Valmor BolanValmor Bolan
Professor da Unisa e ex-reitor e dirigente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras

Doutor em Sociologia e especialista em Gestão Universitária pela Organização Universitária Interamericana (OUI), sediada em Montreal, Canadá
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Assim que foi nomeado como novo ministro da Educação, a mídia divulgou alguns vídeos de Milton Ribeiro, pastor presbiteriano da sua concepção sobre família e sexualidade, com o intuito de desqualificá-lo.  Na verdade, o vídeo mais chocante foi o que ele defende o castigo físico na educação de crianças, chegando inclusive a recomendar, em alguns casos, a dor física. É óbvio que isso chocou a muitos, especialmente as mães, independente de matiz ideológica à esquerda ou à direita.

O recém-nomeado Ministro apagou os vídeos originais, mas já havia sido feitos download e divulgados em vários sites. Deputados e senadores repercutiram com certo ceticismo a indicação do novo ministro, por parecer que o critério da escolha tenha sido a sua base religiosa, de origem calvinista, e isso preocupa. Espera-se que ele não fira a laicidade das escolas públicas, manifestaram alguns parlamentares, e que tenha capacidade de diálogo. O novo ministro publicou uma nota falando em “pacto nacional” pela educação, e de que a hora de que todos os segmentos da sociedade estejam unidos no esforço pela educação com qualidade no País.


De qualquer modo, a fala do ministro sobre castigos físicos revelou uma visão pedagógica controversa, especialmente numa época em que cresce ainda muitas formas de violência no âmbito doméstico. Sabemos que é preciso haver correção moral em se tratando da formação ética das crianças, em que pais e professores não podem prescindir desse aspecto, porque a educação visa a formação do ser humano, com as suas potencialidades, com princípios e valores que levem à criança a atitudes solidárias perante a vida, com consciência de seus atos, da responsabilidade… Isso requer colocar limites, mas numa dosagem que não venha ter o efeito contrário do que se espera.

Os grandes pedagogos da História, desde a Antiguidade, sabem que a melhor forma de educar moralmente os filhos é com o exemplo dos pais. E quanto mais bem sucedido nisso, menos se recorre ao castigo físico. Isso não quer dizer que deve haver permissividade. O desafio de pais e professores está justamente nisso: em encontrar a dosagem certa para uma boa formação moral. Sem isso, não há educação, pois que a educação não se trata de apenas passar informações, mas especialmente valores de vida, para que cada criança alcance uma boa maturidade, e esteja bem preparada, como adulto, a enfrentar os desafios da vida.

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados deverá chamar o novo Ministro para fazer questionamentos sobre o que pretende fazer à frente da pasta da Educação, bem como de suas posições. Esperamos que haja uma trégua da ala ideológica do governo, para que seja possível um trabalho técnico que dê resposta aos muitos desafios existentes. Os deputados querem resolver, o quanto antes, a questão do Fundeb, cuja validade se extingue em dezembro desse ano, e que deve haver pressão por parte dos parlamentares para que haja a votação o quanto antes, com os ajustes que se fazem necessários.

 

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