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Gabriel Mario Rodrigues2

Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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“Estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes.” (Klaus Schwab[1])

Alguns amigos dizem que exagero quando expresso as transformações educacionais que o momento exige das instituições de educação para oferecerem aprendizado compatível com a nova realidade do mundo do trabalho. O que penso realmente é como o ensino pode ser enormemente aprimorado com as novas tecnologias. Porque as evidências mostram como, a cada momento, há avanços na prestação de serviços em todas as áreas. Até no inimaginável aplicativo apresentado pelo Estadão para os pais agirem quando os bebês fizerem suas necessidades fisiológicas (saiba mais).

Não estamos sós, há inúmeros tratadistas, especialistas e gente do setor preocupada com os cenários da educação do futuro, pois é tema que passa transversalmente pela trabalhabilidade.

O grande desafio não é descobrir o futuro, mas sim como pavimentar a estrada para chegar até ele, exigência estratégica que passa por disponibilizar investimentos, tecnologias e formação profissional para garantir ao estudante aprender com mais eficiência. Entretanto, estão os professores preparados para assumir tal responsabilidade? Estão capacitados para aplicar em sala de aula ou fora dela os requisitos indispensáveis para pôr a Educação 4.0 no ar?

Segundo a professora Débora Garofalo, entusiasta da tecnologia educacional e colunista da revista Nova Escola:

a formação dos professores é essencial para acompanhar tamanha maré de desenvolvimento. As políticas públicas deverão dar suporte para que isso ocorra, repensando o processo educacional e permitindo que criatividade e inventividade invadam as salas de aula. Com a inclusão de ferramentas digitais, o poder público precisa entender a prática docente como uma atividade transformadora cujo papel é mediar o conhecimento”.

Acrescentaríamos: não há saída ou qualquer outra alternativa se não se mexer urgentemente na formação dos cursos de licenciaturas e pedagogia principalmente. Mesmo a implantação da BNCC para acontecer precisará de gente preparada para tornar-se realidade.

É preciso, para isso, que os docentes renovem suas práticas pedagógicas, estimulando múltiplas redes de aprendizagem e permitindo uma gama de associações e de significações entre a escola e a comunidade.

Anthony Salcito, vice-presidente mundial de educação da Microsoft, argumenta:

“A escola tem de estar pronta para lidar com alunos que assimilam o mundo de forma mais abrangente e para um mercado de trabalho que demanda novas habilidades. Os estudantes precisam ir para as salas de aula sem encontrar limites a suas habilidades e criatividade”.

Até pouco tempo tínhamos a sensação de que algumas tecnologias jamais sairiam do papel ou do plano da ficção. Mas hoje é comum ouvirmos sobre descobertas revolucionárias aplicadas não só ao dia a dia das empresas, mas que têm se mostrado promissoras dentro da proposta da Educação 4.0. Realidade Virtual e Aumentada[2], Internet das Coisas e Inteligência Artificial. O professor, que assume agora tem diferentes papéis – aprendiz, mediador, designer, orientador e pesquisador na busca de novas práticas –, também tem que dominar múltiplas plataformas e usar computadores, projetores de multimídias, quadros interativos, tablets, smartphones e outros equipamentos tecnológicos tanto no seu dia a dia para estudar, quanto no processo de interação dos conteúdos das aulas.

Para lidar com esse novo cenário, o preparo do professor é ainda mais importante para realmente revolucionar o ensino e preparar os cidadãos do século XXI.

Mas o que é a Educação 4.0 e quais são as principais habilidades que os professores precisam ter nesse novo contexto? Como atender às necessidades da Indústria 4.0, a tendência que automatiza totalmente a produção por meio da comunicação entre máquinas, sistemas e sensores e que promete revolucionar a manufatura?

Para Marta Relvas, doutora em Psicanálise e membro efetiva da Sociedade Brasileira de Neurociência e Comportamento, “a sala de aula passa a ser considerada o ambiente para aquisição dessas novas possibilidades tecnológicas, por meio das metodologias ativas e híbridas”.

