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Gabriel Mario Rodrigues2

Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)
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“Vivemos no tempo do RE: Repensar, refazer, ressignificar, reconstruir, remodelar. E agora venho para complicar um pouco mais ainda: é hora de se REINVENTAR, e digo mais, é de fundamental importância.” (Prof. Francisco Morales – Diretor pedagógico do grupo educacional Vereda)

Todos devem lembrar do megaterremoto de 9,3 graus de magnitude, o mais intenso dos últimos 40 anos, que atingiu Aceh, ao norte da ilha indonésia de Sumatra, no mês de dezembro de 2004, provocando um tsunami que foi até a costa da Somália. As ondas atingiram vários países do Oceano Índico e tivemos 170 mil mortos só na Indonésia, totalizando mais de 220 mil vítimas fatais.

No Brasil, com o rompimento da barragem em Brumadinho, em janeiro de 2019, deu-se também um dos maiores desastres ambientais do país, tragédia que causou 259 mortes e mais 11 desaparecidos.

Todos devem ter na memória as imagens que as TVs mostravam das ondas gigantes destruindo as propriedades que surgiam à sua frente e a avalanche de terra e água rompendo as barragens da Mina do Córrego do Feijão de Brumadinho, transpassando e se alastrando sobre tudo que estava no caminho.

Essas trágicas cenas da Indonésia e de Brumadinho são mais impactantes do que as que acompanhamos com as notícias do coronavírus, que só mostravam caixões mortuários. As primeiras nos vêm à mente com mais facilidade, porém, na realidade, os transtornos econômicos e sociais trazidos pela pandemia são muito mais profundos e superam as dezenas de trilhões de dólares, arrasando países, empresas, negócios e atividades estáveis, da noite para o dia.

O acontecido com a pandemia não tem retorno. Daqui para frente o mundo será conhecido por Antes e Depois da Pandemia. A vida mudou de uma hora para outra e, acima de tudo, antecipou uma realidade em que todos vão ter de reaprender a viver, trabalhar, a relacionar-se, a transitar, a morar e a colaborar entre si.

Se, de acordo com o historiador britânico Eric Hobsbawm, o século 19 terminou com a Primeira Grande Guerra (1914/20), o século 20 terminou agora com a Covid-19 e o século 21 está começando com a tecnologia, com o banco de dados, com a inteligência artificial e o mundo digital, definindo as diretrizes para todos os produtos  e serviços, e logicamente a educação não poderia deixar de ser influenciada.

Não tenham mais dúvida alguma, a sala de aula não vai mais retornar a ser o que era, e o papel do professor vai se transformar totalmente. Como diz Andreas Schleicher, diretor da divisão de educação da OCDE, “os docentes precisam ser os protagonistas dessa mudança e não apenas implantadores de aplicativos. Se isso não acontecer, colocar a tecnologia na frente dos alunos não vai fazer diferença”.

Na reflexão que fazemos para o dia do professor, é justamente o que desejo evidenciar: o professor como protagonista de uma mudança e não um simples repetidor de informações. A receita não é fácil de ser realizada, mas capacitar o professor é a única fórmula que está dando certo. Me apoio na pesquisa da consultoria americana McKinsey, que estudou 25 sistemas escolares, incluindo os dez melhores, e que chegou a quatro lições básicas das razões dos sistemas de ensino com melhor desempenho. Os sistemas de ensino mais exitosos aplicam esta fórmula:

  • Selecionar as pessoas certas para serem professores;
  • Apoiar os professores para serem excelentes profissionais motivadores do sucesso do aluno;
  • Não deixar nenhum aluno para traz e estimular a autoestima;
  • Assegurar que o sistema esteja apto a proporcionar a melhor educação possível para cada criança.

A síntese de tudo é que professor não pode ser qualquer um, porque o sucesso do aluno está baseado em sua motivação e autoestima. A lógica do ensino está centrada na lógica do aprendizado do aluno e sua construção como cidadão. Professores são os grandes mentores e facilitadores do conhecimento dos estudantes. Professor do futuro é o facilitador do processo de aprendizagem. Ele compartilha seu protagonismo com os alunos e faz da sala de aula um espaço seguro de troca de experiências.

Se aconselhamento pudesse ser dado, na comemoração do dia do Professor eu ofereceria a seguinte reflexão:

Não existe mais a figura do transmissor de conceitos e definições, isto o Google dá de graça. Hoje ele é mais um mentor, um mediador, curador e enfim um educador para mostrar caminhos para o aprendiz se motive a encontrar soluções para os desafios da vida.

