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Gustavo Hoffmann
D
iretor do Grupo A Educação
Foi diretor de Inovação e Internacionalização do Grupo Anima Educação e diretor Acadêmico e de EAD do Grupo Alis Educacional e diretor acadêmico, diretor de Pós-graduação, diretor de EAD e diretor de Negócios da Kroton Educacional
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No último artigo que escrevi exclusivamente para a ABMES (leia aqui), explorei a importância da sinergia entre cursos na eficiência operacional de uma instituição de educação superior (IES). Nesta edição, abordarei os demais elementos que garantem esta eficiência, trazendo também alguns aspectos de inovação.

Além da sinergia entre as matrizes, se a IES permitir a modularização das entradas de alunos, os calouros ingressarão em turmas que já estejam em andamento, aumentando ainda mais a quantidade média de alunos por turma, reduzindo o custo da folha de pagamento docente e, consequentemente, o comprometimento da receita líquida pela folha de pagamento. Boa parte das instituições brasileiras já lançam mão desse recurso, mas ainda há algumas que não recebem alunos em alguns cursos no meio do ano pela inviabilidade econômica dessas turmas. Isso é coisa do passado. Hoje, é fundamental a construção de matrizes curriculares inteligentes que admitam esta entrada atemporal.

A carga horária semanal de atividades atribuídas a cada curso é outro indicador importante para a reduzir o comprometimento da receita líquida pela folha docente. Se um curso possui, em média, 15 horas aula de atividades por semana, ele comprometerá 25% menos a receita líquida do que um curso que possui, em média, 20 horas aula de atividades semanais. A carga horária semanal de um curso está diretamente relacionada à carga horária total prevista em seu projeto pedagógico, considerando todos os componentes curriculares, como disciplinas, atividades complementares e estágio supervisionado.

Ainda há muitos gestores que associam a carga horária de um curso à sua qualidade. No entanto, há evidências científicas de que carga horária não é sinônimo de qualidade.

O que de fato importa é a qualidade da interação entre docentes e alunos e entre os próprios alunos durante as aulas. É fundamental equilibrar a parte instrucional e padronizada do processo, que hoje prevalece, com atividades mais centradas no aluno e construcionistas. Assim, menos horas de sala de aula representarão maior aprendizagem e engajamento dos alunos (less teaching, more learning).

Outro elemento que contribui consideravelmente para o ganho de eficiência é a oferta de 20% do curso na modalidade EAD.  Desde 2004, quando foi publicada a portaria nº 4.059, é permitida a oferta semipresencial de até 20% da carga horária total dos cursos superiores reconhecidos. Recentemente, foi publicada a Portaria nº 1.428, que permite elevar este percentual para até 40% em alguns casos.

No entanto, pesquisas atuais apontam que praticamente 60% das pequenas e médias IES não aproveitam essa oportunidade. Os motivos são vários e vão desde a falta de conhecimento em relação às possibilidades que a EAD traz até a ideia de que a modalidade não funciona ou possui menos qualidade do que o ensino presencial.

A oferta de disciplinas na modalidade semipresencial cria um cenário ideal para a promoção da inversão da sala de aula.

Neste modelo, tudo que diz respeito à oferta de conteúdo acontece online, respeitando o ritmo individual de aprendizagem de cada aluno. Os momentos presenciais são utilizados para a aplicação desse conteúdo, através de metodologias ativas de aprendizagem.

Ou seja, a aula acontece em casa (no AVA) e os momentos presenciais, em sala de aula, são utilizados para a resolução de exercícios e problemas.

A lição de casa é feita na escola e a aula acontece em casa.

Por isso, a utilização do termo inversão da sala de aula (ou flipped classroom). Pesquisas recentes apontam que, no modelo híbrido (presencial + EAD), o aluno aprende mais, fica mais satisfeito, evade menos e ainda custa menos para a IES.

É muito provável que em muito pouco tempo tenhamos um modelo único de educação, que não será exclusivamente a distância nem exclusivamente presencial. Teremos um modelo híbrido (ou blended learning), com momentos presenciais facilitados por tecnologias da informação e comunicação que funcionam muito bem na EAD.

Para quem quiser se aprofundar mais no assunto, a partir de 19 de agosto, ministrarei o curso, oferecido pela ABMES, “Peer Instruction: invertendo a sala de aula com o uso de metodologias ativas”. Nele, serão discutidos os principais aspectos que estão revolucionando o ensino superior no Brasil e no mundo: sala de aula invertida, ensino híbrido e o uso de metodologias ativas de aprendizagem na EAD e no ensino presencial.

Será o primeiro curso livre ofertado no Brasil com uso de metodologias ativas online e ainda aplicação da sala de aula invertida com uma oficina presencial  de Peer Instruction, em Brasília, na sede da ABMES, 100% hands on. Fica aqui o convite.

Resumindo, a modularização das entradas de alunos, a sinergia entre as matrizes curriculares, a adequação do tamanho das salas, um bom modelo de ensalamento e a oferta inteligente dos 20% EAD são elementos do modelo acadêmico que reduzem consideravelmente a principal linha de custo de qualquer IES, sem comprometer a qualidade, trazendo inovação e podendo determinar sua sustentabilidade financeira.

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