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Gherald George
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O que você quer ser quando crescer? Essa é uma pergunta que ouvimos muito quando somos crianças e surgem várias respostas: médico, astronauta, advogado, entre outras. Para mim, essa pergunta nunca teve uma resposta pronta na ponta da língua. Sei que muitas outras crianças pretas também são questionadas sobre isso e também não têm resposta, mas por quê?

Desde pequenos somos estimulados para consumir produtos e serviços, agir de uma forma condizente com o local onde estamos e pensar em um futuro profissional. Isso tudo tem um lado positivo que nos impulsiona, mas também há um outro lado que muitas pessoas não sabem e nem tentam entender, porque é fora do padrão delas. Durante nossa infância e adolescência os ídolos são a nossa referência de status, qualidade de vida ou profissão e por isso eu te pergunto: quantas atrizes negras são referência para jovens hoje em dia? Quantos presidentes negros são inspiração para eles? E quais pensadores ou grandes mestres pretos da educação são influenciadores da geração?

Provavelmente você vai responder alguns nomes para as perguntas feitas anteriormente, mas se essa pergunta fosse feita sem mencionar as palavras “preto” ou “negro”, dificilmente ouviríamos o nome de uma pessoa preta. Isso acontece porque vivemos numa sociedade onde o padrão – logo, quem tem mais poder – é o homem branco. Tudo que foge disso é uma minoria, que se junta a várias outras dentro de uma análise psicossocial. Enquanto eu não ver uma pessoa preta num cargo alto, não vou acreditar que posso chegar lá também. Enquanto não tiverem protagonistas pretos, que não sejam utilizados apenas para falar sobre a causa racial, esse padrão branco continuará dominando.

Não estou querendo dizer que devemos recusar trabalhos e experiências que nos chamam para falar sobre a cultura e a raça negra, mas o que eu quero é ver pretas e pretos no topo, terem seu devido reconhecimento e que sejam inspiração para muitas outras crianças, além das pretas. Uma forma de fazer isso acontecer é a partir da cota, pois com ela muitas oportunidades são abertas para a população que não tem acesso a uma educação de qualidade, consequentemente maioria de cor preta.

Não existe meritocracia, porque para isso acontecer todos devem ter as mesmas oportunidades e chances, e sabemos que isso não existe e não é realidade para grande parte da população brasileira. A equidade é a melhor forma de garantir que todos tenham acesso e igualdade, pois ela se adapta conforme a necessidade de cada indivíduo, pregando que, no final, todos tenham o mesmo resultado e benefícios.

Por isso, tenha essa consciência sobre pretas e pretos todos os dias e não só no mês de novembro. Ao chegar em uma balada ou bar, por exemplo, observe: quantos pretos têm por aqui? Eles são clientes ou trabalham no local? São perguntas como essa que despertam o nosso lado curioso/questionador e que abrem as portas para outros pensamentos e ideias que nos acompanham desde a infância e machucam a nós mesmos e o próximo.

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Uma resposta para “O protagonismo preto (ou a falta dele)”

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