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Alexandre Magno Leão dos Santos
Correio Brasiliense/Editorial, publicado em  24 de março de 2011
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A triste realidade das universidades públicas brasileiras tem impacto direto na qualidade do ensino superior oferecido à população. Infraestrutura obsoleta, falta de equipamentos e professores desmotivados tornam-se, a cada dia, o retrato da educação. Se os recursos limitados são um dos motivos da penúria, a situação deve prolongar-se por mais tempo. As instituições federais terão um corte orçamentário de 10% em 2011, seguindo a diretriz do governo federal para a redução de custos. Ficarão prejudicados programas de assistência, a compra de materiais de consumo e os gastos com água e luz.

Apesar de ainda não estar clara a consequência da restrição sobre as pesquisas, é possível vislumbrar dias mais difíceis para alunos e professores. E, para o país, cresce o risco de ampliação do fosso em relação às nações com ensino superior de maior qualidade. Um ranking divulgado recentemente no Reino Unido, pela Times Higher Education, revela que somos o único país do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) a não ter nenhuma instituição de ensino superior entre as 100 mais bem avaliadas do mundo.

O sucateamento das universidades públicas é tema de debate há décadas. Profissionais que desejam seguir carreira em pesquisa e desenvolvimento (P&D) correm para o exterior. Aqui, reclamam da falta de competitividade e da burocracia para se conseguir financiamento e importar equipamentos necessários ao estudo.

O distanciamento entre empresas e universidades no Brasil choca qualquer especialista em educação. A pesquisa é quase que completamente concentrada em instituições públicas, enquanto as particulares se vendem como as que preparam o aluno para o mercado de trabalho. Cristalizou-se a esquizofrenia de que P&D e atuação profissional são incompatíveis. Deveriam ser complementares, mas impera a ideia de que a primeira é para formar professores e a segunda para quem deseja “trabalhar”.

Ressalta-se, porém, que as dificuldades do setor educacional no Brasil começam ainda nos ensinos básico e fundamental. O problema não é apenas a falta de recursos, mas a didática ultrapassada e a falta de conexão entre o conteúdo e a realidade dos estudantes. Embora não seja a cidade do mundo que mais invista em educação, Xangai (na China) conquistou o primeiro lugar no último relatório do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). Ao Brasil, restou uma pífia 53ª colocação entre 65 países pesquisados.

No âmbito internacional, estamos atrasados como um estudante repetente. Cortar recursos nessa área é muito arriscado. A sociedade precisa cobrar do Congresso a aprovação de um Plano Nacional de Educação eficaz e voltado à nova realidade do país. Investir 7% do PIB nesse setor ainda será pouco, mas pode ser um primeiro passo, dando continuidade à evolução desde 2000, quando investia-se somente 3,9%.

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