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Prof. Domingo Hernández Peña
Escritor, professor de Turismo, Honoris Causa pela Anhembi Morumbi, e consultor de Comunicação
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Seria bom que todos nós, gente de letras e números, pudéssemos saber o que é um aluno. Um aluno é, por acaso, um “cliente”? Algumas campanhas de marketing e de publicidade, feitas pelo Ensino Superior para atrair alunos, são bastante parecidas às campanhas de marketing e de publicidade de qualquer supermercado ou clube de recreio. São iguais na estética, na linguagem e na falsidade (ou exageração) argumental. E, às vezes, usam com descaro essa palavra: cliente, clientes… Não há nada mais artificial e menos universitário que os falsos estudantes que aparecem nos anúncios de televisão, vendendo inscrições e matrículas, sugerindo que os nossos filhos sejam como eles, bonitinhos, triunfadores, sorridentes, modernosos, saudáveis, atléticos e superficiais… O que pensaria Unamuno vendo e comprovando tanta miudeza?

No que o marketing da compra-venda não se parece à realidade universitária é na questão da “fidelização”. Qualquer supermercado, restaurante ou agência de viagens tem o maior interesse na “fidelização” dos seus clientes. Um cliente fiel, repetitivo, que mantém e diversifica a relação, é, na prática e nos resultados, como se fosse um grupo de clientes ocasionais… Por isso não se entende que algumas universidades gastem mais energias em atrair estudantes que em mantê-los…

E por isso é tão chamativa a diferença que existe com o ensino básico e médio. Nesses níveis há menos marketing e menos propaganda, e mais relação humana, com os próprios alunos e com as suas famílias. Neles, a pessoa (o ser que sente e pensa) é mais importante que o apresado comprador de diplomas. Os vínculos sociais, culturais e afetivos costumam ser mais fortes e mais duradouros.

Estranha lógica: na infância (que acaba na adolescência), as relações de todo tipo se prolongam. E na juventude (onde a vida adulta começa) a fragilidade do compromisso universitário esquece que no planeta globalizado (e do conhecimento infinito) é preciso seguir aprendendo sem descanso (e relacionando-se), ao longo da vida toda.

A consequência mais evidente dessa contradição se encontra num fato que a mim me escandaliza: como algumas universidades não entenderam que no Terceiro Milênio o conhecimento universitário é interminável, além de universal (nunca melhor dito), os seus alunos não se conformam, nem podem conformar-se, com os diplomas de “fim de carreira”. E como é verdade que as carreiras já não têm fim, muitos desses diplomados decidem seguir estudando nas academias de secos e molhados, nas que pouco ou nada aprendem…

Estou falando, sim, da aprendizagem continuada – da Universidade Universal. Hoje, para bem e para mal, o ensino superior não pode nem deve ser uma “ponte”. Deve ser um caminho. A relação com o aluno deveria ser longa, profunda, intensa e diversa. Por que procurar fora de casa o que em casa pode encontrar-se com tanta facilidade?

Ou, para que se entenda: até agora, o que fazíamos é abrir cursos, cursos, cursos e mais cursos convencionais, para concorrer entre as diversas universidades (exatamente como se faz entre as lojas do comércio abundante e barato) e para formar alunos que abandonávamos depois das respectivas formaturas, dando por sentado que já estavam “aptos”; daqui por diante talvez seja razoável, além disso, abrir e manter cursos para dar novo sentido ao ensino tradicional truncado pelas datas de caducidade, complementando-o e atualizando-o continuamente, dando por sentado que ninguém está totalmente “apto”, nunca.

Esses cursos que acabo de sugerir não são exatamente cursos de pós-graduação, extensão ou especialização, como os que já conhecemos, porque eles tampouco garantem a “fidelização”, nem o conhecimento pleno – porque também se oferecem truncados, nos tempos e na essência.

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