Sergio BoggioSérgio Américo Boggio*
Diretor de Tecnologia Educacional do Colégio Bandeirantes
Diretor Geral da Faculdade de Tecnologia BandTec
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Com o advento da internet na sua forma web, a informação se tornou altamente disponível, fazendo com que a importância do conhecimento acadêmico desse espaço para outras habilidades, tais como: pensamento crítico, criatividade na solução de problemas, comunicação, colaboração e inovação.

Um estudo publicado na Psychological Science, um jornal da Association for Psychological Science, conduzido pelo pesquisador David Lubinski e seus colegas na Universidade de Vanderbilt, mostra a correlação entre o desenvolvimento da habilidade espacial e a criatividade.

A habilidade espacial desempenha um papel único na assimilação do conhecimento pré-existente e no desenvolvimento de novos conhecimentos. Sem esta aptidão, o apoio psicológico ao pensamento criativo e inovador fica abaixo do ideal.

Esta capacidade é desenvolvida em atividades concretas (John Dewey: 1859-1952) e pela incorporação de novas ideias sobre as já existentes (David Paul Ausubel: 1918-2008). Segundo eles, o espaço onde o aluno estuda tem de ser estimulante: sala de aula com recursos multimídia com acesso a internet, ateliê, laboratórios, oficinas, museus, teatros, shoppings, redes sociais e na própria residência, com atividades propostas que despertem curiosidade, que sejam possíveis de realizar e interativas para manter a atenção.

Nessa linha de pensamento, diversas instituições de ensino vêm trabalhando os espaços STEAM – Science, Technology, Engineering, the Arts and Math.  Estes locais são oficinas onde os estudantes se envolvem em soluções de problemas reais de forma multidisciplinar. Os alunos envolvidos nesses ambientes se tornam mais criativos e colaboradores, características importantíssimas no mundo atual.

Com as atividades desenvolvidas nessas oficinas, os educandos aprendem a planejar, exercitam a tentativa e erro, a colaboração e a perseverança, lições muito úteis, independentemente da carreira que venham a seguir. Na educação tradicional, quando punimos o erro, tolhemos a criatividade. Não se propõe aqui ignorar o erro, mas estimular o estudante a reconhecê-lo e utilizá-lo como aprendizado.

A preocupação atual em formar este novo tipo de jovem se deve ao fato que grande parte deles trabalhará em “empregos” que ainda não foram inventados. Quanto mais opções estas oficinas oferecerem, mais personalizado se tornará este ambiente, permitindo ao estudante optar por áreas de seu maior interesse.

Neste “ensino personalizado” deve-se ter um currículo mínimo comum a todos e um conjunto de atividades eletivas onde o aluno, após optar por elas, deverá cumprir metas e ser avaliado. Esta proposta que se contrapõe ao modelo “industrial” (linha de montagem) do ensino tradicional começa a ser possível devido à tecnologia da informação e a comunicação estarem cada vez mais disponíveis no ambiente escolar e doméstico.

Através de ferramentas computacionais, os professores conseguem, com maior rapidez, identificar os pontos fortes e fracos de cada um de seus estudantes, permitindo a personalização da educação. Isto não significa que o aluno estudará sozinho, mas sim em grupos com demandas e interesses semelhantes, num trabalho altamente colaborativo. Para estimular essa interação, os docentes devem propor projetos onde os alunos tenham de resolver problemas reais aplicando os seus conhecimentos.  Desafio, cotidiano e realidade são palavras-chave em qualquer proposta de trabalho.

Antes do “WWW” (World Wide Web) o aprendizado ocorria principalmente nas escolas e bibliotecas e um pouco através dos outros meios de comunicação. Estes meios, tais como jornais, revistas, rádio, cinema, televisão, correios etc., são lentos e pouco interativos.

A web trouxe velocidade e interatividade, criando uma conexão global. Esta mudança tecnológica impactou com as clássicas teorias da educação, sem destruí-las, mas agregando uma nova característica: conectividade.

Num contexto de conectivismo e REA (Recursos Educacionais Abertos) surgem os MOOCs (Massive Open Online Course) ou Curso Online Aberto e Massivo, disponibilizados na Web. Estes geralmente são cursos gratuitos, abertos para qualquer público, normalmente sem pré-requisitos e sem certificado de conclusão do curso. Existem instituições de ensino que o utilizam e no final, com uma avaliação normalmente presencial, entregam um certificado.

Como a proposta dos MOOCs é ser massivo, ou seja, atingir uma grande quantidade de estudantes, tem-se de ter o cuidado de na montagem do curso gerar procedimentos automáticos e de dar um retorno ao aluno sobre como ele está se desempenhando e alternativas para melhor entendimento do tópico onde foi mal avaliado. Ao mesmo tempo, é necessário ter recursos para que os professores desenvolvedores consigam monitorar o uso e possam corrigir eventuais falhas, além de fornecer orientações globais aos estudantes.

Enfim, temos muitas opções e cabe a nós educadores buscarmos junto com nossos alunos as melhores práticas pedagógicas, sem medo de errar.

 

* será moderador no painel:O Futuro da Educação – quais são os aprendizados dos MOOCs e do ensino personalizado?” no III Fórum de Inovação Educacional do GEduc 2014. O evento acontecerá nos dias 26, 27 e 28 de março de 2014, no Hotel Maksoud Plaza, em São Paulo/SP. Para mais informações, acesse: www.humus.com.br/geduc ou entre em contato com a Central de Atendimento: (11) 5535-1397 / humus@humus.com.br.

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