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Davi Caixeta Carvalho
Administradores, publicado em 21 de outubro de 2011
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A Metodologia de Pesquisa nunca foi uma das disciplinas mais amigas. Mas é ela quem define padrões mínimo de como se deve pesquisar e, portanto, ter resultados mais produtivos. Mas, quais são os princípios fundamentais desta disciplina? Qual a importância do conhecimento para ela?

Devido a crescente necessidade de formação de alunos e profissionais capacitados na resolução de problemas do dia a dia, todo curso de Ensino Superior apresenta uma disciplina chamada Metodologia de Pesquisa, cuja principal finalidade é orientar aos alunos nos procedimentos necessários a aplicação de uma pesquisa científica, sua normalização e apresentação dos resultados junto a comunidade científica.

Mas antes de qualquer coisa, existe o pensamento. É através do pensamento que surge o conhecimento, objeto de estudo da metodologia. Pensar significa capacidade de adquirir informações do meio, processá-las, refletir sobre seu significado e inter-relações e utilizar este conhecimento para uma finalidade específica. Os passos 1 e 2 podem ser feitos por todos os seres vivos, mas o passo 3, a reflexão e racionalização das informações, somente os seres humanos fazem. O pensamento, enfim, permite que sejamos racionais.

O pensamento oferece subsídios para que possamos mudar o meio em que vivemos, mas ele em si não é capaz de alterar a realidade. Ou seja, não basta ser racional, é necessário aplicar este conhecimento. Do contrário seria muito fácil cruzar os braços e esperar que tudo se resolva, como ensinado no livro “Segredo” que afirma erroneamente que o pensamento em si é capaz de dar ordens ao universo e modificá-lo ao seu bel prazer.

Existem 3 etapas de evolução do conhecimento. No início temos o dado, que nada mais é do que uma informação ou fato isolado, por exemplo, “cadeira” e “madeira”. Um conjunto de dados semelhantes ou que impliquem alguma inter-relação é chamado de informação, por exemplo, “a cadeira é de madeira”. Um conjunto de informações adquiridas, analisadas e com algum significado para nossa vida, formam o conhecimento, por exemplo, “a cadeira de madeira é mais confortável que a de plástico”.

Todo conhecimento é adquirido diretamente através de experiências físicas (experimentação), como visão, audição, paladar, tato e olfato. Indiretamente pode ser obtido através da simples reflexão, todavia é necessário ter inicialmente informações adquiridas por experiências. Além disso, o conhecimento é transmitido, obviamente, através das mais diversas formas de comunicação humana, mas principalmente através do meio escrito, no caso do conhecimento científico.

Quanto a sua natureza, o conhecimento pode se dar através de 3 facetas: o conhecimento natural é aquele que temos, mas não questionamos, ou seja, geralmente são coisas abstratas, que nos foram ensinadas e que nunca questionamos a veracidade porque temos o item em questão como verdade. Poderíamos citar de exemplo a maior parte do conhecimento natural com suas superstições e no caso das empresas o clima organizacional que todos aceitam e ninguém questiona: “não devemos mudar, sempre foi assim e sempre será”.

O conhecimento racional ou técnico é aquele que adquirimos pela reflexão e pensamento ou mesmo pela simples solução de um problema prático. Ele é bem mais evoluído que o anterior, mas ainda assim ele não procura saber o que gerou o fato observado em questão. Seu objetivo é apenas resolver um problema imediato. Podemos citar como exemplo no caso de uma empresa, quando se averígua que os problemas na linha de produção foram causados porque se esqueceu de acrescentar algum ingrediente.

Por fim temos o conhecimento científico cujo principal objetivo é descobrir as causas de um dado problema, ou seja, investigar um fato nas suas mais variadas formas a fim de estabelecer quais os princípios que permitiram ou levaram a ocorrência de um fato. Como exemplo e complementando o anterior, um pesquisador após verificar a ocorrência do problema analisaria todo o processo definindo regras a serem seguidas baseadas em padrões preestabelecidos.

Portanto o conjunto de conhecimentos científicos formam a Ciência. Seu objetivo é oferecer fundamentos sólidos para a evolução da humanidade de forma que os problemas sejam resolvidos e conhecimentos extensos e progressivos sejam adquiridos.

“O verdadeiro cientista contemporâneo é aquele que possui capacidade criativa para a geração de ideias a partir da percepção de problemas contextuais, utilizando o método científico nos procedimentos necessários à aquisição de novos conhecimentos destinados a solução destes problemas, visando a melhoria da qualidade de vida da humanidade.” (Dr. Carlos Fernando Jung – professor da UFRS)
Por mais bem desenvolvida que a Ciência esteja atualmente, ela sempre será sujeita a falhas. Primeiro existem coisas demasiadamente abstratas que a Ciência não poderia explicar, como o “amor”. Em outros casos o acesso a informação é limitado, portanto qualquer teoria não passa de hipóteses, muitas vezes aleatórias. Em outros casos, como a Teoria da Evolução, é simplemente impossível tentar prová-la por completo (eu particularmente diria que ela é parcialmente científica e parcialmente filosófica…). Em outros casos, pura e simplesmente pelo fato de os cientistas serem seres humanos e não máquinas, pode-se distorcer os fatos apenas para ganhar notoriedade. Na maioria das vezes é questão de tempo até que as fraudes sejam descobertas. Em outros casos pode levar séculos de discussões de cientistas que são completamente a favor ou contra algum fato. Portanto, devemos ter uma mente crítica e saber questionar qualquer fato apresentado. Se aceitarmos uma verdade científica sem questionar e entender, já não seria mais conhecimento científico e sim natural!

Como existem muitas ciências e elas interagem entre si, é necessário classificá-las. Mas não existe um método definido devido a complexidade. Poderíamos dizer genericamente que existem Ciências Exatas, fundamentadas em cálculos, como a Matemática e a Programação, as Ciências Biológicas, cujo objeto de estudo é a vida, as Ciências Sociais Aplicadas que estudam as interações humanas, como a Administração e Economia e as Ciências Sociais que estudam o ser humano, como a Filosofia.

Algumas Ciências na verdade não são Ciências, mas sim um agregado de fatos. A Psiquiatria é parte da Medicina e tem por objeto de estudo o cérebro. Já a Psicanálise estuda a mente, o que é totalmente abstrato e portanto não é passível de ser científico.

Mas, para que uma Ciência seja considerada Ciência, o que ela deve ter? Um metodologia de trabalho, conhecida como Método Científico. Seu objetivo é fornecer ao pesquisador uma estrutura definida de passos a serem seguidos a fim de que os resultados possam ser entendidos, replicados e aceitados por parte de outros pesquisadores.

É importante ressaltar que o Método Científico define a estrutura, mas não a forma e aparência. Portanto, organizações de normalização como a ISO e a ABNT definiram regras de estruturação e apresentação de trabalhos acadêmicos.

É importante ressaltar ainda que a maior parte das pesquisas no Brasil ainda é realizada em Universidades e Centros de Pesquisas. São poucas as empresas que empregam recursos de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Nas instituições de ensino existem projetos de pesquisa obrigatórios (Trabalhos de Conclusão de Curso) como as Monografias de Graduações e Pós-graduações Lato Sensu, as Dissertações de Mestrado e as Teses de Doutorado.

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