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Valmor BolanValmor Bolan
Professor da Unisa e ex-Reitor

Doutor em Sociologia e especialista em Gestão Universitária pela Organização Universitária Interamericana (OUI), sediada em Montreal, Canadá
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O clima de beligerância entre “bolsonaristas” nas redes sociais tomou uma proporção preocupante, que compromete cada vez mais o que se espera de pessoas com funções públicas, ainda mais eletivas. Deputados da base governista se digladiam escancaradamente (como os deputados Kim Kataguiri e Joice Hasselmann), dando espetáculos de ódio e discórdia, inflamados por atos intempestivos, muitas vezes inconsequentes, que em nada agregam e nem constroem possibilidades.

O governo parece ficar a cada dia mais refém de suas milícias digitais, e com isso as reformas importantes para o país ficam paralisadas. Enquanto isso, novas demissões no MEC, e o ministro Vélez Rodrigues não consegue emplacar o seu número 2.  Os ataques desnecessários ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, por tais milícias digitais, agravaram mais ainda a relação do Executivo com o Legislativo, tanto que o ministro da Economia, Paulo Guedes, deixou de ir à Comissão de Constituição e Justiça para falar sobre a Reforma da Previdência, pois nem ao menos havia sido indicado o relator da PEC 06/2019.

A pergunta que se faz: quem ganha com toda esta balbúrdia?

O problema é que o próprio Bolsonaro e seus filhos parecem nutrir-se da efervescência das redes sociais, sentindo necessidade de vê-las agitadas, todos os dias, muitas vezes buscando inimigos aonde não há, porque para os mais acirrados “bolsonaristas” há inimigos por toda a parte que precisam ser caçados e combatidos. Isso faz parte da paranoia olavista, da qual o governo não consegue se libertar. A relação com o Congresso deve ser de articulação e busca de consenso, e isso não significa que todos os que estão lá fazem parte do balcão de negócios do “toma lá, dá cá”. O parlamento existe numa democracia para o debate e a deliberação das questões mais relevantes. Temos hoje o desafio de várias reformas necessárias, que precisam ser aprovadas pelo Congresso Nacional: reforma da Previdência, reforma política, reforma tributária, e outras. E também o pacote anticrime do ministro Sérgio Moro, etc.

Na verdade, o que precisamos é conter essa patologia de milícias digitais, que se insurge contra as instituições, fomentando ódio e expondo pessoas ao escárnio público, desnecessariamente. O modo como Gustavo Bebianno foi execrado publicamente, pelo furor das redes sociais, é inconcebível num sistema democrático e civilizado.

O que está faltando no governo é justamente “temperança”, uma virtude importante para garantir estabilidade e sucesso, senão as coisas continuarão tresloucadas, indo de mal a pior. Com isso, a reforma da Previdência já começava patinar sem  que ainda a Comissão de Constituição e Justiça tivesse escolhido o relator da PEC 06/2019. Esperamos pelo bom senso entre os agentes do governo. Paradoxalmente, equilíbrio, flexibilidade e serenidade proveem dos segmentos militares do governo. Os generais estão exercendo o poder moderador, que o Presidente Bolsonaro não cultiva.

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