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Carmen Luiza da Silva
Consultora Atmã Educar
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Quando iniciei a escrita deste artigo ainda não havíamos sido acometidos pela pandemia que tomou conta do planeta. Minha intenção era falar das competências que o professor precisava possuir para atuar no ensino e ser capaz de auxiliar seus aprendizes a desenvolver em si as competências requeridas pelo mundo hoje. Competências que vão além da simples cognição, mas que desenvolvem habilidades e comportamentos por meio de uma aprendizagem significativa.

Em meio às inovações que ora se impunham, alteramos currículos, inserimos novas metodologias de aprendizagem, definimos novas formas de avaliação e entramos num processo profundo de reelaboração das nossas práticas acadêmicas nas quais o professor passou a ser o grande protagonista. Em suas mãos estava a condição de estabelecer ou não, novos modelos mentais de tornar a aprendizagem relevante para os estudantes. E esse era o principal fator apontado como dificuldade das instituições de ensino em estabelecer inovações em seus currículos e metodologias. Era preciso que os professores “saíssem da sua zona de conforto” para que as instituições de ensino pudessem inserir as inovações necessárias. Em virtude desta premissa estabelecida ainda nos tempos em que a EAD gatinhava no cenário educacional, muito se investiu em treinamentos e capacitação de docentes, com o intuito de estabelecer as bases para a aprendizagem ao longo da vida.

Darling-Hammond & Bransford (2019, p.310) apontam que “eficiência e inovação são antagônicas quando uma bloqueia a outra”. Professores com rotinas consolidadas para ensinar conteúdos foram instados a aprender novas abordagens, abandonar ideias consolidadas e incorporar novas práticas. Esse processo, por vezes emocionalmente doloroso, exigiu dos professores a compreensão da aprendizagem por toda uma vida, percebendo a mudança como fator de sucesso e condição absoluta para o ensino eficaz.

Então, veio a pandemia do Covid-19 e as escolas foram obrigadas a lançar mão do uso de tecnologias antes restritas às metodologias da educação a distância e os professores adaptaram-se rapidamente às atividades assíncronas, postando conteúdos em ambientes virtuais de aprendizagem e trabalhando remotamente em atividades síncronas.

O que observamos, na postura dos professores, foi uma verdadeira demonstração de competências inerentes às pessoas, cuja inteligência emocional não deixa dúvidas sobre suas capacidades.

Demonstraram empatia ao se solidarizar com os gestores das instituições de ensino que precisavam de uma atuação pontual dos professores junto aos alunos, aprendendo a utilizar novas ferramentas e tecnologias para aulas remotas. E, ao compreender a dificuldade dos alunos com acessos limitados à internet, buscaram soluções de engajamento e motivação exercitando a sua criatividade.

Exerceram liderança.

Adaptaram sua forma de comunicação com alunos, tornando-a mais assertiva por meio de ferramentas tecnológicas disponíveis.

Demonstraram espírito de corpo e cooperação ao atuarem em conjunto com colegas, uns ajudando aos outros a superar dificuldades, compartilhando práticas e soluções. Preocuparam-se com a aprendizagem real, buscaram fórmulas de avaliação e, tantas vezes se questionaram sobre a eficácia de suas práticas demonstrando a auto responsabilização pelos resultados a serem alcançados.

E, acima de tudo, demonstraram resiliência frente ao ineditismo da situação momentânea, que se prorrogava a cada quinzena.

Não temos mais dúvida que os professores nunca mais serão os mesmos após todos esses acontecimentos e constatações. Os passos para o surgimento deste novo professor disruptivo já foram dados. Resta aguardar o futuro.

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