Helena Singer
Portal Aprendiz, publicado em 31 de outubro de 2011
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São sempre questionáveis definições generalizantes sobre a juventude. De qual juventude estamos falando: a da cidade grande ou da zona rural? A dos bairros centrais ou da periferia? A dos países ricos ou pobres? Mas, hoje, há, de fato, um traço comum a grande maioria das pessoas do mundo com menos de 25 anos de idade: elas compõem o que alguns chamam “geração net”, aquela que está conectada continuamente, usando a rede mundial para desenvolver amizades, pesquisar assuntos de seu interesse, expressar-se em diversas mídias, criar e realizar tarefas diversas. É assim no mundo árabe e nos países do ocidente, nas nações ricas e nas que estão em desenvolvimento, no centro e na periferia, na cidade e no campo.

Esta geração está em profundo descompasso com a escola. Os jovens de hoje usam as novas tecnologias intensamente, mas, sobretudo fora da escola: baixando livros eletrônicos, aprendendo idiomas, participando de redes sociais, chats e grupos em que exploram assuntos de seu interesse de forma colaborativa. Em contraposição, a escola é marcada pela desmotivação provocada por exames e notas, pela rotina maçante, pela ausência de novidades.

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Antônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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De volta à escola, mas não necessariamente de volta à sala de aula. Até certa época, considerava-se analfabeto quem não soubesse ler nem escrever, tal o valor do bê-á-bá. Hoje em dia, quem não tem o mínimo conhecimento de computação também é considerado analfabeto. O tec-tec das máquinas de escrever perdeu-se, rapidamente, no túnel do tempo, transformando máquinas de escrever em peças de museu. Papel-carbono, para tirar cópia, morreu carbonizado, faz algum tempo, sem deixar cópia. O mata-borrão, uma espécie de papel-chupão, de tanto chupar resto de escrita a tinta no papel, também foi chupado pelo tempo, tragado como obsoleto. Oscar Niemeyer ainda usou a figura de um mata-borrão como inspiração para projetar o auditório da Escola Estadual Milton Campos, em Belo Horizonte. A escola toda é um projeto em que o arquiteto trabalhou com objetos escolares que então eram utilizados: mata-borrão, régua, giz, borracha.

Os mimeógrafos viraram sucata. A caneta-tinteiro Parker “51” não era presente para qualquer um: era um presente especial para uma pessoa especial. Até hipoclorina era usada para apagar escrita a tinta. Borracha, hoje, tem outro nome: chama-se “delete”, assim do inglês como do latim: apagar. Dessa forma, o constrangimento do alfabetizado analfabeto digital, hoje, pode ser ainda maior do que a do analfabeto tradicional socialmente marginalizado.

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Marco Aurélio Giovanella
A Notícia, publicado em 3 de outubro de 2011
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Como é bom ser professor de marketing pela discussão com alunos de teorias dos célebres professores Kotler, Ansoff, Porter, Levitt, Richars, Blackwell, Lovelock, Cobra, Aaker, Malhotra, Mattar e outros, pela discussão de cases empresariais e também pelos causos que vivenciamos em sala de aula e em outros locais, mostrando-nos a necessidade de atuar na educação de forma ampla.

Causo verídico: estava em sala de aula, falando sobre administração de marketing, indicando para consulta o livro mais famoso do Kotler: “Administração de Marketing: Análise, Planejamento e Implementação e Controle”, considerado um dos 50 livros mais importantes do século 20 em gestão, quando fui interrompido por uma aluna adulta, com voz desafiadora, questionando se eu sabia o que era um bom livro.

Comecei a argumentar, mas ela interrompeu e salientou o que seria um livro exemplar: “Livro bom é aquele que não para em pé”. De forma didática, retirou um livro de no máximo 20 folhas (daqueles com título: sete passos para aprendizado de marketing, negócios, sucesso, etc.) e colocou-o na posição vertical sem segurá-lo com as mãos. O livro caiu, meus conceitos também. Sua deliberada teoria: livro para profissionais e pessoas “de mercado” são livros que não ultrapassam 30 páginas, assim não se sustentam em pé e não dão sono. Outros colegas dela salientaram que aprendiam tudo com textos “curtos” da internet. Felizmente, na sala a maioria era mais esclarecida.

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