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Janguiê Diniz*
Diretor presidente da ABMES
Reitor da UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau

Fundador e Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional
***

A corrupção é, de longe, uma das piores “doenças” que afetam a sociedade. Assim como um câncer, pode se espalhar por diversos setores de qualquer país. Por vezes, seus efeitos não são sentidos imediatamente, mas é certo que os custos chegam no longo prazo, com reflexos sobre o fornecimento e a qualidade de serviços públicos essenciais.

Dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes indicam que o dinheiro gasto anualmente com corrupção no mundo poderia alimentar oitenta vezes a população faminta. Propinas e roubos aumentam em 40% o custo de projetos para oferecer água potável e saneamento em todo o mundo – porque sim, até em áreas como essas, tão sensíveis, há quem consiga roubar.

É certo que a corrupção sempre existiu, afetando negativamente as políticas públicas e o crescimento econômico do país. O que varia são as consequências – para o corrupto e para a sociedade em que ele vive. Pesquisa divulgada em abril de 2018, intitulada “Retratos da Sociedade Brasileira – Educação Básica”, mostrou que a população vê uma relação direta entre a baixa qualidade do sistema educacional nacional com a corrupção. Segundo o estudo, 60% dos brasileiros apontam o baixo nível educacional como causa da corrupção. Essa visão é mais forte na faixa etária jovem, dos 16 aos 24 anos – nesse grupo, 70% dos entrevistados fez a correlação entre falta de educação e corrupção.

Já segundo análise de 2017 da ONG Transparência Internacional sobre o Índice de Percepção da Corrupção, que classifica os países com base em quão corrupto seu setor público é percebido, o Brasil ficou no 96º lugar dos 180 países avaliados, empatado com países como Colômbia e Zâmbia. A pontuação indica o nível de percepção da corrupção em uma escala de 0 a 100, em que quanto mais baixo o número, mais o país é percebido como corrupto. O Brasil recebeu nota 37 no ranking, que teve Nova Zelândia, Dinamarca e Finlândia como os menos corruptos.

Há uma clara relação entre desigualdade e corrupção. Nas sociedades mais desiguais, é possível notar um nível maior de corrupção; enquanto que as nações mais igualitárias sofrem menos com esse mal. A Finlândia, por exemplo, possui alguns dos melhores índices de qualidade de vida, educação pública, transparência política, segurança pública, expectativa de vida, bem-estar social, liberdade econômica, prosperidade, acesso à saúde pública, paz, democracia e liberdade de imprensa do mundo. As cidades do país também estão entre as mais habitáveis do mundo, figurando entre as mais limpas, seguras e organizadas.

Voltando à corrupção, agora focando no setor de educação, ela é capaz de limitar a acumulação de capital humano e, a longo prazo, afetar todo o desenvolvimento da sociedade. O único meio conhecidamente efetivo de vencer defeitos e falhas humanas é a educação. Educar com vistas ao respeito; para que nos encaremos com igualdade, fraternidade e solidariedade. E tem que ser um processo contínuo. O resultado só virá com décadas de trabalho e esforço coletivo em prol da mudança de nossa situação atual, que não é nada animadora.

Quando algo afeta a educação de uma nação, tudo pode ser posto em cheque. Só o conhecimento nos liberta a pensar e poder gerar um debate sadio para alcançar formas de avançar. A educação é arma poderosa contra a corrupção. Só ela tem força de mudança e renovação.

É indispensável que haja investimentos sociais para mudar a realidade educacional atual do país. Para termos, de verdade, um País sério, a educação tem que ser prioridade, pois ela é a mola propulsora da cidadania. É um valor inestimável, que engrandece o homem, como ser empreendedor da economia, como ser beneficiário e benfeitor da sociedade.

É por todos esses fatores que não se pode dissociar a educação da corrupção. Uma é inversamente proporcional à outra. O Índice de Percepção de Corrupção Mundial é claro ao mostrar que os países com menores índices de educação e igualdade tendem a ter maiores taxas de corrupção. Além disso, tudo o que é construído culturalmente e não é da condição humana, como a corrupção, pode ser desconstruído. Essa é uma das missões mais importantes da educação.


* Janguiê Diniz participa como presidente do Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular do XI Congresso Brasileiro da Educação Superior Particular, em Comandatuba/BA,  entre os dias 7 e 9 de junho. Ele coordena a Conferência de Abertura – “O papel da educação no combate à corrupção”. Na ocasião, lançará o livro “Falta de educação gera corrupção“, de sua autoria.

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