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Ernandes Rodrigues do Nascimento[1]
Karla Karina de Oliveira[2]
Luciana Correia Barbosa[3]
Thyago Douglas Mendes de Almeida[4]
***

Nas últimas décadas, as tecnologias digitais de informação e comunicação (TDIC) evoluíram o suficiente para criar uma ruptura social, política, cultural, econômica, etc. Os recursos digitais se tornaram mais potentes e menores em tamanhos, tais como os smartphones; a internet se tornou móvel e de alta velocidade; os jogos eletrônicos se reinventaram; a produção de imagens e vídeos deixou de ser apenas um produto de profissionais e virou uma atividade rotineira da população.

Essas mudanças impactaram em todas as áreas profissionais, inclusive na educação. A maneira de se estudar e aprender mudou, como já dizia Paulo Freire (1974), o aluno não é um ser passivo, mas construtor da sua própria aprendizagem, precisando tão somente de incentivo para desenvolver a sua autonomia. Ao mesmo tempo, Freire (1974) também descreve o papel do professor, o qual deixa de ser o detentor do conhecimento e se torna um guia, um tutor, o qual orientará o estudante em sua jornada.

O aluno não é mais o mesmo, deseja aulas mais motivadoras e possibilidades de aprender fazendo (BACICH; MORAN, 2018; BACICH; NETO; TRVISANI, 2015). E o professor, sobretudo do ensino superior, ainda não está preparado para atender a essa demanda (PADILHA, 2018), resultando em insatisfação entre os alunos, os professores e a IES, o que nos leva à inquietação: Como se sentem os estudantes do ensino superior ao experienciarem aulas orientadas pelas metodologias ativas?

Os resultados aqui apresentados é uma síntese de uma pesquisa maior, a partir da qual elaboramos um artigo e o apresentamos no XIV Congresso Internacional de Tecnologia na Educação em 2016.

Partindo da observação dos pesquisadores, estudar por meio de rotação por estações, aula invertida e aprendizagem por problemas causou estranhamento aos alunos, pois eles nunca tinham vivenciado um curso por meio do ensino híbrido – conjunto métodos ativos de ensino e aprendizagem (HORN; STAKER, 2015), muito menos com a integração das TDIC, ainda que na prática os alunos usassem no seu cotidiano alguns dos recursos tecnológicos digitais (WhatsApp, Google Docs, etc.), eles utilizavam por necessidade e sem um guia (professor, tutor), tampouco uma situação didática que lhes promovessem aprendizagens significativas.

Os pesquisadores perceberam que, antes das apresentações, os grupos estavam ansiosos, preocupados, tensos, principalmente por causa de uma banca de professores que avaliariam as suas exposições. Mas, após as explanações e orientações dessa banca, percebia-se em suas fisionomias uma sensação de alívio, de uma meta atingida, de mais um desafio cumprido. A percepção dos pesquisadores em relação ao que foi observado pode ser reforçada pelos registros de aprendizagem dos discentes: “De como seria as apresentações dos grupos de hoje, quem seria as professoras e quais perguntas seriam feitas aos grupos” (Sujeito A); “Como seria o desenvolvimento do projeto que apresentado à turma no primeiro encontro” (Sujeito B); “Grande expectativa porque corremos muito e o tempo foi curto. Porém através dos recursos modernos tipo whatsapp, e-mail, pesquisamos bastante com união da equipe” (Sujeito C); “Estava bastante ansiosa para ver a apresentação do planejamento estratégico e o de marketing, pois o nosso conteúdo depende desses dados” (sujeito D); “De satisfação, gostei muito das apresentações e me ajudou muito a pensar como será a minha” (Sujeito E). “A turma em si, “vestiu a camisa” do projeto e teve um desenvolvimento eficiente” (Sujeito F); “Sentimento de realização, pois estou aprendendo na pratica as dificuldades do dia a dia” (Sujeito G); “Um sentimento de dever cumprido, de ter contribuído para o andamento do projeto e poder orientar as demais áreas” (Sujeito H); “Foi muito bom ver que as nossas ideias e projetos estão tomando forma, e aos poucos a empresa esta saindo do papel” (Sujeito I).

O curso de extensão desenvolvido a partir das metodologias ativas, especialmente por utilizar o ensino híbrido, possibilitou que 23 alunos do curso de administração da Faculdade Imaculada Conceição do Recife (FICR) vivenciassem experiências únicas, enriquecedoras para a sua formação e permitindo-os perceber que é possível aprender de forma diferente, inovadora, disruptiva, como ler as teorias e os conceitos fora do ambiente educacional tradicional e trazer para sala de aula as suas dúvidas, os seus projetos, as suas apresentações.

Os estudantes se sentiram motivados o tempo todo, ajudando uns aos outros de forma colaborativa, buscando conhecimento além das fronteiras da sala de aula, desafiando-se em aprender a partir da prática e utilizando ativamente os recursos tecnológicos. Mesmo angustiados por experimentarem uma nova maneira de aprender, eles queriam testar algo diferente da sua rotina de sala de aula.

 

Referências:

BACICH, L. MORAN, J. Metodologias ativas para uma educação inovadora. Porto Alegre: Penso, 2018.

BACICH, L. NETO, A. T. TREVISANI, F. M. Ensino Híbrido: Personalização e tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1974.

GEMIGNANI, Elizabeth Yu Me Yut. Formação de professores e metodologias ativas de ensino-aprendizagem: ensinar para a compreensão. In: Fronteiras da Educação, Recife, v. 1, n. 2, dez. 2013. ISSN 2237-9703. Disponível em: <http://www.fronteirasdaeducacao.org/index.php/fronteiras/article/view/14>. Acesso em: 10 Mai. 2016.

HORN, M. B. STAKER, H. Blended: Usando a inovação disruptiva para aprimorar a educação. Porto Alegre: Penso, 2015.

PADILHA, Maria Auxiliadora Soares. Inclusão Digital como Direito Humano: a escola, seus sujeitos, seus direitos. In: Debates em Educação. Vol. 10, Nº 22, Set/Dez, 2018.

 

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[1] Doutorando em Educação Matemática e Tecnológica (UFPE). Mestre em Administração (UFPE), Mestre em Educação (ULE), Especialista em Formação Docente para Atuação em EAD (ESAB), Bacharel em Administração (FACIG). Diretor Acadêmico na Faculdade Imaculada Conceição do Recife. E-mail: ernandesrn@gmail.com

[2] Doutoranda em Gestão de Empresas (Universidade de Coimbra). Mestre em Administração (UFPE), Especialista em Administração de Marketing (FCAP/UPE), Bacharel em Administração (Fac. Marista). Profa. Universitária no Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM – Porto – Portugal). E-mail: kkoliveira384@gmail.com

[3] Mestre em Administração (UFPE), Especialista em Gestão de Pessoas (FAFIRE), Bacharel em Administração (FACIG). Analista de Técnica e Gestora de Projeto da Unidade de Relacionamento com Clientes e Atendimento no SEBRAE/PE. Tutora dos Cursos Tecnólogos em Gestão e Licenciatura em Administração da Universidade Anhanguera. E-mail: lucianabarbosacorreira@yahoo.com.br

[4] Estudante no Curso Superior de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (FICR). Bacharel em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda (UNINABUCO). Webdesigner na Revista Será. E-mail: thymendes@gmail.com

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