Antônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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Escarafunchar datas. Fazer de cada comemoração um mosaico, um núcleo, uma referência. Quem escreve sobre datas comemorativas não escolhe o tema, escolhe a abordagem, não importando a controvérsia em torno de tantas datas disso ou daquilo. Escrever a respeito de datas, algumas, por sinal, bem triviais, é um pão nosso de cada dia e um trabalho também diário de produzir esse alimento. Inclusive questionando a obsessão consumista de determinados produtos de época, tipo bacalhau na Quaresma, ovos de chocolate na Páscoa, comes e bebes e presentes a mancheias no Natal.

Identificar o sublime em meio ao grotesco de certas comemorações se assemelha ao garimpo de ouro de aluvião. Nas mãos, a bateia a peneirar e a lavar areias auríferas, e sem o prognóstico de Tomás Antônio Gonzaga, em “Marília de Dirceu”: “Não verás separar ao hábil negro / do pesado esmeril a grossa areia, / e já brilharem os granetes de oiro / no fundo da bateia”. Verás… ou poderás ver sem recorrer a mercadorias empurradas, mediante lavagem de cérebro, por um tipo de propaganda chata pra caramba, a zunir aos nossos ouvidos e a magnetizar olhares incautos.

O que a gente comemora conscientemente, e com carinho, nunca está em liquidação nem se condiciona a “enquanto durar o estoque”, nem é preciso correr antes que o ano acabe. Ano novo é cada página em branco de uma agenda nova para novos registros. Diz Maria Fernanda de Castro que “os anos são degraus; a vida, a escada”. Oxalá uma escada apontando bem para o alto!

Início de ano me lembra Janeiro, de Valmir Ayala: “Janeiro desnastra os arrozais, / o fumo é desfolhado / e a larva ameaça o algodoal. / A mão do homem corrige todos os acasos. / Janeiro vê a altura viva das mudas / nos viveiros. / É tempo ainda de semear. / As frutas submetem-se aos enxertos, promissoras. / Reverdecer é simples como a luz.”

Reverdecer é simples como a esperança: teimosa esperança em dias melhores, esperança num feliz 2012…

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