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Antonio OliveiraAntônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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A figura de pai é tão marcante que se diz pai de magistral ideia, pai dos pobres, pai dos enfermos, pai João, pai Tomás… Também tristemente se diz que o ódio é o pai de muitos crimes. Mas tudo isso são palavras. Mais vale sentir-se pai.

Se, numa dessas entrevistas de lugares-comuns, clichês de mídia, alguém me perguntasse quando mais me senti pai, eu lembraria duas situações.

Isabela, então com onze anos, escorregou no piso molhado e fraturou uma perna. Horas depois, olhei para a perna engessada e, sinceramente, preferi estar no lugar de minha filha. Por que justamente ela? Por que não eu? Naquela hora me senti pai.

Maurício, ainda adolescente, insistia em sair de carro, uma noite, mesmo sem habilitação. Criado o impasse, botei a chave em cima da mesa, com o coração na mão, ante o desafio de ele apanhá-la ou não para sair a dirigir, concordando comigo ou de mim discordando. Um minuto de suspense. Ele abaixou os olhos, não tocou na chave do carro e, amuado, retirou-se para o quarto resmungando: – Pai, você é foda! Guardo com carinho esse apelativo foda como “ouro acrisolado no fogo”, na expressão do Livro do Apocalipse. De repente, uma expressão vulgar, um disfemismo, se transforma num eufemismo. Magia, feitiço do discurso: pai é foda…

Dia dos Pais faz pensar no bônus e no ônus de ser pai. Pai, eu? O registro civil o atesta; a vida, mais que o registro… Pai, palavra forte. Paternidade, quintessência da criação. “Assunto decerto prestadio a declamações”, diria Machado de Assis, mas isso eu deixo para os declamadores. Fico apenas, e é o bastante, no dito de Goethe, em Fausto, famoso na pena de Freud: “Aquilo que herdaste de teu pai, conquista-o para fazê-lo teu”. Mia Couto resume meu pensamento: “A mãe é eterna, o pai é imortal”. Amor, amor verdadeiro, se sabe e se demonstra, mais se demonstra que se sabe. Constrói-se e se reconstrói sobre a rocha. Mas não é monolítico.

Feliz Dia dos Pais!…

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