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Gherald George
Designer Gráfico
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Diferentemente de alguns anos atrás, hoje em dia é muito importante que uma marca se posicione e dê sua opinião sobre determinados assuntos.  E isso não vale apenas para temas que surgiram recentemente, também é sobre assuntos “tabus”, que sempre existiram, mas muitos preferem fingir que não existem, como o racismo.

Esses posicionamentos não precisam ser tão explícitos quando se trata de assuntos que costumam gerar polêmica. Uma marca pode fazer isso de forma sutil, como, por exemplo, utilizando o design.

Nos bancos de imagens disponíveis na internet, ferramenta acessada diariamente pelos designers, é muito fácil conseguir uma foto ou um vetor para criar uma arte gráfica. O que passa batido para muitos é a falta de diversidade presente em todas essas imagens. Pode parecer uma besteira, algo que não é necessário, mas quando refletimos sobre a questão é possível observar o padrão imposto pela sociedade e mídia. Somente quando nos desconstruímos e passamos a pensar diferente, fora desse padrão, é que conseguimos enxergar o mundo e as pessoas como elas realmente são.

Como fazer isso? Minha dica é começar a reparar ao redor nos locais que você frequenta. Pense e se pergunte: quantos negros há aqui? Quantas mulheres há aqui? Por que determinado público não está aqui? Ao ver um programa na televisão, observe: existem negros ali? Se sim, quais são os papéis que eles desempenham?

A mudança começa por nós. Eu, como designer, sempre penso nesses pontos e disponho do meu conhecimento, tanto técnico quanto social, na hora de colorir minhas artes. Se vou usar vetores representando pessoas, por exemplo, deixo alguns com a pele mais retinta, com a intenção de me sentir representado e, consequentemente, representar todas as outras pessoas negras que acessarem meu trabalho.

Os bancos de imagem já estão caminhando para essa diversificação, mas ainda muito pouco. Isso acontece porque o padrão de busca nesses sites é de pessoas brancas, geralmente com olhos claros. Essa, porém, não é a nossa realidade. Pode ser em outros países, mas, no Brasil, não. Ao buscar imagens para aplicação em peças, lembre-se disso e procure pensar nessa integração.

Essa dica vale não só para a raça, mas também para a quebra de estereótipos de gênero. Ao pesquisar uma foto ou um vetor para uma peça sobre o dia comemorativo de uma profissão que é conhecida por ser composta de homens e brancos, por exemplo, tente mudar sutilmente. Identificar diferenças e aplica-las em seu trabalho é cada vez mais importante. Apenas assim conseguiremos mostrar a pluralidade ao nosso redor e o design, se bem utilizado, é uma ótima ferramenta para isso.

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