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Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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“A Copa do Mundo em que as diferenças se afirmam nas identidades nacionais, na verdade iguala a todos no denominador comum dos impulsos mais primários. Fantasiados de brasileiros ou coreanos, somos todos ao mesmo tempo potentes e desvalidos, somos a mesma forte e frágil humanidade. E temos os mesmos ancestrais, como revelam inequivocamente os gestos simiescos de todos os artilheiros quando logram um gol.” (RosiskaDarcy de Oliveira – colunista de O Globo)

A França venceu o Copa do Mundo da Fifa em campeonato assistido presencialmente por mais de um milhão de pessoas e cerca de mais de dois e bilhões e meio de telespectadores pelo planeta. No campo, os maiores atletas deste esporte; nas arquibancadas, os povos do mundo. Gente das mais diversas nacionalidades e várias falas mostravam que o mundo é um só.

Ao observar os torcedores constatamos que as pessoas são diferentes, mas, de repente, pelas manifestações, todos se tornam iguais. Caras pintadas expressando a ansiedade quando a defesa está sendo atacada e vibrantes de alegria quando sai o gol de sua seleção.

A Rússia não ganhou a o mundial de futebol, mas foi campeã de hospitalidade. Uma de nossas ilustres leitoras, Helena Neiva, presidente da Fundação Pitágoras, nos enviou uma mensagem trazendo um pouco do que viu nesses dias por lá (confira o material).

Dentro e fora dos estádios, nas praças e cafés, nas lojas e nos museus, pessoas das mais diversas nacionalidades, mesclando gestos e afeto, mostravam que em algum dia a humanidade vai perceber que somos todos iguais, temos os mesmos sentimentos e todos aspiram ser felizes. Nós ficamos conhecendo o povo russo e eles também, creio que pela primeira vez, em Moscou e nas onze cidades da Copa, tiveram contato com os mais diversos povos do mundo, mas viram que no fim das contas as pessoas aspiram apenas um objetivo: viver num mundo melhor.

O mundo está diferente do meu tempo de ginásio. Na época, líamos que as mulheres russas eram maltratadas e faziam os trabalhos mais pesados, como arrebentar e remover pedras e limpar o lixo das ruas, e, por sua vez, os homens comiam criancinhas.

Minha ideia ao escrever este artigo seria comparar a Copa do Mundo com o “campeonato eleitoral” que vamos ter em outubro, no qual, para vencer, toda a torcida precisa participar e só assim vamos erradicar essa raça de maus políticos que estão arrasando com o país.

O escopo é esclarecer os eleitores que a taça a ser conquistada é o bem-estar de todos e o desenvolvimento do país. Para resolver os vários problemas que todos já estão cansados de saber quais são é preciso eleger um Congresso formado só por craques.

Para vencer o jogo, o país não pode mais contar com um time só com pernas de pau de toda a espécie, como mostra o colunista Vinicius Torres Freire no excelente artigo na Folha de S.Paulo, publicado no dia 13, sob o título Autodestruição do país continua.

O que se vê é muita desunião entre os torcedores, quer estejam nas arquibancadas, na geral ou numeradas. Por igual, os eleitores precisam pensar bem para escolher melhor ainda os seus candidatos. E, como toda torcida, precisa estar unida para escolher seus craques.

O que fizemos até hoje não vem dando certo, pois o time está perdendo em todos os campeonatos e muito em breve vamos parar na 4ª divisão. Na educação veja-se os índices de analfabetismo, o sucateamento na indústria, o desemprego etc.

Não podemos mais votar sem saber em quem, no filho, sobrinho ou neto do político. Só podemos votar em craque e, portanto, precisamos nos informar sobre as pessoas e seus antecedentes. E mais, não adianta só escolher bons jogadores, é preciso ter um bom técnico com bom pessoal de apoio, com boas táticas e estratégias.

