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Gabriel Mario Rodrigues2Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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“Eu acho o futebol muito importante e acho que o futebol é o momento em que o brasileiro chora, se apega, em que ele tem pátria. A pátria para ele é madrasta: deu para ele uma má escola, deixa ele com fome, desempregado, é aquele momento que conta. Você não acha isso?” (Darcy Ribeiro)

Em artigo recente publicado no Blog ABMES (Um exemplo positivo como força unificadora de uma nação), a profa. Dra. Lioudmila Batourina elogiou o que venho escrevendo sobre cidadania e a responsabilidade que temos em votar conscientemente nas próximas eleições. Para o Brasil dar certo precisamos erradicar de vez a velha política que nos trouxe a este caos econômico, político e social. Agradeço o comentário, principalmente vindo de uma profissional com experiência internacional, acadêmica e empresarial, que seu currículo espelha. E também agora como consultora do projeto ABMES Internacional, que objetiva a cooperação com associações e universidades do exterior. Foi ela que organizou a primeira delegação da ABMES, que teve como destino a Rússia (setembro de 2017), e está à frente da próxima para Israel (outubro de 2018).

O artigo de Lioudmila mostra as dificuldades que seu país passou, por todas as guerras que precisou enfrentar, e, na conclusão, expressando seu espírito otimista, mostra que os desafios do desenvolvimento com trabalho e perseverança são vencidos.

Esta questão me faz lembrar de um belo artigo que recentemente li (Distopia: o dia em que o STF, com 21 ministros, fechou o Congresso), do jurista e professor Lenio Streck, sobre utopia e distopia. Dele aproprio algumas ideias e palavras para tentar resolver os impasses do eleitor brasileiro, em compasso de espera, afiando os dedos para digitar o número do seu candidato.

Segundo Streck, chamar uma ideia, um argumento, um ponto de vista de utópico é o mesmo que classificá-lo como impossível de ser realizado, concretizado, trazido à esfera do real. Ao cobrar uma melhor performance do eleitor brasileiro estaria eu com uma posição utópica?

Já, distopia é justamente o contrário de uma utopia, é quase sempre negativa. “Antieticamente ao conceito de utopia, as distopias, por vezes, têm uma relação muito próxima – assustadoramente próxima – com a realidade que vivenciamos”, afirma Streck complementando: “as distopias são utilizadas como um recurso pelo qual aquele que as concebe transmite uma espécie de aviso pessimista aos interlocutores.”

Venho abordando em meus últimos artigos a questão do voto, das eleições, dos candidatos e do acerto e do erro que se comete diante da urna. Para alguns, pode parecer que desejo um mundo utópico no qual todos votam bem, elegem os melhores candidatos para em seguida trabalharem para o bem comum geral etc., etc.

Sabidamente, costuma acontecer o contrário, já que parte dos políticos cultuam orgulhos e vaidades, desonestidades, falcatruas inomináveis dominadas pela corrupção, pelos desvios, com total falta de brasilidade. E não se emendam, por décadas na mesma promiscuidade latente, na conduta oportunista, leviana e rasteira.

O que venho dizendo é que precisamos ter mais preocupação com o país. Está faltando sentimento pátrio ao brasileiro, o que é cultural, vem do berço e da escola. Precisamos acreditar que no futuro existirão dias melhores. Estamos num país dividido e, sem metas comuns, todos perdem. Por isso saber votar bem é uma questão vital. A mídia que só dá notícia ruim desanima as pessoas, pois inocula o vírus da falta de autoestima, de autovaloração, e padecemos muito por isso.

No fim, é preciso deixar bem clara a responsabilidade que temos ao indicar nossos representantes. Afinal, o voto em nada é diferente de uma assinatura que lançamos numa Procuração ao candidato, para ele fazer uso, mas sempre e unicamente em prol do país. Não como se vê com ações de locupletação amarga, em benefício próprio, sempre. Precisamos tirar do cenário os que há muitos anos sugam a nação. Para melhorar um país precisamos de políticos bem preparados. Precisamos de verdadeiros craques, como se diz no futebol.

Como eleger um Congresso com deputados e senadores com atuação focada no desenvolvimento do país? Como conhecê-los, como indicá-los e como avaliá-los depois de eleitos? Isso consiste num desafio da família, da escola e da sociedade. É a lição de casa de todos os dias na busca da democracia e do exercício da cidadania. Leva tempo, demanda paciência, trabalho, esforço, persistência e determinação.

Infelizmente, quanto a isso, ainda estamos na estaca zero. Ainda há lugares no país em que se troca um par de botas ou uma dentadura por votos. Nesse universo, infelizmente a educação não aconteceu. Certamente há ações isoladas de escolas, mas não do sistema educacional. Ao longo dos vários anos de estudo, do infantil ao médio, pouco ouvimos sobre cidadania, voto certo, avaliação dos candidatos.

Mas há também situações em que se troca votos por coisas bem mais valiosas, como privilégios e vantagens. Nesse caso, o que falta é civilidade mesmo.

De modo geral, não fomos educados para compreender que os membros do setor político existem para servir a sociedade e o país. O que se pode fazer em dois meses, até outubro, para trocar todos os assaltantes, vigaristas, desonestos e ímprobos? Que campanha nacional pode ser feita para dar uma corrida nos patifes? Hoje com a internet e com as redes sociais temos um campo enorme para divulgação.

E, passando do discurso à prática, o que o sistema universitário pode fazer sem precisar inventar a roda, pois há movimentos já existentes com mesmo objetivo. Um deles é o Movimento Sou Responsável, iniciativa que começou com a OAB-SP e o Arcebispo de São Paulo, apoiada por dezenas de entidades. Há o projeto Um Brasil, da Fecomercio, onde diversas personalidades apresentam suas visões para a solução dos problemas do país. E outro mais abrangente que pede a sua participação, o unidoscontraacorrupcao.org.br, que tem circulado por WhatsApp.

O sistema particular de educação superior tem potencialidade para alcançar mais de 10 milhões de estudantes. A primeira ideia é nos comunicarmos com os alunos por meio das IES. Devem existir outras formas, contando com apoio de agências que trabalhem com redes sociais. Estruturar uma rede dessas dá trabalho e tem custo, mas o resultado é sem preço!

Não se isole pensando que o problema não é com você, porque em breve a água estará no seu queixo. Ou é distopia demais?

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