Rosa Moraes
Diretora de Hospitalidade e Gastronomia da Laureate Brasil
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Com a proximidade dos grandes eventos que o Brasil sediará em 2014 e 2016, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, a mídia tem destacado, com preocupação, os problemas de infraestrutura que o país precisa superar para receber bem os turistas que aqui aportarão.

O que mais se vê neste debate são advertências sobre as já conhecidas deficiências dos aeroportos, das nossas rodovias, sobre a falta de vagas na rede hoteleira, além das questões específicas de cada cidade-sede.

É realmente muito importante que todos esses assuntos sejam debatidos, mas está faltando discutir um elemento fundamental, não apenas para que o Brasil dê um show na Copa e nas Olimpíadas, mas também para que o legado dos megaeventos seja positivo para o país após o apagar da tocha olímpica. A questão é simples: temos mão de obra qualificada para receber os turistas? Em outras palavras: além da infraestrutura física necessária, estamos preparando os recursos humanos que vão receber os visitantes no país?

Não é preciso ser um estudioso do assunto para constatar que ainda falta muito para o Brasil atingir um padrão de excelência no que diz respeito à qualificação da mão de obra que recebe os turistas. E não se trata aqui de falar apenas sobre os profissionais que lidam com os visitantes diariamente nos hotéis, agências de turismo e aeroportos. É preciso também pensar no atendimento dispensado aos turistas por taxistas, monitores das atrações turísticas em geral, museus, hostess e garçons de restaurantes, bares e casas noturnas, enfim, por todos os envolvidos nos serviços que um turista pode se interessar em conhecer no Brasil.

Mas como, afinal, seria possível qualificar toda esta mão de obra no tempo requerido? Como fazer com que o padrão de receber e servir seja elevado rapidamente? Pouca gente sabe, mas existem no Brasil diversos cursos, técnicos e universitários, que podem ajudar muito nesta tarefa.

Os cursos de hospitalidade, por exemplo, abrangem justamente esta ampla gama de conhecimentos e técnicas necessárias para facilitar e melhorar o contato entre cliente e fornecedor dos mais diversos tipos de serviços, incluindo não apenas hotelaria, mas recepção em bares, restaurantes, bancos, hospitais, shopping centers, lojas, museus etc. Sem falar também nos cursos especializados, que também já são oferecidos Brasil afora para formar profissionais de gastronomia, hotelaria, eventos e turismo, por exemplo.

Nossa experiência mostra que o interesse pelos cursos existe, mas a procura poderia ser mais efetiva se houvesse uma consciência maior sobre a necessidade de qualificar os profissionais, sobre a importância do que se pode aprender em uma faculdade, em cursos específicos que apresentem os conceitos, práticas e processos para bem receber e servir.

Também é verdade que o governo federal está ciente dos problemas e trabalha no assunto: recentemente, a presidente Dilma Rousseff anunciou que o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) vai oferecer 40 mil vagas em cursos para áreas ligadas ao Turismo. Até a Copa do Mundo de 2014, o governo federal terá oferecido 240 mil cursos em 30 áreas, como agentes de viagem, camareira, garçom e recepcionista de eventos.

Para além da urgência dos megaeventos, porém, é preciso pensar no futuro. Não é crível que o Brasil permaneça recebendo apenas 5,1 milhões de turistas por ano enquanto o México recebe 22 e a Malásia, 24 milhões de visitantes a cada ano, para não falar nos grandes polos turísticos com França, Estados Unidos, China, Itália e Espanha, que recebem acima de 40 milhões de turistas anualmente. Temos aqui um potencial enorme para desenvolver no setor de turismo e precisamos não só melhorar a infraestrutura para receber os visitantes, mas preparar toda uma geração para uma nova realidade no segmento de serviços no país.

O legado da Copa e das Olimpíadas, esperamos e desejamos, será um aumento substancial na atividade de turismo no Brasil. Qualificar profissionais para receber os visitantes é a melhor aposta para fidelizá-los e para que façam a melhor propaganda que pode ser feita: a de quem provou, gostou do que viu e recomenda para parentes, amigos e conhecidos. E para isto, é sempre bom lembrar, não bastam apenas as nossas belezas naturais. Assim como voltamos ao restaurante em que fomos bem tratados e atendidos, o turista volta para os destinos em que ficou bem impressionado com a maneira que foi atendido.

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