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Gabriel Mario Rodrigues2

Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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A criatividade e a inovação são a força de ação dos empreendedores. Mas nada acontece se eles não pensaram antes em quem vai transformar os sonhos em realidade. Se não tiver gente capaz, nada sairá do papel. (Adaptado de Peter Diamandis)

Alexandre Moreno, diretor de Serviços na empresa Mercado Eletrônico, tem abordado em seus artigos publicados no site E-Commerce News pontos interessantes sobre as novas tecnologias que geram reflexão não somente sobre o comércio eletrônico, mas que podem ser aplicadas a diversos setores do mundo atual. Se antes tínhamos a sensação de que a tecnologia avançava lentamente, hoje percebemos que, a cada ano, temos uma novidade anunciada e que devemos considerá-la rapidamente, se quisermos continuar competindo.

Moreno ressalta que o mercado atual exige que sejamos capazes de nos preparar para o que está por vir, nos projetando para o amanhã e prevendo situações. Com a concorrência cada vez mais acirrada, despontarão as organizações e realidades que adotam ideias avançadas, capazes de desenvolver soluções pelo menos dez vezes melhores, mais rápidas e de menor custo que o das empresas concorrentes.

Nesse contexto, o pensamento exponencial, segundo Moreno, pode transformar os processos, pois, em um mercado em constante transformação tecnológica, empresas devem antecipar soluções e preparar seus colaboradores para que vivenciem esse novo cenário a fim de manterem-se atualizadas.

Antes o ser humano era o ponto principal nessa transformação; hoje a tecnologia ganha força e passa a criar novos conceitos, ficando lado-a-lado do profissional humano. Vale lembrar que o conceito de crescimento exponencial pode ser utilizado para entendermos tal evolução: o pensamento explica que a curva da evolução tecnológica não é linear, uma vez que sua capacidade e potência dobram a cada 12/24 meses, enquanto o valor de produção e comercialização continuam os mesmos.

Com isso pode-se entender que o recado foi muito bem dado ao nosso público-alvo, que é o responsável por preparar todo o capital humano capaz de enfrentar o desafio: as instituições de educação superior. Elas precisam, cada vez mais, dar solução, aplicabilidade, efetividade no fazer. Os estudantes precisam aprender a executar.

Uma ótima colaboração surge com a participação de Peter Diamandis[1], já citado por mim em outros artigos. Um guru quando o assunto é Singularidade, Futuro e Inteligência Artificial. Como ele domina muito bem o tema, desenvolveu um modelo do crescimento que pode ser aplicado para aperfeiçoar os processos. Nesse foco, ele traz os seus 6 Ds:

  • Digitalização – Ter uma tecnologia incorporada ou desenvolvida exclusivamente para algum negócio faz parte de qualquer empresa. Por exemplo, na área de suprimentos, tal evolução é percebida quando processos de vendas e gestão de fornecedores são automatizados. O que antes era feito em meses, hoje pode ser feito em semana ou até dias. A alta disponibilidade de dados permite ainda que decisões possam ser tomadas rapidamente. A vida hoje e toda digital;
  • Decepção – Mudanças nem sempre são bem-vindas e, muitas vezes, a tecnologia ainda sofre resistência em muitas empresas. O importante nessa fase é ter resiliência e saber analisar o que funciona e o que pode ser descartado, evitando assim o esforço em tarefas que não dão resultados;
  • Disrupção – Tecnologia disruptiva é aquela que abala um determinado mercado existente. Alguns setores das empresas já adota tecnologias que permitem transformações na área para acompanhar o pensamento exponencial e mudar a maneira que seus colaboradores fazem negócios;
  • Desmonetização – Nesta fase, a tecnologia é fundamental, pois oferece soluções facilitadoras que não devem, necessariamente, representar um alto investimento. Já existem no mercado parceiros aptos a ajudar nessa desmonetização, mostrando, de forma efetiva, que um real de economia em qualquer   área representa um real de lucro para a organização;
  • Desmaterialização – Esta etapa permite enxergar que ferramentas antigas deixaram de agregar valor e podem ser substituídas por outras mais efetivas. Com o crescimento exponencial da tecnologia, o acesso às novas plataformas se torna cada vez mais possível;
  • Democratização – Todos devem ter acesso e estar presentes, seja no meio físico ou digital. Hoje, para atingir um cliente ou fornecedor, é preciso ter acesso à empresa por meio de diferentes plataformas, com todas as expectativas e necessidades supridas. De maneira geral, somos capazes de criar futuros desejáveis independente do negócio e da área que atuamos, tudo depende da maneira que enxergamos e transformamos o negócio para um futuro digital.

