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Celso Niskier
Diretor presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)
Reitor do Centro Universitário UniCarioca
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Participar semanalmente do E por falar em educação, o podcast da ABMES, tem sido uma grande oportunidade de aprendizado. Aprendizado, aliás, foi o fio condutor da conversa que tivemos na edição de número 14, cujo tema foi inteligência artificial. Aprendizado de máquinas, mas, sobretudo, aprendizado de gente.

Se por um lado ainda não podemos prever os rumos que a inteligência artificial irá tomar, incluindo se ela será capaz de substituir o ser humano, por outro vivemos uma realidade já impactada por seu potencial e desdobramentos. Ela está presente na ferramenta de streaming que utilizamos nos momentos de lazer, nos resultados das nossas buscas on-line e nas assistentes virtuais, por exemplo.

Ainda que de forma tímida, a inteligência artificial tem começado a ganhar corpo também em um espaço estratégico na sociedade do século 21: a educação. Além de modelos preditivos capazes de identificar alunos em risco de abandono e robôs habilitados para esclarecer dúvidas, ela é capaz de moldar o ensino de acordo com o conhecimento e as particularidades de cada aluno, resultando em uma educação cada vez mais inclusiva.

Ao contrário do que uma pequena corrente desorientada quer fazer parecer, a inteligência artificial aplicada à educação não veio para substituir o professor. Na verdade, ela dá ainda mais relevância a esse profissional enquanto mediador do conhecimento. Sim, há uma disruptura cultural em andamento. Na sociedade moderna, não há mais espaço para o docente que só detém e transmite o conhecimento. Hoje, a informação está a um clique do aluno. E a revolução educacional precisa ser estabelecida a partir dessa nova base.

O fato é que a inteligência artificial veio para enriquecer o trabalho do professor, para dar mais instrumentos para que ele compreenda o seu aluno. Veio para que o docente exerça melhor a sua missão. O que ela vai substituir são as tarefas repetitivas, tornando o trabalho do educador mais eficiente e o processo de ensino-aprendizagem mais alinhado às demandas do século 21.

Essa transformação já está em curso e faz parte da realidade de instituições como as que integram o Grupo Ser Educacional. Como explicou durante o podcast o diretor executivo de serviços e líder de transformação digital do grupo, Joaldo Diniz, a mudança prevista para acontecer ao longo de três anos foi efetivada em quatro meses devido às medidas de distanciamento social impostas pela pandemia de Covid-19.

Para além da iniciativa de cada instituição, contudo, essa nova estrutura educacional demanda professores formados e alinhados com a inteligência artificial enquanto facilitadora do ensino. Atentas a isso, como bem lembrou a diretora de educação da Microsoft Brasil, Vera Cabral, a empresa e a ABMES estão atuando junto às instituições de educação superior para a inclusão de uma disciplina específica sobre inteligência artificial nos cursos de licenciatura, fazendo com que os futuros professores se apropriem dessa nova realidade ainda no seu processo de formação profissional.

Se no futuro o quadro-negro vai conversar com a gente, se teremos um laboratório em realidade virtual dentro das nossas casas ou se os livros didáticos terão QR Codes com links para conteúdos adicionais ainda não sabemos. Por ora, as únicas certezas são a de que a inteligência artificial é um caminho sem volta e a de que não há tecnologia capaz de superar o elo existente entre um professor e seus alunos.

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