O GutenBlog indica ao menos quatro habilidades que o professor precisará ter e com isso se preparar para ser agente dessa transformação:

  1. Desenvolvedor de competências
    O professor deixa de ser o especialista em determinado conteúdo para tornar-se um propulsor para o desenvolvimento de competências, usando metodologias ativas para conduzir os estudantes na busca de informações, geração de soluções e avaliação do trabalho realizado.
  2. Líder-pesquisador
    As salas de aula se tornam espaços para a construção de conhecimento, e o professor será um líder-pesquisador, que, ao lado dos alunos, engaja-se na busca de soluções para novos problemas.
  3. Usuário da tecnologia
    Inúmeras das soluções propostas pela escola 4.0 envolvem a tecnologia. Por essa razão, o professor desse modelo também deve dominar as ferramentas necessárias para as atividades e servir como um mediador para a execução dos projetos desenvolvidos pela turma.
  4. Promotor do bom convívio e da tolerância
    A Educação 4.0 não se restringe a uma visão tecnicista do ensino. Ela entende que a escola continua com um papel essencial na formação de cidadãos críticos, conscientes, tolerantes e colaborativos. Uma das formas de fazer isso é provocando-os a solucionarem problemas reais e contribuírem para o bem da sociedade. O educador também pode usar projetos colaborativos para promover a sociabilização, a capacidade de trabalhar em equipe e desenvolver a tolerância quanto a visões e comportamentos diferentes.

Temos um longo caminho a percorrer, capacitando primeiro docentes para em seguida capacitarmos os estudantes, provendo-lhes habilidades e competências inerentes às atividades/profissões do futuro.

O exemplo das fraldas pode ser insignificante nestes primórdios da Indústria 4.0 por parecer uma ideia inexpressiva, similar às mídias digitais quando usadas como diversão e entretenimento. Mas estamos entrando na era das grandes mentes e grandes ideias para usar a tecnologia na transformação do modo como educamos, alimentamos, transportamos, nos protegemos, criamos medicamentos e governamos.

E a base de todo o desenvolvimento é a educação aliada à tecnologia capaz de plasmar gênios e formar gente para criar um mundo melhor, mais igual e feliz.

 

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[1] Klaus Schwab, engenheiro e economista alemão, fundou em 1971 o European Symposium of Management, organizado em Davos, na Suíça, que se tornaria em 1987 o World Economic Forum. É autor do livro A Quarta Revolução Industrial, publicado em 2016 pela Edipro.

[2] Em 1995, quando Bill Gates publicou A Estrada do Futuro, as possibilidades descritas no livro pareciam utopia. O autor falava que o professor poderia, por meio da internet, trazer praticamente qualquer informação aos seus alunos com textos, vídeos e imagens da rede. Porém, estamos perto de vivenciar uma revolução ainda mais profunda: com a realidade virtual na sala de aula, será possível levar os estudantes até qualquer lugar do Universo, desde a microscópica célula até um planeta distante.
Realidade virtual é, assim, uma tecnologia que permite a imersão do usuário em um ambiente virtual, por meio de um sistema computacional. Equipamentos e sensores estimulam os sentidos do usuário, simulando diversas situações.
À medida que induz efeitos visuais, sonoros, táteis e sensações relacionadas à localização e posicionamento, o usuário experimenta uma imersão completa no ambiente simulado. Ele pode interagir ou não com os objetos presentes, dependendo da configuração do recurso.
Essa tecnologia já é usada no entretenimento há algum tempo, tendo um papel cada vez mais destacado no mercado de games. A título de exemplo, temos as montanhas-russas virtuais. O usuário pode, por meio de um dispositivo, ter as mesmas sensações de alguém que está no parque de diversões, mesmo que fique sentado em um banco convencional. www.gutennews.com.br

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