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Antonio OliveiraAntônio de Oliveira
Professor universitário e consultor de legislação do ensino superior da ABMES (1996 a 2001)
antonioliveira2011@live.com
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Alguém me fez essa pergunta. Sei lá se eu sei responder. Ocorre-me ser próprio da natureza humana procurar uma explicação para todas as coisas. A curiosidade vai desde uma loja de mil e uma utilidades a um livro inteiro de um colecionador, bibliófilo ou cientista. Conta-se que um escritor religioso quis saber do Mestre por que se escreve. Este respondeu: – Algumas pessoas o fazem como meio de vida, profissionalmente. Outras, para compartilhar reflexões ou para despertar nas pessoas a curiosidade pelo assunto. Outras, ainda, para entender a própria alma. Finalmente, há os que escrevem por uma necessidade interna. E acrescentou: Esses últimos expressam o que é divino – não importando sobre o que escrevam.

Quanto à curiosidade, Eva foi seduzida pela serpente. A mulher de Lot, curiosa, olhou para trás e virou estátua de sal. Ulisses ouve o convite tentador das sereias com sua voz sensual: “Aproxima-te, célebre Ulisses, glória dos aqueus! Detém a nau a fim de escutares os mais belos cantos. Os que por aqui passaram sempre pararam para nos ouvir. Conhecemos o presente e o passado, e dir-te-emos o que o futuro te reserva.” Fez-se amarrar e tapar os ouvidos com cera. Abrir um anexo de um e-mail sedutor pode ocasionar contaminação no computador.

Quanto a escrever, propriamente, lembra-me, de Plinio, na sua História Natural, a expressão, em latim, “nulla dies sine linea”, nem um só dia sem uma linha, referindo-se a Apeles, que não passava um só dia sem traçar uma linha, isto é, sem pintar. A expressão assenta como uma luva a quem adora livros e escreve todo dia. Como a quem gosta de jogar peteca todo dia. Respondendo à pergunta com Cesare Pavese, “É bom escrever porque reúne as duas alegrias: falar sozinho e falar a uma multidão.” Mia Couto assim respondeu à pergunta: “Para me familiarizar com os deuses que não tenho.” Seriam os antepassados. “Scribendi nullus finis”, o escrever não tem fim: motto da AML.

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