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Gabriel Mario Rodrigues2

Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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“A ascensão da IA (Inteligência Artificial) é o maior acontecimento da nossa época. Aqueles que serão bem-sucedidos na próxima fase da economia digital não serão os que criarem novas máquinas, mas os que descobrirem o que fazer com elas.” (Malcolm Frank, Paul Roehrig e Ben Pring)

Quem já passou por São Francisco, Califórnia, e resolveu tomar um café, possivelmente, conhece os irmãos Robin, Malcolm e Felipe. São três atendentes muito atenciosos que trabalham com muito sucesso e diferenciação. São robôs, conforme reportagem do Valor Econômico Atendente-robô já serve café em lojas dos Estados Unidos, de 12 de abril.

Todos sabem que o mundo de serviços está mudando. Por exemplo, até 2030 qualquer pessoa que tiver algum mal-estar grave e precisar ser atendida em pronto-socorro, no lugar de ficar na fila esperando por sua vez, basta, em casa, acionar o aplicativo do hospital, que, quando lá chegar, o médico, já terá em mãos todos os exames e informações sobre sua saúde e lhe dará, com mais assertividade e rapidez, o tratamento adequado.

E como ficará a revisão do carro na concessionária? O proprietário nem precisará se preocupar, porque o próprio veículo tomará as providências: viu que chegará o momento de ir para a oficina e, autonomamente, com todos os registros, o faz. Espera o trabalho ser executado e retorna para casa.

Esses dois exemplos e muitos outros estão numa obra que a editora Alta Books lançou recentemente esclarecendo e acirrando as opiniões dos utópicos, antiutópicos e dos pragmáticos: What To Do When Machines Do Everything (‘O que fazer quando as máquinas fazem tudo’), indicativo para se obter bons resultados com a Inteligência Artificial (IA).

Os autores Malcolm Frank, Paul Roehrig e Ben Pring, da Cognizant[1], argumentam que, ao contrário do pessimismo que cerca as empresas e a Tecnologia da Informação (TI) no momento, estamos, de fato, na crista da maior onda de criação de oportunidades desde a revolução industrial.

O livro apresenta um modelo de negócios claro e bem definido, ajudando líderes a participar deste crescimento iminente. O modelo AHEAD (na sigla em inglês) descreve cinco iniciativas estratégicas — Automatizar, criar Halos[2], Aprimorar, o uso de Abundância e realizar pesquisas e Descobertas dinâmicas — fundamentais para poder competir na próxima fase do comércio global ao impulsionar novos níveis de eficiência, intimidade com o cliente e inovação. O livro tem 218 páginas fascinantes, ao longo de 12 capítulos, com uma linguagem atraente, cativante, mas sobretudo instigante.

Com essa introdução, porque é a nova realidade, desejo fazer rápida abordagem de informações que chamam a atenção.

Malcolm Frank é o vice-presidente executivo de estratégia e chefe de marketing da Cognizant; Paul Roehrig é diretor de estratégia do negócio digital da Cognizant; e Ben Pring é o diretor administrativo global do Centro para o Futuro do Trabalho da Cognizant. Debaixo de muita observação e pesquisa, eles viram a razão de algumas empresas digitais como as empresas FAANG (Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google) terem muito sucesso e outras não.

Estudando junto à Cognizant descobrimos que cada uma dessas empresas, que era um líder digital, se transformou em uma empresa de inteligência artificial. Quase simultaneamente, eles estão dizendo que a IA está agora no centro de seus negócios e é o futuro de sua empresa. Fica claro que esse foi o input para o livro.

Para Paul Roehrig,

“há muitas informações que as pessoas estão escrevendo sobre IA, algumas delas com caráter amedrontador e terrível. Então, queríamos dizer: ‘que tudo isso significa para alguém que precisa tomar decisões importantes nos próximos dois, três, quatro, cinco anos? O que eles devem saber que ainda não sabem?’.”

Previsionistas de mão cheia da alta tecnologia argumentam que os líderes inteligentes de hoje estão aplicando sistemas “estreitos” de inteligência artificial para impulsionar os seus negócios. No livro, que não deixa de ser um guia pragmático para sistemas de inteligência prodigiosa – chamadas de “novas máquinas” –, os autores propõem estratégias claras para extrair e refinar dados, a mercadoria mais enigmática e valiosa no mundo de hoje. Segundo eles, essa quarta revolução industrial é muito promissora e acreditam que as empresas que estão automatizando sabiamente seus negócios, superarão seus concorrentes.

Fica evidente que é preciso mente aberta com senso de urgência para assumir o desafio. Fica implícita a recomendação dessas ideias para investidores, estudantes, executivos, gerentes e quaisquer pessoas que estejam procurando insights estratégicos e táticos sobre as aplicações atuais de IA.

