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Sólon Hormidas Caldas*
Diretor Executivo da ABMES – Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior
***

O Ensino Superior brasileiro passou por grandes mudanças nas últimas décadas com a abertura de novas instituições, com a oferta de cursos em diferentes modalidades e com o ingresso de um contingente da população que até então estava excluído das universidades e faculdades. A expansão provocada majoritariamente pelo setor privado foi marcada, sobretudo, pela presença de pequenas e médias instituições de ensino superior (PMIES) com até 3.000 alunos matriculados nos cursos de graduação presenciais. Segundo o Censo da Educação Superior, realizado pelo Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC), as PMIES representam 63% do total de instituições no Brasil e 67% do total das instituições privadas.

Pesquisas comprovam que a contribuição das PMIES se faz expressiva na formação de pessoal de nível superior – especialmente para o contingente de alunos que não podem frequentar as escolas dos grandes centros –, no emprego de professores e auxiliares de administração escolar e na qualificação da mão de obra para atender às demandas locais e regionais, especialmente nas regiões interioranas do país.
Os estudos também demonstram o importante impacto gerado pela presença das PMIES, na economia local e regional, tendo como base quatro variáveis que indicam desenvolvimento econômico e social:  Produto Interno Bruto (PIB), Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), renda per capita e  percentual de ocupados com ensino superior completo (na faixa de 18 anos ou mais), independentemente do número de habitantes.[i]

Mesmo considerando os benefícios trazidos pelas PMIES para as regiões onde se situam, pesam de forma significativa no “fiel da balança” os inúmeros problemas enfrentados pelas instituições que, pela sua natureza e complexidade, estão a exigir um olhar atento tanto do setor privado quanto dos órgãos governamentais. Esse é um grande desafio.

Qual é a natureza desses problemas?

As PMIES estão emparedadas entre dois obstáculos difíceis de serem enfrentados – o rigor das normas de avaliação do Ministério da Educação e a concorrência com instituições de maior porte. No primeiro caso, as instituições são penalizadas, com cortes de vagas, desligamento de programas de apoio financeiro ao aluno, arquivamento de processos de cursos em tramitação, fechamento de cursos. No segundo, são atingidas em cheio pela concorrência dos cursos presenciais e a distância que são oferecidos pelas grandes instituições. Em decorrência desses fatores, houve entre 2008 e 2014 grande queda na taxa de matrículas; deterioração da saúde financeira; aumento da inadimplência e da evasão; dificuldades na captação de alunos, entre outros fatores.

Identificados os principais problemas, e com base na tendência de consolidação do sistema federal de ensino, é chegada a hora de traçar e propor estratégias para que essas instituições consigam agregar maior competitividade a seus processos visando a garantir a sua permanência no sistema.

Para ter sucesso nessa empreitada, é essencial a união de todos os setores envolvidos no processo entre os quais o governo federal, o Ministério da Educação, as entidades representativas do setor e os governos estaduais e municipais.

 

[i]A pesquisa “Diagnóstico das pequenas e médias instituições de ensino superior privadas no Brasil: indicações para melhoria da competitividade” pode ser conferida na íntegra no site da ABMES. http://www.abmes.org.br/abmes/public/arquivos/publicacoes/estudos41.pdf

 

* Profa. Solon Caldas será o debatedor do painel “Os riscos de sobrevivência das pequenas e médias IES – desafios da gestão, posicionamento de mercado e melhoria da competitividade” no XIII Congresso Brasileiro de Gestão Educacional. O evento acontecerá no dia 25 de março de 2015. Para mais informações e inscrições acesse: http://www.humus.com.br/geduc/congresso.php

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