Renan Hannouche TorresRenan Hannouche Torres
CEO e Co-Fundador na Livedu
Engenheiro da Computação pela UFPE
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“Criatividade é a inteligência se divertindo.” Albert Einstein

Já sabemos que as redes sociais sabem tudo sobre nós, sabemos que os mecanismos de busca também sabem, bem como as lojas virtuais, inclusive especificadamente sobre as lojas virtuais, temos um caso ocorrido em 2012 nos Estados Unidos, onde a gigante varejista Target foi vítima de reclamações do pai de uma menina ainda menor de idade e no colegial indicando que a rede varejista estava incentivando a sua filha a ter filhos, pois a mesma estava recebendo cupons promocionais com produtos para bebês, reclamação plausível se o pai da menina não tivesse descoberto, ironicamente após a própria Target, que a sua filha já estava grávida. Isso só foi possível pois as lojas virtuais utilizam de forma inteligente os dados gerados por seus usuários para potencializar o consumo. Mas o que as escolas fazem com os inúmeros dados gerados diariamente? O que elas sabem de maneira específica sobre seus docentes e discentes além de notas?

É fato que a maneira que nossos bisavós estudaram é quase a mesma que nós estudamos, mas não pode ser a mesma que os nossos filhos irão estudar. Quando nos deparamos com salas de aulas lotadas de alunos com um professor seguindo de maneira quase que em sua totalidade linear com o assunto, estamos presumindo que todos os presentes aprendem da mesma maneira, no mesmo ritmo todos aqueles conteúdos. Mas será que nos dias de hoje isso realmente faz sentido? Eu acredito que não e cada vez mais imerso no mundo educacional e com a minha intensa obsessão por Smart Data acredito que a Educação precisa mais do que apenas uma evolução, ela precisa de uma revolução! E nesta revolução a tecnologia entra junto aos educadores para entenderem melhor o caminho pelo qual cada um aprende de forma mais eficaz, duradoura e principalmente voltada para os objetivos pessoais que cada aluno almeja ao estudar. Objetivos esses que pairam sobre o aprendizado, melhoria do conhecimento, mas na realidade, estão muito ligados a um bom futuro, a realização no trabalho, a construção de um patrimônio, de uma família.

Assim, podemos dizer que o estudo é a estrada mais recomendada para chegarmos aos nossos objetivos, sendo que nessa estrada há trechos sem asfalto, sem sinalização e são esses pontos que infelizmente nos “desconectam” dos nossos objetivos. Com o poder da analogia, podemos dizer que os próprios Ensinos Fundamental e Médio, únicas estradas para o Ensino Superior, estão muito pouco conectados ao mesmo; dá para acreditar? Não adianta nada ouvirmos em alto e bom tom que nunca na história do nosso país formamos tantos universitários se esses universitários não contribuem para o crescimento da nação, se quando formados não dão continuidade ao fluxo do eterno aprendizado. Sabemos também que as instituições acadêmicas formam pessoas e a vida forma profissionais, mas o que falta sabermos é como ligar essas estradas; como fazermos com que cada disciplina, ou melhor, cada caminho nessa estrada, se conecte a uma competência na vida real.

É aí que entram com muita veemência as instituições de Ensino Superior, ou ainda, é aí que deveriam entrar, focando os esforços nos impactos locais que cada caminho tem na viagem em busca dos primeiros objetivos. Digo primeiros de forma muito convicta, pois acredito que o recebimento do diploma não é o fim do aprendizado, mas o começo de uma nova etapa que nunca termina. Mas que impactos locais são esses? De maneira ilustrativa o que precisa ser simplificado é o processo de conexão entre aquele assunto aparentemente assustador e desconexo de uma cadeira da Faculdade, por exemplo, e os benefícios que a mesma trará traduzidos em habilidades e competências, que garantirão ao aluno um excelente desempenho na sua vida profissional. Através dessa “tradução” traremos aos alunos verdadeiros impactos sobre o poder de mensuração causado por cada caminho no objetivo deles, traremos um maior engajamento, uma maior CONEXÃO.

E por falar em conexão, ela na realidade deveria começar muito mais cedo, até porque como dizem os psicólogos é até os 04 anos que o indivíduo forma sua personalidade. Mas será que essa conexão existe? O óbvio que ninguém vê é que temos um processo de manufatura em série onde o produto final de uma fábrica se torna a matéria prima da próxima fábrica seguindo a hierarquia, mas a conexão entre essas duas fábricas apenas existe através de um teste a fim de medir vagamente essa matéria prima e tentar garantir a qualidade da mesma. Atuar na consequência nunca trará o resultado que virá da atuação na causa, ou nesse cenário, na produção. Precisamos ver um movimento maior, constante e, repito, conectado, das “Fábricas” Superiores para com as “Fábricas” Fundamentais e Médias a fim de elevar exponencialmente a qualidade da matéria prima.

“Responsabilidade anda de mãos dadas com capacidade e poder” Josiah Gilbert Holland

Ainda nesse mesmo fluxo de manufatura existem várias fábricas exigentes, também conhecidas por Mercado de Trabalho, onde o sucesso das mesmas depende muito da qualidade da matéria prima, ou seja do resultado da “Fábrica” Superior. Mas, novamente, há grandes lacunas entre as mesmas, visto que o processo de seleção da matéria prima acaba por muitas vezes deixando a desejar já que para a vida profissional o que contam não são as notas, mas sim, as competências.

E o que fazer? Encontrei nas palavras do grande educador Ken Robinson a conclusão/solução para as conjecturas acima:

“Eu acredito que nossa única esperança para o futuro é a adoção de uma nova concepção de ecologia humana, uma em que começamos a reconstituir nossa concepção da riqueza da capacidade humana. Nosso sistema educacional explorou nossas mentes como exploramos a terra: em busca de um recurso específico. E para o futuro, isso não serve. Temos que repensar os princípios fundamentais que baseamos a educação de nossas crianças. Existe uma frase maravilhosa de Jonas Salk, que diz: “Se todos os insetos desaparecessem da terra, dentro de 50 anos, toda vida na Terra desapareceria. Se todos os humanos desaparecessem da Terra, dentro de 50 anos todas as formas de vida floresceriam.” Ele está certo.

Temos que ser cuidadosos e usar a dádiva da imaginação com sabedoria, de modo a evitar alguns dos cenários que falamos a respeito. E a única maneira de fazer isso é encarando nossa capacidade criativa pela riqueza que ela representa e nossas crianças pela esperança que elas representam. Nossa tarefa é educá-las em sua totalidade, preparando-as para esse futuro. A propósito, talvez não vejamos esse futuro, mas elas verão. E o nosso trabalho é ajudá-las a tirar proveito dele.”

Se as crianças hoje já nascem tão imersas no mundo tecnológico, por que não conectarmos a estrada educacional delas a esse ilimitado mundo?

“Insanidade é continuar fazendo sempre as mesmas coisas e esperar coisas resultados diferentes. ” Albert Einstein

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Uma resposta para “O óbvio que ninguém vê…”

  • Ótimo artigo Renan, parabéns!
    Cada vez mais devemos utilizar nossa capacidade de pensar para seguir o caminho para um futuro cada vez melhor para todos. E é na educação que todo esse ciclo se inicia.

     

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