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Betina von Staa
Coordenadora do CensoEAD.BR da ABED e Consultora Hoper para Educação Básica
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O título deste artigo parece um pouco exagerado, mas, antes que os diretores e mantenedores de escolas particulares que andaram perdendo alunos nos últimos 2 anos contestem veementemente que os alunos estão saindo das escolas particulares por motivos econômicos, vamos avaliar os números e o comportamento da população em mais detalhes.

Estamos saindo da maior crise econômica da história do Brasil, e, de fato, em 2016, houve perda de 3,2% de alunos no Ensino Médio privado, segundo a Hoper Educação (2017). Vale observar que essa taxa de evasão foi muito inferior à perda de renda das classes A, B e C, respectivamente, de 12,2%, 5,9% e 3,3% (Valor Econômico). Entre as creches e o Ensino Fundamental II privado, simplesmente não houve perda de alunos nas escolas privadas do país.

As famílias que tradicionalmente pagam por educação na rede particular, em geral, cortam todos os tipos de despesas que podem antes de pensar em trocar os filhos de escola:  viagens, vestuário, cursos extra, transporte, restaurantes, gastos com empregados domésticos ou compras parceladas, tudo pode ser repensado. Mudar de escola, por motivos financeiros, é a última opção.  Quando este dia chega, as famílias que gostam da escola de seus filhos pedem descontos ou ficam inadimplentes, mas não os tiram de lá – há muitos depoimentos que confirmam isso até nas matérias jornalísticas que apontam uma migração “jamais vista” das escolas particulares para as públicas.

Alunos trocam de escola quando observam que não estão aprendendo ou quando não se sentem integrados ao grupo de colegas e à comunidade escolar como um todo. Uma escola particular que esteja perdendo alunos, mesmo durante o pior momento da crise brasileira, deve estar com alguma dificuldade de retê-los no âmbito social, emocional ou da aprendizagem.

Se não podemos atribuir a perda de alunos a questões econômicas, caso isso esteja ocorrendo em uma escola particular no Brasil, mesmo na crise, há muito a se investigar sobre os motivos desses movimentos.

Quando investigamos esses motivos em detalhes, surgem mais surpresas. Em geral, a solução para manter alunos não passa por ensinar mais e melhor, entendendo-se qualidade como uma oferta de mais conteúdo, mais cobrança e mais disciplina. Os alunos ficam nas escolas em que sentem que aprendem, onde têm voz e nas quais desenvolvem seus talentos pessoais. Um jovem que perceba que está aprendendo muito (e isso é diferente de estar em uma escola que ensina muito), que tenha amigos e um espaço para se expressar não aceita trocar de escola por motivos financeiros, sem avaliar todas as outras possibilidades à sua disposição. Nem mesmo na crise.


Referências:

Hoper Educação – Análise Setorial da Educação Superior Privada – Brasil – 2017

Farias, Adriana. Número recorde de alunos trocam escolas particulares pelas públicas. Veja São Paulo, 1/6/2017. Disponível em: https://vejasp.abril.com.br/cidades/mudanca-escola-particular-publica-crise-capa/.  Acessado em: 23/11/2017.

Guimarães, Frederico. Crise tem afastado alunos do ensino privado. Revista Educação, Edição 231. 8/8/2016. Disponível em: http://www.revistaeducacao.com.br/crise-tem-afastado-alunos-do-ensino-privado/. Acessado em: 23/11/2017.

Mota, Camilla Veras. Classe A foi a que mais perdeu renda em 2016. Valor Econômico, 30/1/2017. Disponível em: http://www.valor.com.br/brasil/4851488/classe-foi-que-mais-perdeu-renda-em-2016. Acessado em 23/11/2017.

Villas Bôas, Bruno. Na retomada, renda da classe ‘A’ sobe 6 vezes mais depressa. Valor Econômico, 12/9/2017. Disponível em: http://www.valor.com.br/brasil/5115278/na-retomada-renda-da-classe-sobe-6-vezes-mais-depressa. Acessado em: 23/11/2017.

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