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Gabriel Mario Rodrigues2

Gabriel Mario Rodrigues
Presidente do Conselho de Administração da ABMES
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“Um líder tem a visão e a convicção de que um sonho pode ser alcançado. Inspira força, audácia e energia para obtê-lo.” (Ralph Nader – líder da Campanha dos Direitos dos Consumidores nos EUA)

Há um fato relevante para ser registrado: não havia nenhuma universidade brasileira nos 20 anos iniciais do século XX, enquanto na América espanhola já existiam 27. No Brasil colônia, as famílias ricas enviavam seus filhos para estudar nas universidades portuguesas de Coimbra ou de Évora. A primeira universidade brasileira foi criada às pressas, para poder conceder o título de “doctor honoris causa” ao rei Alberto I, da Bélgica, por ocasião das comemorações do centenário da Independência.

Como nação emergente, o Brasil dava seus primeiros passos. A industrialização começa a se desenvolver a partir do governo de Getúlio Vargas (1930-1945 e 1950 1954) a expandir com Juscelino Kubitscheck (1956- 1961). E a Educação Superior tem a mesma caminhada. Em 1935 foi criada a USP – Universidade de São Paulo. As universidades católicas, a partir dos anos 1940 e as públicas com maior evidência, a partir dos anos 1950. Eram poucas as instituições particulares, que são estimuladas a serem fundadas quando o MEC era dirigido por Jarbas Passarinho, em 1965, graças também à primeira Lei de Diretrizes e Bases, de 1961.

Nos anos 1970, com a crise dos excedentes, estudantes aprovados nas federais e que não podiam ser matriculados por inexistência de vagas, houve necessidade de se atender a esta demanda. É ocasião do ensino superior particular desenvolver-se para suprir a sociedade na formação de profissionais de para o desenvolvimento. Ensino universitário era só para a classe de maior poder aquisitivo e, graças a escola particular, a classe média pode estudar.

É dentro deste cenário que o Semesp – Sindicato de Mantenedoras do Ensino Superior de São Paulo surge, em 1979, para defender a causa da educação e os legítimos interesses dos associados.

Foi, portanto, com grande júbilo que na semana passada, dia 13 de junho, o Semesp celebrou seus quarenta anos de história: as Bodas de Rubi – pedra vermelha que lhe empresta a beleza, força, garra, amor e paixão. O Semesp antecipou-se às necessidades, estabeleceu novos caminhos, cercou-se de profissionais competentes e de vivência na área. Acreditou na inteligência coletiva e a estimulou. Concentrou-se nas soluções e escutou seus afiliados.

A celebração destes primeiros quarenta anos foi cerimônia empolgante por estarem presentes o prof. Ernani Bicudo de Paula, presidente no período 1981/1987; o prof. Paulo Gomes Cardim, presidente de 1987 a 1993; eu, de 1993 até 2004, e depois o atual presidente Hermes Figueiredo.

O primeiro presidente foi o prof. Luiz Paulo Schiavon, da Osec – Organização Santamarense de Educação e Cultura, hoje Unisa – Universidade Santo Amaro, que liderou a entidade juntamente com Ari Silvério, da PUC; com frei Caetano Ferrari (hoje bispo de Franca), da Universidade São Francisco, e com frei Constâncio Nogara, da Casa Nossa Senhora da Paz de Bragança, entre outros.

O prof. Hermes de Figueiredo abriu a solenidade de comemoração dos 40 anos fazendo uma retrospectiva. Ressaltou o trabalho realizado por todas as diretorias que lhe precederam, cada qual a seu tempo vencendo os desafios institucionais, políticos, econômicos e de desenvolvimento educacional. Destaque para Luiz Paulo pela conquista da carta sindical e de primeiro presidente; Ernani pela consolidação e credibilidade do início do Sindicato;  Paulo Cardim pela acuidade política e compra da primeira sede própria à rua Apeninos 378 e a minha gestão por ter adquirido a atual sede e implantado uma nova estrutura organizacional, com a criação das assessorias Jurídica, Educacional e Econômica, e ampliado a oferta de atividades e pesquisas, bem como a realização de eventos como o Fnesp e o Conic. Cada diretoria com seu esforço para um Semesp mais representativo.

