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Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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“A solidão humana aumentará em proporção direta ao avanço das formas de comunicação”. (Werner Harzog- Cineasta)

Mark Elliot Zuckerberg[i] tem lá seus motivos e razões para pretender vaticinar, predizer e falar sobre as relações humanas num mundo futuro. Como ele é a própria personificação de bits e bytes, sua intimidade com a tecnologia lhe dá uma “áurea” para profecias e predições. Afinal de contas, sua empresa pode conhecer o que pensam, o que fazem e o que almejam os hominídeos e as expectativas de cada um, para alcançar a felicidade que todos procuram.

Há os profetas da maldição humana, mas há os que preveem o aperfeiçoamento da humanidade, embora sempre com mais palavras do que ações. Afinal, profeta não é feitor.

Estamo-nos referindo à carta-manifesto, de um dos criadores do Facebook, Construindo a Comunidade Global, publicada em 16/2/17. Texto longo, com cerca de 13 páginas, e que obviamente gerou, por todos os lados, manifestações dos que não compartilham de suas ideias e fizeram críticas ácidas ao conteúdo da carta.

Por aqui, até agora, tivemos registros na mídia como o artigo de João Pereira Coutinho (Manifesto de Mark Zuckerberg é um documento megalômano e autoritário”, pela Folha de S.Paulo, em 21/2/17) e outro de Antonio Luiz M. C. Costa (Qual é o plano do Facebook para dominar o mundo?”, pela revista Carta Capital, de 5/3/17).

O primeiro descreve Zucker como megalômano e autoritário, enquanto o segundo diz que o jovem anuncia seus planos para dominar o mundo e que não é exagero, mas antes fosse. Com certeza, vem mais por aí e não tenho dúvidas de que serão críticas acintosas ao pensamento de Zucker.

Algumas de suas afirmações não poderiam deixar de espantar, é verdade, mas estão em sintonia com o terceiro milênio (do qual, afinal, é um dos filhos pródigos), como, por exemplo “Quem conhece e controla as conexões governará o mundo”.

Coutinho acha o autor do manifesto um humorista, embora desconfie que o rapaz fala a sério porque “sentido de humor” é algo que não casa com o personagem. O fulcro da proposta é um só: desejo de construir um futuro perfeito, sem pobreza, sem guerra, sem angústia e sem solidão com única receita: mobilizando os bilhões de seres humanos que o usam o Facebook. Seria isso, mesmo, possível?

Como se vê, Mark conseguiu interpor uma muralha entre os aficionados do Face, inegavelmente com boa dose de fanatismo, que pensam falar em nome de “todos”, delirantemente, que o futuro pertence aos “grupos significativos”[ii].

Para Zucker, “há uma oportunidade real de conectar a maioria de nós com os grupos que formam uma infraestrutura social significativa em nossas vidas. Mais de um bilhão de pessoas são membros ativos de grupos do Facebook, mas a maioria não procura grupos por conta própria – os amigos enviam convites ou o Facebook sugere. Se melhorarmos nossas sugestões e ajudarmos a conectar um bilhão de pessoas com comunidades significativas, isso pode fortalecer nosso tecido social.

O documento traz uma miríade de atributos entre esperançoso, utópico, corajoso, confuso/contraditório, mas, sobretudo, carregado com a tinta da profecia.

Como até aqui se pode ver, parece que os contrapontos e contraditas são menos pelo aspecto tecnológico do que o caso encerra e mais pelo viés político do que a conduta do negócio Facebook enseja, junto à comunidade que, hipnotizada pela flauta mágica que existe por trás das redes sociais, fica a ver o mundo por um periscópio.

Em seu manifesto, Zucker não faz promessas, ao contrário, é de uma linguagem convicta ao extremo, sem hesitações ou falseios. Ele está assumindo posição de líder por saber que não se trata de vender pipoca ou amendoim, mas que o Face (e eventuais derivados que já estão na gaveta) é negócio biliardário. Afinal, o Facebook não é uma instituição de caridade. Está interessado em “inclusão digital” tanto quanto agiotas em “inclusão financeira”, explica, no jornal britânico The Guardian, Evgeny Morozov, estudioso das implicações políticas e sociais do progresso tecnológico e digital.

Dizem os mais críticos que caiu a máscara com a qual o Facebook se apresentava, como uma plataforma neutra para mensagens e conexões singelas e inocentes entre amigos e familiares. Hoje admite uma agenda política com o objetivo de conformar o mundo ao seu gosto e a um ideal tecnocrático, tanto quanto qualquer tipo de autoritarismo.

