Júlio César de Castro Ferreira
Psicoterapeuta, coach, psicopedagogo e educador
Fundador e diretor da Woke Mind
***

Durante este período de quarentena coletiva devido à pandemia do novo coronavírus, muito tem se falado sobre saúde mental e da importância dos cuidados necessários para o enfrentamento deste difícil momento. Assuntos que, sem dúvida, são muito importantes diante deste cenário.

De fato, esta reclusão é emocionalmente desafiadora para uma grande parte das pessoas, o que pode ser constatado pelos vídeos, lives e publicações nas redes sociais, expressando todo o desconforto em relação a esta situação. Neste caso, não estamos falando de nenhum tipo de transtorno psicológico grave, mas sim de estados emocionais comuns como ansiedade, tristeza, raiva, mal humor e impaciência, que quando estão fora de controle, geram resultados bastante ruins. Entre eles, podemos citar a somatização de doenças, ganho de peso e problemas nos relacionamentos.

Mas porque esses transtornos acontecem? A causa é a mesma para todo mundo? Bem, considerando que as pessoas possuem temperamentos e personalidades bem distintas, são diversos os motivos que podem levar aos problemas emocionais durante um isolamento deliberado. A simples mudança de hábito já é mais do que suficiente para gerar desconforto emocional em uma grande parte da população e, além disso, existe uma enorme variação de causas, sendo algumas até bem graves. Mas neste artigo vamos definir as mais básicas, para que seja possível compreender melhor essa situação e como lidar com ela.

As três mais simples e mais comuns são a solidão, o tédio e a ansiedade. No primeiro caso, em geral são pessoas que moram sozinhas, seja qual for o motivo pessoal, que em um isolamento mais prolongado sentem muita falta do contato direto com outras pessoas, uma necessidade natural de nossa espécie.  No segundo caso, o tédio acontece quando não foi possível o estabelecimento de uma nova rotina, que preencha todo o tempo, incluindo meios para entretenimento/diversão, afinal de contas a vida não é só trabalho e disciplina. E no terceiro, quando o indivíduo se permite um envolvimento muito maior do que deveria, com o clima de medo e insegurança sobre o futuro.

Outra situação que pode levar uma pessoa a sérios desconfortos emocionais é quando existe um hábito muito forte, que não pode ser suprido em casa. Por exemplo, ir duas vezes na semana ao bar, com alguns amigos, fazer compras, visitar ou receber os parentes amados, além de muitos outros. Neste caso, será comum que essa pessoa sinta muita ansiedade além de uma forte variação de humor, podendo chegar a sérias crises de abstinência.

Também existem os casos de distanciamento entre pessoas que dependem afetivamente uma da outra, ou quando apenas uma delas é dependente. Ou seja, o afeto é uma necessidade inata humana, e neste caso, não é incomum quando alguém direciona toda a sua “carência afetiva” para uma pessoa específica. Sendo assim, a impossibilidade de um contato próximo com essa “fonte afetiva”, pode levar a sérias variações de humor e até dor emocional.

O estresse também pode estar bem presente, neste cenário indefinido, especialmente para aqueles que vivem de negócios dependentes do contato com o público, mas que não podem funcionar. O medo de perder o emprego ou o próprio negócio é um dos fortes medos que pairam na mente de muitas pessoas. Além disso, a pressão fica ainda maior para os pais que precisam lidar com filhos pequenos 24 horas por dia. Irritação, mal humor e impaciência são estados emocionais comuns, para quem não consegue lidar com “a montanha russa emocional” gerada por essa situação.

A partir desses cenários que exigem a gestão de nossas próprias emoções, é possível que a “inteligência emocional” (Dr. Daniel Colleman), modelo socioemocional mundialmente conhecido e reconhecido, possa ajudar quem passa por esses desconfortos?

Essa resposta, assim como o detalhamento dela, acontecerão na segunda parte deste artigo, que será publicada em breve. Até lá!

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5 Respostas para “Inteligência Emocional aplicada à quarentena – Parte 1”

  • Eduardo Rosas says:

    Muitíssimo obrigado pelo artigo e por ser este que em reflexão – e exposição dos pensares/projeções – existe e engendra ações, valeu Júlio!

    A reflexão em tela me proporcionou situar o quanto percebo no movimento e na estática!
    Legal notar que doutro lugar, do agora, colaboro na parte que me cabe!
    Com a certeza de que tocas diversas pessoas, aflitas ou serenas ou pávidas, num sereno transitar – reforço que tuas palavras são como sempre bem-vindas!
    Abraço e boas atividades.

     
  • Sônia Machado says:

    Adorei seu artigo. Excelente! Obrigada por compartilhar.

     
  • Frans Leeuwenberg says:

    Interessante Júlio, bom iniciativa. Parece estranho, mas até aqui no interiorzao, tem estes tensões e insegurança. Felizmente têm um movimento civil ativo. Aguardo próxima. Abraço

     
  • Daniela says:

    Ótimo!!

     
  • Victor Fred Vervloet says:

    Boa tarde, gostei do artigo estou aguardando o próximo.
    Obrigado

     

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