Marcel Simões Colombo
Supervisor de Criação da Humus
Autor de “Al-Aisha e os Esquecidos”. Publicou ainda, nas coletâneas “Moedas para o Barqueiro Vol. II” e “Dias Contados Vol. II”, os contos” Raquel e Renata” e “VIVA!”
***

Eu faço a pergunta do título para você.

Quem é você?

Pense e só me responda no final deste artigo.

Porém, atrevo-me em adiantar sua resposta e deduzir que você tenha pensando em seu nome, sua face e tudo aquilo que você sabe sobre seu respeito. Parabéns, você acabou de usar a sua memória, deixando para trás, confinada em sua mente, a sua imaginação.

Uma coisa eu posso te garantir, até o final deste texto, a resposta continuará a mesma, mas a sua resposta não.

Qual foi a última vez que você questionou seus alunos com essa mesma pergunta, porém fazendo com que eles usassem a imaginação e não a memória?

Tente fazer essa pergunta de outra forma, e assim, uma porta se abrirá.

“- Quem és tu, bravo guerreiro?”

Pronto, a imaginação dele correu a mil, um sorriso largo se deu e uma história foi criada. Pode ser que no momento, ele te responda com uma cara de estranhamento ou até mesmo ache que você anda louco, mas vá por mim, continue a brincadeira e pergunte o que ele imaginou. Certeza de que ele irá descrever uma breve cena e terá uma bela história para ser escrita.

E com apenas essa pergunta, você fez brotar nele a imaginação.

Mas escrever não é simples para os “jovens aprendizes de feiticeiros”, precisamos dar um empurrãozinho, um pouco mais de pó de pirlimpimpim neste caldeirão. Quem sabe se você deixar de ser o professor dos seus alunos e se transformar no mestre sábio de seus pupilos, as coisas não possam mudar?

Que tal iniciar uma história? Comece sua aula com “Era uma vez…” e não termine jamais, deixando com que eles pensem e criem aquilo que virá depois. Faça com que eles escrevam o meio da história que você começou, escolha a mais bem contada, unindo-as, contando-a na próxima aula (mas não por você sábio mestre e sim pelos seus pequenos aprendizes) e eles irão ter a grandiosa satisfação de demonstrarem o seu mundo para os colegas da távola redonda.

E entre uma história e outra, mencione um livro qualquer que lhe venha à mente e que seja muito parecido com aquilo que ele contou.

Ative a curiosidade e não a obrigação.

Faça com que eles tenham vontade de ler. Deixe-os livres para escolher e questionar, pois se algo de errado der no meio do caminho, o terrível Dragão da Obrigação irá devorá-los para sempre e infelizmente, esse será o final trágico para nossos heróis.

Foi meio assim que tudo aconteceu comigo, quando eu ainda era um jovem aprendiz de mago. Fui encantado pelo meu mestre na arte de escrever e dar vida para minha imaginação. Foi ele que me disse, diante de uma fogueira, que existiam livros que podiam fazer você voar.

E ele estava certo.

O que poderia ter acontecido comigo, se no lugar deste sábio eu tivesse conhecido “O Tedioso Professor de Redação”?

Não deixei que os livros se tornassem um hábito maçante para mim. Eu fiz exatamente o contrário, permiti que tudo fosse agradável. Sem obrigações e sem regras. Ler por obrigação é muito chato e isso acaba virando um problema mais para frente. Mas também não serei mentiroso, muitas vezes já peguei um livro, abri suas páginas e disse para mim mesmo:
– Meu Deus, mas que coisa longa.

Quantas vezes você deve ter lido algo e compreendido totalmente diferente daquilo que estava escrito.

Temos vários problemas com a leitura e uma delas é a preguiça de ler. E isso vem da obrigação que nos tornou alérgicos a textos longos e palavras miudinhas.

Saber ler é uma coisa e compreender o que está escrito é outra, mas associá-las, interpretá-las e fazer com que as letras funcionem, isso sim, é totalmente diferente.

Somos educados para ler mas não como leitores.

Nem todos os guerreiros e princesas seguirão por essa jornada de criar mundos através das palavras. Muitos deles serão maravilhosos com números, mas mesmo assim devemos ao menos tentar fazer com que a leitura seja uma porta de saída para eles.

Mas como havia prometido, farei a mesma pergunta, mas resposta será diferente, só que antes, faço o seguinte: Lembre daquele livro que mexeu com você, de preferência um romance e tanto faz o estilo da história. Caso o tenha, leia apenas algumas páginas e relaxe, deixando a obra fluir por você.

Feito isso, eu volto a te perguntar:

QUEM É VOCÊ?

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Uma resposta para “Quem é você?”

  • Deise says:

    Belo artigo!
    Faz a gente pensar e refletir na forma que tratamos nosso pequenos.
    Parabéns ao autor.

     

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