Aos desavisados, porém inquietos e relutantes, ficam vários alertas subjacentes de que a era da inteligência artificial oferece enormes e inimagináveis possibilidades e que, embora alguns empregos tendam a desaparecer à medida que outros novos e melhores surjam, até 2025, os países do G7 perderão cerca de 173 milhões de empregos como resultado da automação, conforme estudo recente da Universidade de Oxford.

A boa notícia é que os novos postos de trabalho criados pelas máquinas vão compensar as perdas, emergindo dos transtornos de automação, melhoria e criação de empregos. No entanto, será preciso dominar os “três Ms” – matérias-primas, modelos de negócios e máquinas novas. A recomendação básica é sempre aplicar as estratégias AHEAD, guardando que, gerenciadas objetivamente, as máquinas inteligentes aprimoram (e não suplantam) as melhores qualidades humanas.

É bom enfatizar: a IA não chegará, ela já está aqui e vai bater nas nossas portas com incríveis demandas. O que o livro em realidade quer mostrar é que “1984”, de George Orwell, está distante anos luz de 2019 ou 2020 pois existem coisas, muitas coisas, que se pode fazer quando as máquinas fazem tudo e tais novas máquinas (os sistemas de inteligência que permitem essa nova revolução industrial transformarão as empresas em empresas “intensivas em conhecimento”, muito conhecedoras).

Para Ben Pring,

“vamos atravessar uma transição super-rápida de ‘diversão digital’ com o Twitter e o Facebook, para ‘digital essentials’. Então, começamos a ver esses casos de uso decolando. Há um veículo autônomo e há consultores-robôs para tudo. Acho que daqui a dez anos seria uma má prática ter um humano lendo seus raios-x ou seus resultados de ressonância magnética, uma máquina vai fazer isso. Estamos vendo isso no setor jurídico e de repente, as pessoas estão dizendo: ‘Uau. Para onde estamos indo quando a máquina pode começar a terminar com todo o trabalho de colarinho branco?’ E é aí que algumas pessoas acordam e ficam assustadas com isso”.

Vídeo do Olhar Digital News mostra que, na França, robôs já fazem, com muito mais segurança, rapidez e eficiência, o trabalho de centenas de manobristas no estacionamento do aeroporto. Desemprego a vista.

Os autores de What To Do When Machines Do Everything que o potencial de desenvolvimento da inteligência artificial está atraindo a atenção da mídia e sinalizando grandes mudanças nos negócios, educação, saúde, energia, manufatura e tantas outras áreas. A IA certamente já melhora o nosso mundo e em breve criará novos mundos virtuais nos quais as pessoas trabalharão.

Como nas revoluções industriais anteriores, a revolução da IA anuncia grandes rupturas, seguidas por uma onda de prosperidade econômica e social.

Ainda conforme os três profissionais da Cognizant, muitos trabalhos serão automatizados pela IA, mas muitos serão melhorados ao longo do tempo, milhões de novos empregos serão descobertos. Para eles,

“o medo de ondas de demissões caóticas reaparece quando cada novo tipo de automação surge. Mas as novas máquinas não chegam de repente. A IA se infiltra lentamente e acelera após um ponto de inflexão. No curto prazo os empregos mudam, mas não desaparecem”.

Dentre as muitas abordagens deixadas no livro, algumas se destacam, como, por exemplo, que os dados superam outras commodities, como petróleo, carvão, aço e eletricidade, que alimentaram as revoluções industriais anteriores. Hoje elas foram substituídas pelos Dados (Big Data) e seu valor de mercado excede todas as matérias-primas antigas. O boom do petróleo transformou a sociedade assim como o boom dos Dados. Comparados ao petróleo, os dados apresentam a vantagem de ter um baixo custo de exploração e distribuição, de existir em quantidade ilimitada e de ter características exclusivas e exponenciais. Para aproveitar essa vantagem, concentre-se em gerenciamento inteligente e veja aonde os dados levam.

E o único conselho que podemos dar depois de ler o livro é que precisamos estar antenados com a IA, pois ela influenciará totalmente a maneira de ensinar e transformará o modo de fazer nossos negócios.

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[1] Cognizant Technology Solutions Corp (NASDAQ: CTSH) é uma empresa multinacional americana de tecnologia da informação sediada em Teaneck, Nova Jersey,  prestadora de serviços de consultoria de negócios e serviços de outsourcing. Em 2018, faturou US $16,12 bilhões. No ano passado contava com 281.600 empregados. Foi fundada em 26/01/1994 como uma unidade de tecnologia interna da Dun & Bradstreet. 

[2] Para melhor nos apropriarmos desse conceito, crio uma metáfora: imaginemos um anel, como aqueles em torno de Saturno, saturado por gases; agora, transportemos essa imagem para o conceito de halo (aura) só que, em vez de gases, o que envolve o “objeto” são dados/informações digitais. Esses halos propiciam a criação de “gêmeos digitais”, nova tendência na indústria 4.0 e no setor de serviços.

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