Para complementar, trago aqui 10 competências reservadas ao professor do Futuro, adaptadas de artigo de Debora Noemi, especialista em Tecnologia Educacional:

  • Buscar o aprimoramento constante. O mundo muda a cada instante e o professor deve acompanhar as nuances do desenvolvimento, para estar preparado para atuar em qualquer área.
  • Dominar a comunicação para ser aplicada às diversas mídias e contextos em que é exigida, quer seja a comunicação pessoal, ou nos diversos ambientes.
  • Praticar a escuta Ativa que nada mais é do que ouvir o outro ou a conhecer com profundidade quem é o seu aluno.
  • Desenvolvimento das habilidades socioemocionais. Trabalhar o autoconhecimento e a gestão das emoções, para ter empatia com seus estudantes.
  • Estar atento à colaboração de outras áreas de conhecimento. O professor do futuro não pode estar restrito à sua área de formação. Ele deve estar aberto a todo o conhecimento e informações que possam colaborar para aprendizagem inovadora.
  • Lidar e aprimorar seu conhecimento de tecnologia. É imprescindível acompanhar, dominar e lidar com as novas tecnologias, dentro e fora da sala de aula.
  • Ser um curador de conteúdos. A proposta pedagógica, a linguagem do conteúdo deve permitir o uso da tecnologia para aprimorar o processo de aprendizagem.
  • Trabalhar o pensamento crítico dos alunos. O professor deve ter em mente que muito mais de passar conteúdos, ele deve contribuir positivamente com a forma de pensar dos alunos.
  • Usar as metodologias ativas de ensino. São necessárias para dar aos alunos o papel de protagonista na construção do conhecimento.
  • Estimular o Empreendedorismo. A dinâmica de criar desafios para desenvolver a criatividade dos estudantes para encontrar soluções para os problemas do dia a dia é estratégia para formar mentes brilhantes e realizadoras.

O fato incontestável é que a pandemia veio mostrar que o aprendizado não está centrado mais na sala de aula. No início do ano escolar, vimos instituições de ensino   particulares se estruturarem para o ensino online rapidamente. E pouco a pouco também os alunos foram se adaptando aos novos tempos.

A palavra da vez, REINVENÇÃO, já faz parte da jornada educacional, o que nos permite cumprimentar todos os mestres pela sua colaboração e pelo seu trabalho   de vencer com êxito um desafio que ninguém esperava.

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2 Respostas para “O desafio de ser professor num mundo em acelerada transformação”

  • valter stoiani says:

    Acredito que inventar-se , seria como alguém que não consegue utilizar dos recursos disponíveis adquiridos em sua formação profissional. É algo muito importante de ser conquistado e deve ser conquistado. Porém a descoberta de recursos ocultos em nosso inconsciente, em forma de arquétipos milenares, que possibilitariam uma nova abordagem e resolução de problemas que a humanidade contemporânea vem enfrentando nos tempos atuais, talvez seja uma das tarefas mais importantes, não só dos professores ou dos alunos, mas dos cientistas contemporâneos da área da educação.
    Ou seja, descobrir primeiro, depois inventar um uso da descoberta. Assim a ciência tem se desenvolvido nos últimos séculos. A descoberta dos campos eletromagnéticos em seguida da eletricidade e as diversas invenções daí decorrentes, a iluminação, comunicação etc. O mesmo se deu com a teoria atômica, a força nuclear para em seguida inventar-se as usinas nucleares de fissão e fusão nuclear.
    Para ganharmos a corrida contra o tempo, decorrente do atraso na educação teremos que apostar na criatividade humana para descobrir um funcionamento mental, que permita recuperar o tempo perdido e criar uma ferramenta, de fácil aplicação para que tanto professores , alunos e a humanidade possam usufruir da inteligência criativa destas descobertas.
    Caberá aos cientistas, esta árdua tarefa. Não será dos políticos, empresários, governantes nem aos professores ou alunos esta missão, pois eles não estão equipados com tempo, recursos, conhecimentos especializados, para imaginar, pensar e principalmente realizar descobertas importantes para transformar a cruel realidade da desigualdade social, econômica, racial, que aflige a humanidade.
    A educação é apenas um nome de um grande e complexo universo, capaz de operar esta realização.

     
  • Edson Franco says:

    Parabéns, Gabriel. Verdadeira superação com as dez competências. Isto precisa ser discutido nas escolas. Programas de treinamento devem tocar nisto

     

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