Com essa nova base, a intenção de Zucker será o desenvolvimento da infraestrutura social para a comunidade a nível planetário, conforme ele, para a inclusão de todos. Sem deixar de comentar, imodestamente, que esse é um projeto maior do que qualquer organização ou empresa.

Mas o Facebook pode contribuir para responder a cinco importantes questões, que apresentei em meu artigo anterior e reitero a seguir:

  • como ajudar as pessoas a construir comunidades de apoio que fortaleçam as instituições tradicionais num mundo em que a adesão a essas instituições está em declínio?
  • como ajudar as pessoas a construir uma comunidade segura que evite danos, ajuda durante as crises, e reconstrói-se depois em um mundo onde qualquer pessoa em todo o mundo pode nos afetar?
  • como ajudar as pessoas a construir uma comunidade informada que nos expõe a novas ideias e constrói entendimento comum em um mundo onde cada pessoa tem uma voz?
  • como podemos ajudar as pessoas a construir uma comunidade civilizada em um mundo onde a participação na votação às vezes inclui quase metade da nossa população?
  • como podemos ajudar as pessoas a construir uma comunidade inclusiva que reflita nossos valores coletivos e humanidade comum, do nível local ao global, abrangendo culturas, nações e regiões em um mundo com poucos exemplos de comunidades globais?

Refletindo sobre o mundo real em que vivemos, o pensamento de Zucker está no mesmo nível dos grandes líderes religiosos, que desde os tempos bíblicos vêm procurando consertar o mundo e efetivamente pouco conseguiram.

A mente humana é complicada e até nas coisas mais simples da vida duas pessoas rivalizam-se, agridem-se e até se matam. Imagine juntar comunidades integradas pelos povos do mundo que culturalmente sempre se antagonizaram? Mas vale a intenção: só o fato de pensar que um dia isto será possível é o que dá sentido à sua mensagem.


 

[i] Mark Elliot Zuckerberg, descendente de judeus, nasceu em White Plains aos 14 de maio de 1984, Condado de Westchester no estado de Nova York, filho de Kristen, uma psiquiatra, e de Edward, um dentista. É tido pela Wikipedia como um programador e empresário norte-americano, que ficou conhecido internacionalmente por ser um dos fundadores do Facebook, a maior rede social do mundo. Em 2016, conforme a revista Forbes, seu patrimônio líquido foi estimado em 51,8 bilhões de dólares. Junto com seus colegas de faculdade, da Universidade de Harvard, os estudantes Eduardo Saverin, Andrew McCollum, Dustin Moskovitz e Chris Hughes, lançou o Facebook em 2004. Em 01 de dezembro de 2015, Zuckerberg e sua esposa, Priscilla Chan, anunciaram que dariam 99% de suas ações do Facebook (no valor de cerca de 45 bilhões de dólares na época) para a Iniciativa Zuckerberg Chan. Desde 2010, a revista Time nomeou Zuckerberg entre as 100 pessoas mais ricas e influentes do mundo e também foi nomeado pela revista como a Pessoa do Ano. Como judeu, Zuckerberg teve um bar mitzvah quando completou 13 anos, embora ele já tenha declarado ser ateu. Para Zucker, a inteligência artificial poderá um dia salvar os seres humanos deles próprios.

[ii] Zucker, recentemente, descobriu que mais de 100 milhões de pessoas no Facebook são membros do que se chama de grupos “muito significativos”. Estes são os grupos que, ao se juntarem, rapidamente se tornam a parte mais importante da experiência em redes sociais e uma parte importante da estrutura de suporte físico. Por exemplo, muitos novos pais dizem que aderir a um grupo de pais depois de ter uma criança se encaixa nessa finalidade.

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2 Respostas para “O Super Mark e a construção da comunidade Global”

  • A IES que poderiam ter papel de co-protagonismo nesse processo, para que não vire a dominação mundial a la Soros e seus psicopatas socialistas, estão focadas em disputas de beleza ou no fluxo de caixa.

     
  • Mirian Nere Martins says:

    Prof. Gabriel, conforme o senhor disse no artigo anterior, as universidades deixaram escapar a oportunidade de serem protagonistas das Redes Sociais. Mas diante do manifesto, acredito que podem ser as melhores mediadoras dessas comunidades, unindo a inteligência coletiva de estudantes, pesquisadores, professores, núcleos e laboratório de estudos e pesquisa para plicar o conhecimento a casos reais, resolvendo problemas de alto impacto, em uma escala jamais vista.

    Apenas uma sugestão, na qual acredito, unir as inteligências para estruturar comunidades para resolver um bom número de problemas do mundo, por quê não?

    Atenciosamente

    Mirian Nere Martins

     

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