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Antônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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Deu ibope, não deu ibope. A maior autoridade do mundo de hoje se chama Mercado. No Brasil, seu principal coadjuvante tem seu nome marcado por uma sigla: Ibope. Seus ministros se chamam marqueteiros. Tudo passa pelo crivo do ibope, não no sentido propriamente de Instituto Brasileiro de Opinião Pública, mas de referência mercadológica, muitas vezes independentemente de qualidade ou de referência ética.

Novela, se não tem audiência, está sem ibope. Assim, por metonímia, numa figura de linguagem usamos o índice calculado pelo Ibope, intimamente relacionado com o grau de penetração da mensagem, como designativo de prestígio, notadamente prestígio popular. Emissoras de televisão chegam a se manifestar ostensivamente a partir do seu índice de audiência.

Em época de eleições, o ibope dos candidatos aumenta ou diminui conforme o resultado das últimas pesquisas. E em geral vale tudo. Vale abraçar e beijar criancinhas, dar autógrafo, criticar o adversário, fazer promessas, muitas promessas. Além da maquiagem na própria personalidade, passa-se por uma maquiagem antes de um programa de televisão. Cartazes de candidatos disputam espaço com os pichadores profissionais. Se eleito for… tudo se transformará. Multiplicam-se os slogans de campanha baseados na competência e na honestidade, valores que ninguém nega na teoria, mas, uma vez no poder, tudo passa a ser devido de acordo com as leis aprovadas pelos dominantes em proveito próprio.

Jogador de futebol que esteja se sobressaindo, num primeiro momento é porque estava com a bola toda em campo. Logo, logo, é contratado para fazer propaganda, passando às vezes a ganhar mais como garoto-propaganda que como profissional.

O ibope serve ao povo o ópio do consumo. Nossas escolas se dizem, todas elas, excelentes. Faz-se até marketing religioso madrugada adentro. Quem dita a moda é o ibope, com inicial minúscula, decorrente ou não do Ibope com inicial maiúscula. Ah, quanto alucinógeno!

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