Celso Niskier
Diretor presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)
Reitor do Centro Universitário UniCarioca
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Ao ser convidado para falar sobre como fica o capital humano nesses novos tempos, em evento realizado pela ABES – Associação Brasileira de Empresas de Software, atendendo a um pedido de seu presidente, Rodolfo Fucher, pus-me a pensar se algo realmente teria mudado durante a pandemia. Seria o ser humano mais importante ou menos importante no mundo que emergirá da crise da Covid-19?

Podemos, sim, imaginar que as tendências de inovação tecnológica foram aceleradas pela virulência do novo coronavírus, trazendo com isso a importância crescente das habilidades essencialmente humanas, as que (ainda) não foram substituídas pela máquina: criatividade, empatia, liderança e empreendedorismo, entre outros softskills tão importantes para o profissional desse “novo” normal. Não consigo imaginar as máquinas sozinhas desenvolvendo e distribuindo novas vacinas em larga escala sem a faísca criativa da inspiração humana.

No Instituto Êxito de Empreendedorismo, organização do terceiro setor que tenho a honra de ser um dos vice-presidentes, sob a liderança de Janguiê Diniz, identificamos três categorias de competências fundamentais para o sucesso profissional, hoje e no futuro: competências pessoais, técnicas e gerenciais.

As competências pessoais são aquelas que, como dissemos antes, caracterizam o ser humano enquanto ser atuante no mundo: comunicação e expressão, raciocínio lógico, liderança e criatividade. Já as técnicas são as que nos permitem fazer mais e melhor, otimizando processos, vendendo produtos, analisando dados e criando processos inovadores. E as competências gerenciais são as que utilizamos no trato com os desafios da organização, administrando de forma eficiente recursos materiais, tecnológicos, humanos e financeiros. Somadas, essas competências dão consistência à nossa vida produtiva e feliz. Saber ser, saber fazer e saber inspirar, sempre com ética e compaixão, são qualidades mais do que necessárias nesse momento em que tantos sofrem, e atributos que formam o nosso capital humano, demasiadamente humano.

Mas, frente às demandas do mercado, qual é o papel das instituições de ensino superior (IES) na valorização da formação do capital humano, que alavancará a recuperação da economia brasileira? Em primeiro lugar, precisamos formar profissionais sintonizados com esse novo mundo. Para se manterem relevantes no mundo pós-pandemia, as IES terão que adaptar seus currículos para as novas tecnologias, de forma a não perder a oportunidade de navegar nas ondas do futuro, que chegou mais cedo do que se esperava.

Para ajudar as IES, a ABMES e a Microsoft firmaram parceria para adoção de currículos de Inteligência Artificial na graduação. Já são 17 instituições que aderiram ao projeto, e outras estão a caminho, mostrando o interesse crescente em aproximar o mundo acadêmico do mundo tecnológico.

Porém, antes disso, as instituições precisam sobreviver. Temos defendido pela ABMES um Fies Emergencial para ajudar os estudantes em risco de abandono por problemas financeiros, além de linhas de crédito de capital de giro promovidas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) que efetivamente cheguem às instituições, principalmente às pequenas e médias de todo o Brasil. A longo prazo, de forma a incentivar a inovação educacional, é preciso também apoio às IES e recursos para os investimentos em plataformas digitais e novos produtos, alinhados com as competências do mundo pós-digital. Sem esse apoio, as boas intenções não se transformarão em planos concretos de sustentabilidade e crescimento, como é o desejo de todos.

Se pessoas e máquinas trabalharem em convergência o capital humano nunca perderá importância. Na educação, o futuro é híbrido. E é ciente de que a máquina pode muito, mas não pode tudo, que milhões de estudantes universitários, nesse momento de pandemia, fizeram a migração das aulas presenciais para as remotas, mantendo assim os seus estudos, e voltarão em breve às salas de aula para continuar sua formação. Eles sabem que sempre haverá um humano por trás do código, do hardware e das aplicações das novas tecnologias, construindo um amanhã cheio de esperança para todos nós.

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Uma resposta para “O papel do capital humano na era pós-digital”

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