Não é fácil ter um time campeão, mas, como na Copa, quando o jogador não vai bem, precisa ser substituído. Agora é hora de pôr os pés no chão e com a mão digitar o número certo na urna, sem fazer pênalti, além de por a cabeça para funcionar: tem um jogo decisivo pela frente. As eleições de outubro são a Copa que decidirá se somos ou não capazes de virar o jogo.

Direita e esquerda se enfrentam e, para vencer a partida, abusam das fake news – são rasteiras, caneladas, mão na bola, agressões, impedimentos… Nas redes sociais, versão mais confortável das arquibancadas, as torcidas deliram e trocam xingamentos e sopapos. Em vez de gerar novas e melhores bases de contestação, esse embate raivoso esquerda/direita reforça um antagonismo grosseiro e superficial que serve apenas para dar vazão a pulsões reprimidas e alimenta a espiral da polarização em espaços reais e virtuais. Divididas e desunidas, ambas as torcidas não percebem que a corrupção usa as duas mãos. Fato sobejamente comprovado por inúmeras CPIs.

É chegada a hora de os torcedores trocarem a catimba, os gritos adolescentes e os xingamentos por discussões adultas e maduras, fruto do aprimoramento de habilidades e competências que deve ser propiciado por uma educação cujo único partido é o próprio aperfeiçoamento.

A torcida tem de estar atenta aos políticos que atuam nas laterais, que transitam pela beirada do campo, ora na esquerda, ora na direita, ao sabor das próprias conveniências. Cartão vermelho para eles. O Brasil precisa de políticos atacantes, que suem a camisa, que façam o gol tão esperado na educação, na saúde, na economia.

Como escalá-los? Todo brasileiro é um técnico em potencial: conhece táticas e estratégias, elabora esquemas, convoca e substitui jogadores.

O que se deve exigir de quem foi escalado:

(1) competência para o cargo, pois trata-se do capital humano; o capital político – fruto de conchavos, indicações e parentescos – deve ser analisado com desconfiança e cuidado;

(2) probidade, sem ela continuaremos a chafurdar no lodaçal em que se atola nossa política;

(3) poder de persuasão (não de manipulação), para encurtar distâncias entre oponentes, negociar e obter consenso em questões fundamentais para o progresso e desenvolvimento do país;

(4) ousadia para pensar o novo.

Escalado o time, quando o jogo começar, olho vivo no árbitro e seus assistentes! O jogo tem de ser ganho em campo, com técnica e garra. Ganhar no tapetão, como tem ocorrido com tantas questões cruciais para o Brasil, não pode!

A verdade é que a escalação do time exige muito cuidado para evitar os pernetas porque para ganharmos essa taça precisamos acertar nos representantes do Congresso (deputados e senadores), bem como no executivo estadual e federal que estão exalando podridões.

Não são poucos os problemas que precisamos resolver. Relembro a enquete rápida que propusemos no XI CBESP ocorrido na Bahia, quando perguntado “Qual é o problema do Brasil?”. Os resultados são dinâmicos, mas, hoje, com pouco mais de mil respostas, corrupção, educação e desigualdade social aparecem como as causas mais graves (saiba mais).

E tem mais, que ia me esquecendo: precisamos urgente de uma reforma constitucional para mexer com o poder judiciário, que está caduco há muito tempo. Portanto, na fase em que o Brasil está, não basta só torcer, precisa participar e só votar em craque. Chega de perna de pau!

Temos que perder o hábito também de nos esquecermos em quem votamos. É preciso lembrar sempre, cobrar, acompanhar o trabalho pelos canais de divulgação e pelas redes sociais que, aliás, serão decisivas nessas eleições, mais do que nunca.

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Uma resposta para “O Brasil precisa de craques no Legislativo e no Executivo. Chega de pernas de pau!”

  • Marcos Pires Valdívia says:

    Excelente reflexão comparativa. É preciso também uma reforma político partidária, para permitir a entrada de novos e competentes agentes públicos na representação popular. Realmente, os três poderes exalam fétidas nuvens de incompetência e descaramento administrativo. Parabéns pela matéria que, deveria ser reproduzida e divulgada nacionalmente.

     

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