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Antonio OliveiraAntônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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Quem se envolve em corrupção milionária, e bota milionária nisso, mata crianças, no sentido real, por falta de assistência à saúde, mata doentes por falta de hospitais, mata o conhecimento, por antecipação, mata pessoas em acidentes por falta de estradas decentes, mata até a esperança, que é a última que morre, mata pela desilusão e descrença dos cidadãos, mata a credibilidade ante o mau exemplo que vem de cima, mata os sonhos no nascedouro, mata o Brasil por falta de investimentos em educação, cultura, esporte, lazer, segurança, sistema prisional, patriotismo, ordem e progresso. Quem mata é…

O ladrão comum rouba dinheiro, carro, celular, relógio, joias. O político corrupto, e está difícil encontrar um ficha-limpa, proporciona desassossego, rouba saúde, educação, transporte, cultura, segurança, emprego, paz… A diferença está em que o ladrão comum escolhe a vítima, o eleitor escolhe o político corrupto. Elege, reelege, reelege…

Em vez de embalar como o vento a brincar nas árvores, num clima de bonança, o corrupto milionário é como o vendaval que açoita as folhas das mais altas mangueiras, turbilhão avassalador, genocida de leso-patriotismo. Muito pior do que comprar voto de eleitores desavisados ou descomprometidos é vender voto no parlamento em troca de favores, verbas e cargos…

Com acerto é descrito por Euclides da Cunha o desacerto dos corruptos, em Os Sertões: “Se um grande homem pode impor-se a um grande povo pela influência deslumbradora do gênio, os degenerados perigosos fascinam com igual vigor as multidões tacanhas”. Millor Fernandes acha “eficiente” um congresso assim: “Isto sim é que é Congresso eficiente! Ele mesmo rouba, ele mesmo investiga, ele mesmo absolve”. Eficientes, nesse sentido, o são também Assembleias e Câmaras, autoridades públicas, em geral. Antigo bordão popular já dizia: “Da barriga de mulher grávida e da cabeça de juiz nunca se sabe o que sairá…”

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