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Rafael Villas Bôas
Consultor Associado de Marketing na Hoper Educacional e Diretor de Planejamento na Agência Fess’Kobbi
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Futurologia, runas, borras de café, vísceras, cartomancia e bolas de cristal. A previsão do porvir sempre motivou a humanidade adiante.

A próxima lavoura, a antecipação do acaso, a meteorologia. O dia seguinte sempre nos angustiou e a antevisão ganhou status de ciência em tempos de big data na sociedade do conhecimento.

Sistematicamente, monitor que sou da indústria da educação, me surpreende as previsões de que nada mais será como antes no que tange ao labor.

Nielsen, Gartner, Ibope, DataFolha… Todos os grandes institutos de pesquisa alimentam nossa ansiedade com white papers sobre o apocalipse profissional que nos espera logo mais.

A recente projeção da PwC, por exemplo, dividiu os riscos de automatização por áreas e países, nos próximos 10 anos: 48% dos trabalhadores dos Estados Unidos; 35% da Alemanha; e 21% do Japão serão substituídos por máquinas. Entre os setores que lideram essa extinção profissional estão “Transporte e Logística” (56%), “Vendas” (44%) e “Finanças” (32%).

Jogando lenha na fogueira do medo do desemprego sistêmico de nosso alunos o DaVinci Institute delinea o desaparecimento de 2 bilhões de vagas até 2030. Se o mercado de trabalho fosse um planeta o DaVinci Institute seria um cometa em rota de colisão. E 2030 seria a Era do Gelo.

Quem nos salva com um sopro de esperança é a consultoria McKinsey que prevê que 2,4 novas oportunidades serão criadas (principalmente em startups) para cada posto eliminado pelo DaVinci Institute.

Para facilitar a deglutição, resolvi compilar nesse artigo as predições mais recentes para que você tenha subsídios antes de sair gritando “saiam da água! Saiam da água” pela praia.

Leia antes de vender sua faculdade e investir os recursos na pontocom do seu sobrinho.

2017 – A Dell encomendou para o IFTF (Institute for the Future) uma pesquisa sobre o futurologismo. Achei bem coerente: 85% das profissões que existirão em 2030 ainda não foram inventadas. Um cronógrafo que corre pra indústria de educação.

Traz dados bacanas como… “os alunos de hoje terão entre 8 e 10 empregos quando tiverem 38 anos de idade… vão ser majoritariamente freelancers”… segundo o U.S. Bureau of Labor Statistics. Vale a leitura (link segue aqui);

2014 – A Inova Consulting desenvolveu junto com diversos parceiros bacanas (FIA, Michael Page, Sparks & Honey, Talenses e Revista Exame) um cardápio intitulado “As 50 Profissões do Futuro”. Apareceram profissões realmente novas como Gestor de trendsinnovation; Especialista em crowdfunding e Storyteller. Vale a leitura (link segue aqui);

2013 – O famoso paper de Oxford sobre a computadorização do trabalho coloca em risco 47% do total dos empregos nos estados unidos. (link segue aqui)

…………..

O legal da internet, ainda, é que conseguimos retroagir as nossas pesquisas – hoje – para uma década atrás e encontrar o pensamento vigente sobre o futuro da mecanização robótica dos presunçosos de antes de 2007.

Em 2001 (há longínquos 16 anos, portanto), Glen Hiemstra, publicou no site Futurism um apanhado de tendências profissionais para o destino como aquelas publicadas na ocasião pela Time Magazine.

Segundo Glen a Time projetaria o fim das seguintes atividades em um horizonte próximo (mas não definido no artigo):

Profissionais da Bolsa de Valores, Vendedores de Carros, Carteiros, Vendedores de Seguro e Corretores de Imóveis, Professores, Impressores, Estenógrafos, CEOs, Ortodontistas, Agentes Penitenciários, Caminhoneiros, Donas de casa e Pais (segundo o artigo reproduz, ainda que não uma classe profissional, “os pais seriam eliminados porque meios artificiais de reprodução os tornariam desnecessários … talvez em alguns casos isolados”).

Glen cita, ainda, outra fonte, em seu artigo da virada do milênio ( o livro “Visions” de Michio Kaku). Nesse caso estariam fadados ao limbo da história profissões como:

Vendedores de seguros, Profissionais da Bolsa de Valores, Corretores em geral e Vendedores de Carros (corroborando a matéria da Time e tirando o sono de muita gente). E (…):

– Agentes de viagem;

– Impressores;

– Produção e entrega de jornais;

– Atendentes de lojas de vídeo;

Se a Time não acertou nenhuma projeção “Visions” acertou ao decretar do fim das Video Locadoras. Bingo!

O artigo pode ser lido aqui:

Top 10 Future Careers

Outros que se aventuraram e erraram em futurar o presente na virada do milênio foram:

https://www.dol.gov/dol/aboutdol/history/herman/reports/futurework/report.htm

http://www.futuristspeaker.com/business-trends/the-future-of-education/

De forma nenhuma meu objetivo é diminuir nosso necessário ímpeto de profetizar ou desacreditar prenúncios. Pelo contrário. Os agouros de 2001 eram muito mais abstratos que os de hoje (muito mais calçados em informações e tecnologia).

Minha meta é desacelerar a pressão sobre executivos de marketing educacional sobre sua responsabilidade em acertar. Diminuir a impaciência e o desassossego com sua matriz de cursos tradicional. Seu portfólio pode ter uma vida muito mais longa que adivinhou seu ultimo consultor. E, principalmente, mitigar a intranquilidade de pais e profissionais. Provalemente em 16 anos ainda existirá espaço para todos nós. O que deverá mudar é nossa forma de trabalho.

Afinal o futuro, como já disseram, não é mais como era antigamente e vivemos em um museu das grandes novidades.

E se eu puder dizer uma única coisa para você hoje eu diria: “use filtro solar!”

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