Como se vê, na universidade todos os cursos de um modo ou outro são atingidos pelos conceitos exponenciais relatados por Diamandis. E o desafio é ela estar preparada e em condições adequadas para que sua administração e corpo docente estejam absolutamente conscientes de tais conteúdos/conhecimentos e aprendizados, sejam de domínios de seus estudantes para o novo, para a mudança, para a transformação que é inexorável. Os cursos devem não só preparar seus alunos, mas, antes, estar preparados com docentes competentes para assumir as realidades atuais, de um ambiente imensamente competitivo, mas também compartilhado.

O desafio, portanto, é compatibilizar a escola que carrega o ensino do século XIX, os professores formados no século XX e os alunos nascidos no XXI com a exponenciabilidade que surge a cada instante. E não se trata somente de visão e postura. Parece que Diamandis sempre tem mais uma bala no tambor e acaba de se sair com mais uma em recente artigo: Quem, não como. No texto ele coloca o que pode ser uma grande realidade: “Quando a maioria dos empreendedores enfrenta um desafio, a primeira reação é perguntar ‘como resolver esse problema?’”.

Junto a Dan Sullivan[2], CEO da Strategic Coach, eles criaram um poderoso atalho de gestão para o sucesso, de um vigor sem igual, e, melhor, de uma certeza e convicção inabalável:  “Não pergunte COMO. Em vez disso, pergunte QUEM”.

Ambos têm um blog/podcast sobre pensamento exponencial (Exponential wisdom). Nada mais adequado. A proposta da dupla é colocada de maneira assertiva, quase dogmática, pois é isso mesmo o que fazemos no cotidiano, perguntando sempre e, antes, COMO fazer isso ou aquilo. Sem perguntar primeiro se temos/existe alguém, o QUEM fará?

Quanto valor se está deixando para trás porque não se tem um QUEM, considerando que, como empreendedores, cada um tem um fluxo constante de ideias e novos projetos, e se forem implementados podem agregar um valor massivo incalculável. Por decorrência, é muito natural que caiba a pergunta terminal:  “Com QUEM eu vou contar  para implementar este projeto?”

É uma mudança radical e absoluta no jogo. E é bem a realidade, porque estamos programados para mergulhar direto no COMO sem pensar em perguntar a QUEM?  O grande dilema do empreendedor…

Aí vem Dan Sullivan explicando: “nosso sistema educacional desempenha um papel importante no porquê de perguntarmos a COMO e não QUEM desde o início. Com exceção de algumas escolas de ponta, o sistema educacional é projetado para preparar as pessoas para uma vida de COMO”.

Crianças em salas de aula tradicionais em todo o mundo são classificadas em COMO resolvem problemas particulares por conta própria. Quando você sai da escola, precisa colaborar e delegar para prosperar. Mas na escola, eles não chamam de colaboração e delegação  e nem pensam nisto, porque a maioria na vida nada fez.

É bem isso, o sistema educacional perguntando COMO desencoraja perguntando a QUEM. Por quê?

Ao meu ver, aqui está uma proposta entusiasmada e animadora  para se adotar, e vou mais longe: que tal fazermos as duas perguntas concomitantemente, não importando a ordem: QUEM – COMO ou COMO – QUEM ?

Realizar vale mais do que mil palavras. Sinto a falta, por exemplo, de entusiasmo na esfera pública para colocar a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) em prática. Levou quatro anos para ser elaborada, passou por seis ministros. Teve três versões, foram 27 seminários estaduais, com 9.275 participantes e consulta pública com mais de 12 milhões de contribuições. Ela moderniza o ensino básico e precisa acontecer.

A BNCC é uma oportunidade para mudarmos as práticas lineares que orientam os padrões mentais da educação brasileira e criarmos as condições para que o pensamento exponencial se desenvolva na base da sociedade, ou seja, na educação básica.

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[1] Engenheiro, médico e empresário greco-americano mais conhecido por ser o fundador e presidente da X Prize Foundation, o co-fundador e presidente executivo da Singularity University e co-autor dos best-sellers pela New York Time “Abundância: O Futuro É Melhor do Que Você Pensa” e “BOLD”.

[2] Fundador e presidente da The Strategic Coach Inc. Um visionário, um inovador e um talentoso pensador conceitual, Dan tem mais de 35 anos de experiência como palestrante, consultor, planejador estratégico e coach altamente respeitado para indivíduos e grupos empresariais. Forte crença de Dan e compromisso com o poder do empreendedor é evidente em todas as áreas da Strategic Coach ® e seu programa de treinamento bem-sucedido, que trabalha para ajudar os empresários a atingir seu pleno potencial, tanto em suas vidas pessoais e de negócios.
Ele é autor de mais de 30 publicações, incluindo The Great Crossover, The 21st Century Agent, Creative Destruction e How The Best Get Better ®. Ele é co-autor de The Laws of Lifetime Growth e The Advisor Century.
Dan e Babs Smith, sua parceira nos negócios possuem e operam em conjunto a Strategic Coach Inc., com escritórios em Toronto, Chicago, e o Reino Unido. Novas oficinas também estão sendo realizadas em Los Angeles e Vancouver. 

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