ausência quase total de meios para equipar laboratórios, bibliotecas, espaços de cultura, etc. etc. Entra ano sai ano e tudo parece igual, senão pior.

Recentemente, no site do G1, foi publicada matéria da BBC “Educação: 10 tendências que estão mudando o ensino em todo o mundo”, alfinetando o setor com algumas perguntas de alto teor provocativo: Qual é o papel que a internet deve ter na educação? Quais valores as escolas devem ensinar? E como tornar o que é ensinado útil e relevante para um mercado de trabalho em mutação?
Como fazer com que os estudantes escutem opiniões divergentes das suas? Quais são as novas tendências em matéria de educação e como vão afetar os sistemas educacionais de todo o mundo?

De incômodo em incômodo vamos nos debatendo. É só ver as consequências do que aí temos e há quem insista, os sectários e intransigentes como também os que teimam em revolucionar.

A leitura do que escreveu Paulo Saldaña na Folha de S.Paulo de 12/03 (Só cinco estados devem colocar metade das crianças em creche até 2024, diz estudo) nos leva a reflexões, mas também a desistências: “Somente 5 das 27 unidades da federação vão conseguir colocar ao menos metade das crianças de até três anos em creches, até 2024, indica relatório produzido pelo Instituto Ayrton Senna”. Ele segue, “garantir vagas em creche para pelo menos 50% das crianças é uma das metas do PNE (Plano Nacional de Educação), aprovado pelo Congresso Nacional em 2014. O documento estipula objetivos para a educação a serem alcançados pelo país em dez anos.”

Vale a pena acessar os dois links abaixo:

Fila para vaga em creche na cidade de São Paulo é a menor da série histórica

Vagas para bebês são maior gargalo na fila por vaga em creche em São Paulo

Voltando a Andreas Schleicher, ao que me dediquei, resumo algumas de suas colocações (Fonte: Educação: 10 tendências que estão mudando o ensino em todo o mundo)

  1. Lacuna entre ricos e pobres versus mobilidade social

A distância entre ricos e pobres está aumentando e com isso se ampliam os grupos com privilégios extremos, assim como aqueles que sofrem de enormes privações.
Essa desigualdade se reflete nas escolas. Como equilibrar essa desigualdade econômica com a missão da escola de oferecer um acesso mais justo a oportunidades?

Aqui está uma solução a se dar, mas que a realidade obstaculiza.

  1. Aumento do consumo na Ásia

A riqueza pode não estar distribuída equitativamente, mas está aumentando, especialmente na Ásia. A classe média global está crescendo, e 90% de seus novos integrantes estarão na China e na Índia.

Como a economia global mudará quando as populações mais educadas do mundo provenham da Ásia e não da América do Norte e da Europa?

Arrisco um palpite: não, lembrando que se hoje somos 7 bilhões amanhã, exponencialmente seremos 8 bilhões e a educação não caminha com a mesma velocidade. Educação é a primeira engrenagem de um relógio analógico e todas as demais vão trabalhando em velocidade cada vez maior até moverem os ponteiros.

  1. Crescimento da imigração

Há muito mais gente imigrando, e a Ásia assumiu o lugar da Europa como o destino mais popular dos imigrantes. Esta mobilidade traz junto a diversidade cultural, a energia e a ambição dos recém-chegados, mas também gera muitos desafios.

Sem dúvida, mas é importante frisar que não há profissionais preparados para esse novo modus vivendi, afora que não somos e não estamos na Ásia.

  1. Financiamento

A pressão para encontrar financiamento será uma grande questão para os sistemas educacionais. As escolas deverão tomar decisões a longo prazo sobre como gastar seu orçamento, sobretudo com o aumento das exigências e expectativas.
Os indivíduos também deverão entender os riscos de repentinas crises econômicas e recessões, principalmente em momentos em que crescem as dívidas pessoais.

A realidade parece mostrar outra situação quando em breve a “gratuidade” na universidade pública cessará por insustentável pelo poder público.

  1. Abertura vs. Isolamento

A tecnologia digital pode conectar mais gente do que nunca, construindo vínculos entre países e culturas. Ao menos em teoria, A tecnologia também pode fazer com que o mundo seja mais volátil e incerto.

Entender como integrar a internet e outras tecnologias é um desafio para as escolas.

Não há dúvida que tecnologia tem um caráter absolutista e de elite.

Como as escolas e universidades farão para promover uma maior abertura a ideias diferentes?

Se novamente surgirem as sociedades por castas cada pizza sobreposta terá suas próprias ideias. Os algoritmos seletivados já apontam para as diferenças.

  1. Humanos de primeira classe ou robôs de segunda?

Já foram feitos vários alertas sobre a ameaça da inteligência artificial para os empregos de hoje em dia. Mas os sistemas educacionais precisam equipar os jovens com ferramentas para que possam se adaptar e modernizar em um mercado de trabalho em mutação.

Nesse ponto me ocorre uma possibilidade viável: a tríplice hélice, sem a qual tudo será inexequível.

  1. Lições ao longo da vida

A expectativa de vida está aumentando, e um mercado de trabalho menos previsível faz com que cada vez mais adultos tenham que voltar a se capacitar profissionalmente.
Será necessário dar mais atenção ao aprendizado a longo prazo, para que os adultos estejam preparados para mudar de trabalho e se aposentar por mais tempo.
Desde 1970, a média de anos de aposentadoria em países da OCDE aumentou de 13 para 20 anos.

É um problema frequentemente ignorado, mas será cada vez mais importante que as habilidades de uma pessoa coincidam com os requisitos dos empregos disponíveis.

Se e quando existirem empregos, que não é o caso presente no país. Vamos de 13 para 20 milhões de desempregados muito brevemente.

  1. Conectados ou desconectados?

A internet é uma parte integral da vida dos jovens. Em alguns países, a quantidade de tempo que os jovens de 15 anos passam conectados duplicou em três anos. Muitos adolescentes dizem sentir-se mal se ficam desconectados.  

Está aí uma realidade que não queremos aceitar, ao contrário, recusar como os bastiões do atraso.

Mas a educação ainda tem que aceitar a presença permanente da internet. Qual é o papel que ela deve ter na educação? Como reduzir seus efeitos negativos, como o cyberbullying e a perda de privacidade?

Resposta: enfrentando, face a face.

  1. Ensino de valores

Todo mundo espera que a escola ensine valores. Mas, em um mundo cada vez mais polarizado, quem decide quais devem ser ensinados?

O mundo digital tornou possível que mais gente expresse suas opiniões, mas isso não garante que possam acessar informações confiáveis e balanceadas ou que estejam dispostos a escutar outras pessoas.

As escolas devem ser politicamente neutras ou promover ideias ou formas de pensamento específicas? E qual classe de virtudes cívicas são exigidas pelas democracias modernas?

  1. Temas irrelevantes para muitos

A ONU diz que há cerca de 260 milhões de crianças que perdem a chance de frequentar a escola. Para elas, estes temas serão irrelevantes, porque nem sequer têm acesso a uma escola ou estão em escolas com um nível educacional tão baixo que saem dela sem ter os conhecimentos mais básicos de escrita e matemática.

E não são poucas, milhões para quem o tempo passou e carregarão o analfabetismo para sempre, o mais absurdo e indesejável pois conduz a uma sociedade caótica.

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