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Paulo VadasPaulo Vadas
Editor educacional do jornal online Brazil Monitor
Professor, palestrante, escritor e consultor em educação para instituições de ensino superior no Brasil e nos EUA
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Porque, mesmo as escolas não acomodadas, mas que se sentem incomodadas com seus métodos relativamente obsoletos, não conseguem implementar projetos inovadores sem que tenham que combater resistências internas (coordenadores e professores) e externas (alunos, pais de alunos, sociedade em geral)? Porque é tão difícil promover mudanças no sistema escolar?  Porque a escola vem sempre a reboque das novidades, ao invés de liderá-las?

O ser humano, por natureza altamente condicionável, desenvolve hábitos, rotinas, e incorpora ideologias e atitudes que permeiam sua vida e que se tornam comportamentos normais do seu dia a dia. A previsibilidade é fator importante para que a pessoa se sinta segura. Mudar trás riscos e imprevisibilidade e, portanto, insegurança. Quanto mais sedimentada a rotina, mais difícil mudar. Como diz o ditado: cachorro velho não aprende truque novo. Se mudar uma pessoa já é difícil, imagina mudar a rotina de toda uma instituição burocratizada, tradicional e legalmente balizada como é a escola.

Não que a escola não faça mudanças. Tal qual o ser humano, cuja natureza também é adaptativa e, portanto, passível de adaptação às mudanças que ocorrem no seu meio ambiente, a escola também muda. Porém suas mudanças são vagarosas, como um transatlântico mudando de rumo e não como um avião a jato.

A escola, por excelência, é a instituição oficial da gestão das informações priorizadas e aceitas pelo sistema formal e pela sociedade. É dela que emanam os saberes que a sociedade acredita e confia serem verdadeiros, corretos, e cientificamente comprovados. É por seu intermédio que as tradições que estruturam a cultura nacional são preservadas e promovidas. Ela não é um centro de mudanças abruptas ou radicais, dada sua própria cultura e estrutura burocratizada, sua função legislativamente limitante, bem como sua natureza tradicionalista/evolucionária (inovadora), e não futurista/revolucionária (criativa).

Por outro lado, no momento em que as novas tecnologias clamam por escolas mais relevantes aos ambientes em constantes mudanças, a escola também precisa mudar, rever seus objetivos e suas funções sociais, adotar ambientes mais propícios e objetivos mais voltados a estudar e analisar o futuro, sem abdicar das suas funções de dar continuidade aos valores e às tradições históricas que identificam a nação.

Mudar não é fácil, principalmente no setor educacional formal incumbido de transmitir as normas sociais e os saberes desvendados no passado e cujas pesquisas são trabalhadas seguindo processos e procedimentos estabelecidos e sedimentados. A escola é uma instituição mais focada no passado do que no futuro. Mais focada na evolução paulatina do que na revolução imediata. Mais responsável na exposição, manutenção e propagação de regras estabelecidas do que na mudança delas.

Se por normal entendemos observar as normas estabelecidas (continuidade), ser anormal significa quebrá-las (mudar). A essência da escola é a manutenção da normalidade, da estabilidade, da certeza, não a promoção da anormalidade, da instabilidade e da incerteza que mudanças promovem, principalmente quando os impactos das mudanças propostas ainda são desconhecidos.

Por outro lado, nenhuma instituição consegue sobreviver sem se adaptar às mudanças que transformam os ambientes em que se inserem. Provocadas por revoluções tecnológicas, principalmente na área das tecnologias da Informação (Tis), os ambientes deste século estão mudando profundamente. Muitos empreendimentos que não conseguem se adaptar às mudanças acabam fechando suas portas. Por mais tradicional que o setor seja, a escola não escapa dessas mudanças. E nem deve.  Transmissora de informações por excelência, na era da revolução dos meios de comunicação a escola tem por obrigação adotar as novas tecnologias e servir seus mercados alvo (o aluno, a sociedade, o mercado de trabalho) de forma moderna, prática, pertinente, e relevante.

O maior impacto empresarial da revolução das tecnologias da informação e comunicação (TICs)  tem sido a possibilidade das empresas personalizarem seus produtos/serviços, atendendo mais direta e especificamente seus clientes em função das necessidades específicas destes.  No momento em que os mercados estão cada vez mais voltados a personalizar suas ofertas, o setor educacional precisa se adaptar à nova realidade e ofertar seus produtos também de forma personalizada. Óbvio que, do ponto de vista da sustentabilidade econômico-financeira, o desafio do empreendimento educacional é saber produzir em escala o produto personalizado.

Do ponto de vista institucional/setorial, a escola não vai acabar. Mas, para sobreviver, ela vai mudar (isso ninguém duvida). Ela necessariamente terá que se tornar mais acessível, mais prática, mais pertinente, e mais relevante, oferecendo serviços educacionais personalizados “segundo a capacidade de cada um” (CF, Artigo 205, V) “e adequado às condições do educando” (CF, Artigo 205, VI).

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