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Aberto Costa
Senior Assessment Manager de Cambridge Assessment English, departamento da Universidade de Cambridge especializado em certificação internacional de língua inglesa e preparo de professores
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Nos meus dois artigos anteriores produzidos para a ABMES falei a respeito dos primeiros passos para a internacionalização da educação superior e também a respeito dos cases de fora do Brasil e quais lições poderíamos tirar a partir deles (os materiais estão disponíveis aqui e aqui). Agora é chegado o momento de voltarmos o olhar para nós e de falar a respeito do nosso país e das iniciativas que mais se destacam localmente nesse contexto.

Apesar de ser um movimento que cresce a passos lentos, o Brasil já tem alguns bons exemplos de processos bem sucedidos de internacionalização em suas universidades. Um estudo feito pelo British Council em 2018 apontou que, das 84 universidades entrevistadas, 86% delas declarou uma oferta existente de cursos, programas ou atividades adicionais oferecidas em inglês ou ao menos um plano claro de implementação para o segundo semestre de 2018 ou primeiro semestre de 2019. Esses dados mostram um crescimento expressivo ao ser comparado com os resultados de 2016, quando apenas 50% das instituições ouvidas para o mesmo levantamento indicaram ter qualquer tipo de oferta relacionada à internacionalização.

As universidades brasileiras, além de ministrar as aulas na língua inglesa, também contam com um corpo docente e discente composto em parte por estrangeiros, para fazer com que haja uma troca de culturas e uma abertura maior para o intercâmbio acadêmico, além do aprendizado obrigatório de cada disciplina. Instituições como a Universidade de São Paulo (USP), a Pontifícia Universidade Católica (PUCRS), a Universidade Federal do ABC (UFABC), a Fundação Getulio Vargas (FGV), a Fundação Instituto de Administração (FIA) e a Unievangélica são exemplos de organizações que já aderiram aos moldes da internacionalização.

E o avanço de todas elas é cada vez mais evidente. A Unievangélica, que fica no interior de Goiás, é um case que se destaca. Com um projeto que foi iniciado em 2014, o retorno já é muito expressivo: a universidade tem parceria com outras instituições espalhadas nos cinco continentes e em mais de 50 países. Além disso, são dezenas de estudantes estrangeiros que vão todos os anos estudar no centro universitário, e para receber os novos alunos, os professores passam por treinamentos e minicursos.

Uma das iniciativas que mais se sobressai dentro da universidade é o programa de pesquisas cojuntas. Entre todas elas, duas em específico se evidenciam: uma em que professores e alunos de agronomia trabalham em conjunto com colegas portugueses da Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro para pesquisar quais substratos são menos agressivos ao meio ambiente para o plantio de soja e feijão; e outra em que brasileiros e estudantes da Universidade da Colômbia buscam maneiras de aproveitar melhor as toneladas de pneus velhos que são descartados anualmente em centros urbanos.

O movimento que a PUCRS fez para aderir à internacionalização também pode ser um ótimo guia para as instituições que estão iniciando o processo. Seu Projeto Institucional de Internacionalização (PUCRS-PrInt) é destaque nas publicações a respeito do tema e a universidade tem parceria com países como Austrália, Áustria, Bélgica e China. Além disso, eles criaram um portal com o objetivo de comunicar as boas práticas da área internacional para o público interno da instituição, o PUCRS International.

Ainda na região Sul, há um intenso exercício por parte da Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná para a consolidação do processo de internacionalização das universidades estaduais (UEL, UEM, UEPG, UNIOESTE, UNICENTRO, UENP e UNESPAR). Uma das ações que integra esse plano é o programa Paraná Fala Idiomas, que visa estimular ações diretas e intensivas em rede no contexto universitário, que contribuam para a execução de programas de mobilidade internacional, capacitando estudantes, professores e agentes universitários em língua estrangeira.

Dentro dele, uma das segmentações é o Paraná Fala Inglês, que atualmente integra uma pesquisa conjunta entre a Professora Eliane Registro, da Universidade Estadual do Norte do Paraná, e Cambridge English, com financiamento do British Council e da Fundação Araucária, em torno da temática capacitação em EMI (inglês como meio de instrução) para professores universitários: uma ferramenta potencial para a internacionalização. Nele, um grupo inicial de 14 profissionais que atuam em diversas áreas do conhecimento foi selecionado para passar por um curso on-line promovido por Cambridge English, com atividades práticas e escaláveis, para que eles desenvolvam não apenas o seu nível de inglês, mas que também aprimorem as metodologias para transmitirem seus conhecimentos (dentro das suas próprias disciplinas) na língua inglesa. A ideia é que eles passem a oferecer, após a capacitação, disciplinas em inglês e também que repliquem o conhecimento para os outros docentes em uma rede de conhecimento que tomará escala com o passar do tempo.

Apesar de lento, esse é um processo que em algum momento as instituições precisarão olhar com mais profundidade e aquelas que saem na vanguarda deixam ensinamentos e inspirações valiosos para que cada vez mais esse seja um movimento democrático e escalável na educação brasileira.

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