Nos últimos dez anos sob o comando do prof. Hermes, o Semesp profissionalizou o quadro organizacional, dando à entidade uma feição mais eficiente. Passou a influir mais intensamente na formulação de políticas públicas para a educação, buscando assegurar a adoção de estratégias capazes de garantir a qualidade, relevância e equidade social do ensino acadêmico, como sugerir ações para impulsionar a expansão da oferta de oportunidades educacionais adequadas, de forma que as pessoas possam ter efetivas oportunidades de realização pessoal e de inserção no mercado de trabalho.

Foram abertas diversas frentes, produzindo pesquisas e organizando eventos que auxiliam o processo de gestão do ensino superior dos associados, a partir da produção de indicadores relevantes e da elaboração de análises, estudos e publicações de valor. Tudo com o único e importante propósito de permitir que as instituições de ensino superior privado cumpram com eficácia sua missão institucional em benefício da educação do país.

Foi graças a todo esse esforço que o Semesp se consolidou como um dos principais centros de produção de conhecimento do segmento de ensino superior, tornando-se referência junto à sociedade brasileira e também dos organismos nacionais e internacionais.

Ha uma série de iniciativas, como a expansão do Fnesp; a intensificação das Jornadas Regionais; a realização das Missões Técnicas Internacionais; a criação da Universidade Corporativa Semesp, assim como das Redes de Cooperação; e pela presença do Semesp em diversos congressos nacionais e internacionais, a tornar-se a única entidade brasileira da Rede de Associações Latino-Americanas.

Foram também emocionantes as palavras da vice-presidente Lúcia Teixeira, da universidade Unisanta, ao destacar o trabalho dos pioneiros ao vencerem os desafios da autorização de funcionamento das primeiras Instituições de ensino superior paulistas. Tomando como exemplo seu pai Milton Teixeira, ao comprar com a venda de sua casa uma escola de ensino fundamental que foi a semente da atual universidade.

É pena que no espaço deste artigo não dê para descrever o sentimento de orgulho que perpassou pela mente dos presentes nesta cerimônia comemorativa, ocasião em quando foi lembrado o Museu do Empreendedor do Ensino Superior que o Semesp começa a organizar para memorizar os empreendedores educacionais desse tempo. E logicamente foram lembrados Eletro Bonini, Mauricio Shermann, Antonio Veronezi, Reinaldo Anderlini, Azurem F. Pinto, Gilberto Padovese, Manoel Bezerra de Melo, Marcio Mesquita Serva, Vitorio Lanza, Rubens Lopes Cruz e outros como Antonio Carbonari, que vieram depois.

Toda a história relembrada e os importantes personagens resgatam a própria trajetória da educação superior brasileira. Atualmente, há no Brasil cerca de 2.150 instituições de ensino superior privado, o que representa 88% do total. São 25 mil cursos oferecidos com 6,24 milhões de alunos matriculados, dos quais 75% do total são das particulares. E a participação econômica do ensino superior privado saltou de R$ 4,5 bilhões em 1993 para R$ 70 bilhões em 2017.

São oferecidos anualmente 420 mil postos de trabalho, sendo 212 mil professores, dos quais 156 mil mestres e doutores. Nossas instituições também incorporaram há tempo a gestão com responsabilidade social, buscando soluções alternativas para problemas sociais do país. Além de oferecer programas próprios de concessão de bolsas de estudo integrais, nossas instituições desenvolvem anualmente mais de 23 mil projetos sociais por ano, impactando 59 milhões de pessoas nas comunidades de seu entorno.

Esses números refletem o quanto o setor privado de educação superior tem contribuído, nos últimos 40 anos, para o desenvolvimento econômico e social do país, através da formação de mão de obra qualificada, inclusive para a administração pública.

As instituições particulares se consolidaram e têm uma experiência em formação educacional que precisa ser levada em consideração se quisermos vencer os desafios de formação de capital humano para o desenvolvimento nacional. O desafio do futuro é formar gente capacitada a acompanhar o exponencial desenvolvimento tecnológico, zelar pelo meio ambiente e construir um mundo menos conturbado, onde todos possam ter melhor qualidade de vida.

É por isso que a experiência dos quarentões da educação deve ser aproveitada num momento onde a educação brasileira está paralisada, na expectativa de definições de boas políticas públicas para formar gente capacitada a vencer o mundo do futuro.

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