Gabriel Mario Rodrigues2

Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES)
***

“Para proporcionar um ensino excelente, os professores precisam atingir habilidades sofisticadas e serem capazes de avaliar precisamente os pontos fortes e fracos de cada estudante.”[1]
“No Japão, a formação não acaba nunca: políticas públicas garantem que os professores ganhem novos conhecimentos até o dia de sua aposentadoria. O modelo nipônico mescla diversos tipos de atividades. Os cursos formais são obrigatórios – cada professor precisa fazer pelo menos um por ano.”[2]

Há uma publicação de 2015 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que analisa mais de 450 iniciativas de melhoria do ensino em 34 países com o objetivo de aperfeiçoar seus sistemas educacionais.

Embora salientando que não dá simplesmente para copiar o que o outro está fazendo, trata-se de excelente material para inspirar mudanças educacionais. Porém, a melhor lição que podemos tirar é que as nações com melhor desempenho são as mais desenvolvidas no mundo e que isso nunca fez parte da agenda dos nossos governos e nem dos desejos do povo brasileiro. Ele quer sempre ser campeão mundial de futebol, mas nunca almejou chegar à décima posição no mundo em educação.

Nosso desafio com o Movimento de Conscientização da Sociedade Brasileira é convencer a todos que só a educação será capaz de desenvolver este país.

Sei que é difícil viabilizar a ideia de uma conscientização sem conhecer o que fazem os sistemas educacionais serem mais produtivos do que os outros. E quem nos mostra é a pesquisa “How the world’s best-performing school systems come out on top(Como os melhores sistemas escolares chegam ao topo).

A consultoria americana McKinsey estudou 25 sistemas escolares, incluindo os dez melhores, os analisou e chegou a quatro lições básicas, que distinguem os melhores desempenhos:

  1. Selecionar as pessoas certas para serem professores;
  2. Apoiar os professores para serem excelentes profissionais motivadores do sucesso do aluno;
  3. Não deixar nenhum aluno para traz e estimular a autoestima;
  4. Assegurar que o sistema esteja apto a proporcionar a melhor educação possível para cada criança.

É preciso focar nas quatro diretrizes mencionadas, pois são elas a causa da melhoria dos alunos. O restante é criar condições estruturais para a aula acontecer. Porém, num sentido mais prático e mostrar o tamanho do problema, deixo sugestões com base nas 45 maneiras para melhorar a educação no Brasil publicadas há alguns anos pela Exame:

  1. Usar de modo eficiente o tempo em sala de aula
  2. Investir o máximo possível, com bastante critério
  3. Universalizar de fato a educação
  4. Preparar gente para um mundo em mudança deve ser o foco
  5. Garantir escolas com infraestrutura descente
  6. Cooptar pessoal talentoso para o magistério
  7. Implantar a meritocracia para a carreira do professor
  8. Fortalecer o currículo nacional
  9. Combater o absenteísmo
  10. Usar mais os recursos da tecnologia
  11. Trocar informações dentro da rede de ensino
  12. Acabar com indicação política para diretor
  13. Impedir que criança vá a escola e não aprenda
  14. Colaborar deve ser objetivo das empresas e da sociedade
  15. Mudar o currículo do curso de pedagogia
  16. Exigir qualidade deve ser meta acompanhada pelos pais
  17. Ampliar educação técnica e profissional
  18. Combater a repetência com mais reforço escolar
  19. Deve haver mais escolas de tempo integral
  20. Capacitar professores com enfoque na prática
  21. Combater a deficiência em matemática
  22. Coibir os desvios de corrupção na educação
  23. Priorizar o aprendizado em todo o sistema
  24. Começar a competir a nível mundial
  25. Enviar brasileiros para estudar no exterior
  26. Estimular vinda de estudantes estrangeiros
  27. Acompanhar a vida escolar do filho é obrigação dos pais
  28. Adotar medidas baseadas somente em evidências
  29. Traçar metas ambiciosas para a educação
  30. Se for investir mais, que seja na educação básica
  31. Responsabilidades de gestores e políticos
  32. Deveres de casa com mais profundidade
  33. Aumentar acesso ao ensino superior
  34. Gestão escolar focada em resultados
  35. As escolas públicas e o setor privado devem ser parceiros
  36. Mais estímulos do governo para a iniciativa privada
  37. Formar estudantes criativos e empreendedores
  38. Ensinar tudo o que se pode aprender
  39. Valorizar e acompanhar as provas e avaliações
  40. Definir o papel de cada ente da federação
  41. Manter as minorias a cada mudança de governo
  42. Mensurar resultados – e aprender com eles
  43. Mudar o enfoque bacharelesco da educação
  44. Colocar professores formados nas disciplinas
  45. Colocar educação no topo da agenda
  46. Implantar a BNCC para atender às diretrizes estabelecidas para a educação infantil, o ensino Fundamental e médio.

Ao final, são iniciativas óbvias que todos conhecem e está claro depois do artigo do Prof. Cristovam Buarque da última semana que a ênfase deve ser dada ao ensino básico público. As classes alta e média já têm claro que só o conhecimento oferece futuro e investem para que seus membros tenham a melhor formação possível. Mas há uma realidade que precisa ser evidenciada: estamos atrasados há cerca de 20 anos por não termos enfrentado os desafios.

E hoje temos outros dois pela frente. Precisamos preparar gente habilitada a trabalhar num mundo que passa por mudanças sociais, tecnológicas, econômicas e climáticas fazendo com que algumas profissões “desapareçam” e que outras surjam.

Outro ponto muito mais grave é que a pandemia mostrou uma realidade cruel, com mais de 67 milhões de brasileiros em situação de passar fome e que tiveram ajuda emergencial do governo. O que quer dizer? A miséria é uma realidade e o que fazemos são paliativos tipo bolsa família, vale gás, cotas etc. e assim continuaremos com uma sociedade cada vez mais desigual, face à educação oferecida. Damos esmola e não damos qualificação e nem trabalho.

Resumindo tudo: ensino básico deve ser de boa qualidade para todos terem as mesmas oportunidades. O Brasil precisa ser competitivo educacionalmente e preparar gente para um mundo em evolução continua.

Todos os nossos problemas atuais – baixa produtividade, concentração de renda, violência urbana, persistência da pobreza, ineficiência dos serviços públicos, eleição de corruptos – decorrem, em parte, do quadro educacional, degradado e desigual em que vivemos. Pandemia logo será estancada e ficará uma nação sem trabalho, sem formação e sem futuro vivendo das esmolas governamentais.

Governo sozinho não terá condições de planejar ações que em 30 anos possam criar o Brasil potência. Só a sociedade organizada poderá pressionar o estado a fazê-lo e, em parceria, encontrar caminhos, onde estado, empresas, sociedade, escolas, famílias e estudantes colaborem com ações transformadoras.

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[1] https://www.provafacilnaweb.com.br/blog/como-os-melhores-sistemas-escolares-chegam-ao-topo/

[2] http://www.barsa.planetasaber.com/brasil/asp/Preview3.asp?IdPack=3&IdPildora=509895

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Uma resposta para “O que os países ricos estão fazendo para melhorar a educação”

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