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Janguiê Diniz
Vice-presidente da ABMES
Mestre e Doutor em Direito

Fundador e Presidente do Conselho de Administração do Grupo Ser Educacional
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Sempre escutamos que o Brasil é o país mais empreendedor do mundo. Por aqui, muitas pessoas se aventuram nessa seara, em negócios próprios. A maioria deles, no entanto, é do chamado empreendedorismo por necessidade, quando o indivíduo é levado a empreender por realmente precisar se manter – seja após uma demissão, ou qualquer outro tipo de dificuldade financeira. O empreendedorismo “de fato”, das pessoas que sonham em ter um empreendimento e fazem a ideia sair do papel não por necessidade, mas por um propósito, ainda pode ser muito mais forte, e há diversos entraves para que esse cenário se torne realidade.

Um deles, e talvez o maior, é a burocracia brasileira. Com todo o vai e vem de cartórios e repartições públicas, assinaturas, firmas reconhecidas, xeroxes e outras exigências, perde-se muito tempo para se formalizar um empreendimento. O que é um contrassenso, uma vez que a informatização poderia resolver todo esse processo muito mais rapidamente. É verdade que essa realidade tem apresentado melhoras, mas ainda há muito o que se fazer para facilitar a vida do pequeno empreendedor, que luta para transformar seu negócio em realidade e formalizar-se e cumprir suas obrigações legais.

Há que se registrar, no entanto, que boa parte dessa burocracia que trava o processo de abertura de empresas existe para evitar fraudes. Infelizmente, ainda vivemos em um país em que muitos querem tirar vantagem de todas as situações, o que exige dos órgãos públicos mais ressalvas para qualquer processo. Para isso, a solução, na minha ótica, não passa por outro caminho que o da educação. Apenas ensinando às gerações mais novas que o certo é o certo e fazendo com que elas vejam como isso se prova na prática, somente assim conseguiremos ter um Brasil menos fraudulento, o que, por consequência, possibilitará menos burocracia – em diversas esferas.

Ademais, outro fator que impede o crescimento do empreendedorismo no país é a alta carga de taxas e impostos. Paga-se caro para abrir uma empresa, paga-se ainda mais caro para mantê-la. A tão sonhada reforma tributária talvez amenize esse peso, se realizada de forma honesta e com vistas ao incentivo à economia. A reforma, inclusive, beneficiará não só empresas, mas todos os cidadãos, gerando um cenário muito mais favorável à atividade econômica.

Ainda é pequeno, também, o incentivo ao investimento em empreendedorismo. Vemos surgir e crescer fundos de investimento que voltam suas atenções a startups, mas eles ainda não abarcam todo o ecossistema. Talvez se houvesse algum tipo de compensação financeira/fiscal a quem deseje investir em iniciativas empreendedoras possa ajudar todo esse setor a se desenvolver com mais facilidade.

A morosidade burocrática e o peso dos impostos no Brasil são, inegavelmente, entraves ao crescimento da economia nacional. Buscar soluções inteligentes para desatar essas amarras é condição premente para que o país possa atingir seu verdadeiro potencial e que os empreendimentos que acabam sendo apenas sonhos possam se tornar realidade.

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